quarta-feira, 26 de agosto de 2009

ORP no Cineclube 28 de Setembro (em 27 de Agosto)

o cine clube 28 de de setembro chega a sua terceira edição com mais filmes curtos. o começo da sessão, como de praxe, é um espelho do presente. lá, no dia 27, Seu Fernandes e Dona Sara mergulham entre os álbuns de fotografias do Clube. o acervo reúne centenas de imagens, desde os anos trinta. a teia de relações, o tempo e os acontecimentos vividos compõem o cenário da entrevista, que faz parte do documentário sobre o Clube 28 de Setembro.

ALMA NO OLHO, de Zózimo Bulbul, etno-ficção, é um filme que atrai pela sua forma (narrtaiva?). se a antropologia é uma conjunção ou interpretação de símbolos, podemos dizer que este curta de Zózimo Bulbul "É" a contribuição brasileira para a História Universal dos povos. O filme foi ganhador do Prêmio Troféu Humberto Mauro na
VI Jornada de Curta Metragens da Bahia em 1977.

Tanto LUZ LUXO LIXO, dirigido por Regina Tochio e Mariana de Castro, quanto OCUPAR!RESISTIR!PRODUZIR!, vídeo de Eduardo Silva, tratam da luta pelo espaço nos centros urbanos e suas relações com a especulação imobiliária e a violência. Configuram uma discusão ainda mais profunda:
a do "espaço humano". Locais: centro velho de São Paulo e do Rio, respectivamente.

E em RAPSÓDIA DO ABSURDO, a intervenção do Estado toma dimensões trágicas em duas ocupações em Goiânia. Trabalhando numa linha de filme-ensaio, o vídeo é todo montado com imagens de arquivo e tem um ritmo ao mesmo tempo sentimental e fragmentado, fruto da beleza particular e de vida de cada assentado e da brutalidade de um regime repressor.

esperamos todos lá!
grande abraço
rodrigo tangerino
11 71758161
núcleo de resgate - clube 28 de setembro

então:
o quê? cine clube 28 de setembro
quando? dia 27 de agosto - quinta feira
onde? clube 28 de setembro
rua petronilha antunes, 363
centro - jundiaí - sp

domingo, 16 de agosto de 2009

Maluquice no festival de gramado: Xuxa é premiada rainha do cinema

Sábado, 15 de Agosto de 2009



Noite de horror e indignação em Gramado. Alguma mente desprovida de qualquer senso
cinematográfico decidiu coroar Xuxa Meneghel como a Rainha do Cinema. É
inclusive a manchete do Diário do Festival, que circula aqui no evento:
Gramado Reverencia sua Rainha. E, pior: Kikito especial homenageia a rainha
do cinema, da música e da televisão. No país de Fernanda Montenegro, de
Aneci Rocha, de Laura Cardoso, de Helena Ignez, de Tônia Carreiro, de sei
lá... Hebe Camargo, caramba... O Festival de Gramado, pateticamente, tenta
vender ao público a mentira que Xuxa é a rainha do cinema. Tudo por um
punhado de mídia. Como se vendem barato os organizadores do Festival de
Gramado que decidem quais serão os homenageados!

Ontem (13/8), a noite de entrega do tal Kikito especial para Maria da Graça
Meneghel foi um show de breguice deslavada que os 37 anos de Gramado não
mereciam ter visto. Antes de mais nada, desde o dia anterior, montavam-se
esquemas de segurança para a chegada da "Rainha".
Já no palco, Xuxa recebeu seu troféu das mãos da atriz mirim Ana Júlia, foi
ovacionada por parte da plateia, e dirigiu-se ao microfone onde desferiu a
primeira bobagem: "Eu sou povo", ela disse. Num momento de lucidez e
equilíbrio, o ator José Victor Cassiel, apresentador do evento ao lado de
Renata Boldrin, anunciou o próximo filme concorrente e conclamou a todos:
"Vamos voltar ao Cinema". Perfeito! Xuxa, com seus filmes de péssima
categoria, conteúdo risível, produção tosca e nenhum objetivo
cinematográfico, além do merchandising e da bilheteria, pode representar
qualquer coisa. Menos o cinema. Se o Festival de Gramado é um templo do
cinema brasileiro, este foi profanado na noite de ontem.

Fonte: Audienciadtv

Isso prova que o cinema brasileiro ainda tem que batalhar muito para
produzir filmes ótimos, claro que ja tiveram sim filmes brasileiros muito
boms, mas ao que parece, enquanto existir filmes ridículos como os da Xuxa a
credibilidade do cinema brasileiro sempre será afetada. Que me desculpe as
crianças, mas ela ´so pode ser rainhas deles mesmo, por que rainha do
cinema, aí já é de mais né? Mas fazer o que, o Brasil só funciona a base do
jogo de interesses, como foi o caso desse prêmio.

--

João Baptista Pimentel Neto
Diretor de Articulação e Comunicações do CBC - Congresso Brasileiro de
Cinema
Secretário Geral do CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros
Relações Institucionais do Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Multiman e as negociações do clima

Começou, de novo. Deveria então dizer, recomeçou. É isso.

Recomeçaram hoje as negociações de clima da ONU em Bonn. Esta fase é conhecida pelo íntimos como Bonn 3.

3 porque é a terceira vez neste ano que os representantes de mais de 170 países se reunem aqui em Bonn para negociar os termos do tratado de clima que deverá ser finalizado em Copenhage, na Dinamarca. Seguindo as tradições e os preceitos da educação e dos bons costumes, cá estamos, Greenpeacearianos, na cola deles.

Quando, há 6 semanas, acabou “Bonn 2″, escrevi neste mesmo blog sobre a saída dos negociadores. Para eliminar distorções em minhas observações, estou sentado exatamente no mesmo lugar. Naquele dia, relatei que via alguns deles cabisbaixos, outros envergonhados, uma minoria esperançosa… Agora, vejo os mesmos rostos chegando com semblantes renovados pelo verão do hemisfério norte, alguns trocam abraços, outros acenam. Vários sorriem. Cabisbaixos só aqueles que já sofrem com os impactos das mudanças do clima e não veem muita esperança nas negociações. Mas estes são minoria.

Engraçado isso. Quem mais sofre com as mudanças do clima é minoria por aqui - ao mesmo tempo que é maioria no Planeta. Vamos aos números oficiais da lista de participantes. No total, 2340 pessoas participam das negociações. 1372 são representantes oficias de países, 914 são de organizações observadoras - Greenpeace inclusive - e 54 (só) são da imprensa.

Até ai nenhum problema. Mas ainda estamos na primeira página. Na página seguinte as discrepâncias já começam a aparecer. O Afeganistão tem 2 representantes. Se são 179 países incritos e 1372 representantes, na média cada país deveria ter 7,66 (alguns negociadores dos países ricos valem menos que uma pessoa normal.

Continuamos: Armenia, Barbados, Butão, Congo, Cuba, El Salvador, Gâmbia, Haiti, etc… Tem 2 representantes cada.

Bahamas, Camarões, Croácia, Eritrea, Estônia, Guyana, Israel, Jamaica, Nauru, Myanmar, Paraguay, tem 1 (um, só um, unzinho, nada mais do que UM) representante cada.

O Greenpeace tem 29.

Os Estados Unidos tem 39. O Japão, 48 e a Dinamarca, campeã absoluta, quase 70.

Percebeu o desbalanço? Ou deveria dizer, a desigualdade? Aqueles que mais precisam de um resultado justo, ambicioso e efetivo são os que menos podem lutar por ele!

As negociações de clima são um negócio complexo. Hoje, por exemplo, está sendo negociado como os negociadores vão negociar. Dentro de um dos blocos, o de compromissos de longo prazo, existem 5 sub-blocos, com 4 sub-sub-blocos. No outro, Quioto, são mais 4 sub-blocos e vários sub-sub-blocos. Isso sem contar as reuniões fechadas e paralelas entre os países e grupos de negociação.

Com esse monte de sub-sub-sub-blocos em mente, fico imaginando como uma pessoa pode, sozinha, entender e negociar tudo de mitigação, adaptação, transferência de tecnologia, financiamento, REDD, CDM, NAMAS, NAPAS, arquitetura legal, jurisdição, direito inernacional, metas, IPCC, LCAPs, ZCAPs, etc…

Ou eles são gênios - e não nego que alguns até podem ser - ou, mais provavelmente, não cuidam de tudo, visto que além da complexidade técnico-político-econômico-acronômica, também existe o problema da sincronicidade. Muita coisa acontece ao mesmo tempo.

Por aqui existem algumas TVs em circuito fechado que mostram a agenda do dia. Uma lista onde aparece o nome da sala, o horário e o que estará sendo negociado por lá. Para as 16:30 já temos três coisas agendadas em locais diferentes.

Nessas horas, imagino que os representantes-solo devem lembrar dos desenhos animados de sua infância e pensar “onde é que está o Multiman quando se precisa dele?”

fonte: www.greenblog.org.br

terça-feira, 11 de agosto de 2009

ricos propõem corte de até 21% em emissão de gás até 2020

BONN, Alemanha (Reuters) - Os países industrializados, exceto os Estados Unidos, planejam reduzir suas emissões de gases do efeito estufa de 15 a 21 por cento em relação aos níveis de 1990, segundo dados oficiais divulgados na terça-feira como parte das discussões para um novo tratado climático global.

Os números, divulgados por delegados de uma conferência da ONU que vai até dia 14 em Bonn, ficam aquém dos cortes de 25 a 40 por cento defendidos por uma comissão científica da ONU como necessários para evitar os piores efeitos do aquecimento global.

"As emissões (...) devem ficar, até 2020, entre 15 e 21 por cento abaixo dos níveis de 1990", afirmou o Secretariado Climático da ONU, referindo-se a cifras compiladas a partir de diversos planos nacionais, inclusive de Rússia, Japão, Canadá e membros da União Europeia.

Ao todo, as emissões dos 39 países industrializados, com base nos planos existentes, iria cair para o equivalente a entre 9,86 e 10,71 bilhões de toneladas de dióxido de carbono até 2020. Em 1990, a emissão foi de 12,53 bilhões de toneladas.

Os dados excluem os EUA, maior emissor de gases do efeito estufa depois da China. Washington não participa do atual tratado climático, o Protocolo de Kyoto, que prevê que os países industrializados reduzam suas emissões, até 2012, para pelo menos 5 por cento abaixo dos níveis de 1990.

União Europeia, Suíça, Noruega e Liechtenstein oferecem as maiores reduções, em alguns casos condicionadas a outras variáveis. Canadá, Japão, Belarus e Rússia estão entre os que pretendem fazer os menores cortes.

A inclusão dos EUA tende a enfraquecer ainda mais a redução total, já que o presidente Barack Obama defende que até 2020 o país volte aos mesmos níveis de emissões de 1990 --o que significaria uma redução de 14 por cento em relação aos níveis atuais.

Os planos nacionais partem de premissas variadas, como o potencial das florestas para absorverem o dióxido de carbono. Os dados mostram que, levando em conta mudanças no uso de terras e florestas, as emissões cairiam entre 13 e 20 por cento até 2020.

Yvo de Boer, diretor do Secretariado de Mudança Climática da ONU, disse à Reuters que promessas anteriores relativas a 2020 ainda estão "a milhas de distância" do necessário para que se cumpra a meta assumida em julho pelos países industrializados do G8, para uma redução de 80 por cento até 2050.

Ele afirmou também que as negociações em Bonn "tiveram um bom começo" no sentido de reduzir o rascunho, hoje com 200 páginas, que servirá de base para o futuro tratado climático a ser aprovado em dezembro em Copenhague para substituir Kyoto.

11/8/2009
Por Alister Doyle

Por Reuters

sexta-feira, 31 de julho de 2009

"Tela fria", matéria de capa da Ilustrada / Folha de S. Paulo

Criada para ser a principal rede pública do país, a TV Brasil sofre novas baixas em seus quadros; sem sinal aberto em vários Estados, não pode ser vista pela população

ANA PAULA SOUSA
DA REPORTAGEM LOCAL

30/07/2009

Há um ano e sete meses no ar, a TV Brasil tenta ajustar o seu foco. No período, a emissora ligada ao governo federal viu sua diretoria despedaçar-se, enfrentou acusações de má gestão e foi criticada pela falta de consistência da programação. Agora, outras duas baixas em seus quadros se anunciam.
À Folha, o presidente do conselho curador da TV, Luiz Gonzaga Belluzzo, disse que entregará o cargo. Nos últimos meses, 6 dos 15 conselheiros deixaram suas vagas.
Com um orçamento de R$ 350 milhões, a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) congrega, além da TV Brasil, duas emissoras de TV e nove rádios. Nasceu com a ambição de tornar-se a rede pública nacional. Mas parece tropeçar em seus objetivos. "Tanto a sociedade quanto o governo têm baixa expectativa em relação à TV. É um espaço público pelo qual o público não se mobiliza", diz Mário Borgneth, um dos diretores afastados.
Borgneth representava, ao lado de Orlando Senna e Leopoldo Nunes, o projeto acalentando pelo MinC (Ministério da Cultura). Com a saída dos três, o MinC foi, na prática, afastado da EBC, controlada pela Secom (Secretaria de Comunicação), do ministro Franklin Martins. "A TV é vinculada à secretaria que maneja a informação do governo. O ideal seria que não tivesse esse perfil estatal, que fosse, por exemplo, uma fundação. Em outros países, se ligadas ao governo, as TVs públicas tendem a estar ligadas aos ministérios da Cultura ou da Educação", diz Senna.



Ala "cultural" perde espaço na rede pública

'Afastamento dos diretores ligados ao MinC é resultado do cabo de guerra político que está na origem da TV Brasil'

Financiamento da emissora está totalmente ligado à Secom, comandada pelo ministro Franklin Martins; conselho é indicado por Lula


Maio de 2007. Cenário: hotel Nacional, em Brasília. Nessa ocasião, os ministros Gilberto Gil (Cultura) Fernando Hadad, (Educação), e Franklin Martins (Secretaria de Comunicação), serviram de esteio à decisão presidencial de criar a TV Brasil. Foi sob os aplausos de entidades ligadas à democratização dos meios de comunicação que, ali, durante o Fórum das TVs Públicas, assinou-se a Carta de Brasília, definidora do prumo da rede pública.

Corta. Julho de 2009. Sede da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), também em Brasília. Dos três ministérios, restou, de fato, um. Dos primeiros líderes do fórum, não sobrou ninguém. Das determinações assinaladas no documento, poucas encontraram lugar na EBC real.
"A carta de Brasília apontava para a criação de um sistema público", diz Bia Barbosa, do coletivo Intervozes, uma espécie de ONG que fiscaliza o projeto. "A EBC, hoje, é apenas uma emissora, não uma rede. Ela chega a quem tem TV por assinatura, mas o alcance pela TV aberta é mínimo."

Os dados de audiência não são divulgados pela emissora. O argumento é que muitos dos espectadores têm acesso aos programas por parabólica. Sabe-se, porém, que os índices de audiência estão na zona do "traço". De um lado, é natural que uma emissora voltada a conteúdos diferenciados não tenha espectadores à farta. De outro, a falta de acesso à TV Brasil reflete problemas de base que não foram resolvidos.

"Há um problema de capacitação de gestores, de falta de mão de obra especializada para operação de uma TV que adote novos paradigmas tecnológicos e novos modelos de negócio. E há, ainda, problemas de infraestrutura", diz o ex-diretor Mário Borgneth.


Arranjo desfeito

Para compreender a referência de Borgneth aos "gestores" é preciso voltar às origens da EBC. A TV pública veio à tona em 2002, quando o jornalista Eugênio Bucci assumiu a Radiobras. Um ano depois, o MinC tomou para si o tema e deu a largada ao processo que culminaria no fórum de 2007.

O assunto, que de início não ecoava pelos corredores do Palácio da Alvorada, tomou corpo após a reeleição. Muitos tentaram tomar as rédeas do processo, mas Lula passou o bastão ao ministro Franklin Martins.

Com o MinC, ficaram três diretorias ligadas à programação e à constituição da rede. A presidência da empresa foi entregue à jornalista Tereza Cruvinel. Mas o arranjo se desfez. Os diretores ligados ao MinC saíram -não sem algum alarde. Leopoldo Nunes, ao deixar o posto, acusou Cruvinel de "rasgar R$ 100 milhões". Ele se referia aos recursos que o MinC disponibilizaria para a TV e que não chegaram a ser usados.
"O perfil estatal dificulta muito o trabalho da produção, cria entraves ao dia a dia", diz Orlando Senna, ex-diretor geral, referindo às exigências burocráticas que acabam por travar a engrenagem.

Borgneth, por sua vez, diz que "houve uma clara obstrução na implantação dos novos modelos de produção preconizados pelo projeto inicial e um processo de concentração de poder na presidência". Não se cumpriram, por exemplo, as promessas de incorporação da produção independente e de conteúdos vindos da sociedade.

Outra crítica diz respeito ao conselho, indicado por Lula. "Tinha que ser escolhido pela sociedade", diz Jorge da Cunha da Lima, teórico de TVs públicas. "Só assim se garantiria o caráter público da empresa."



Frases

"Tivemos, nas reuniões de diretoria, discussões sobre a necessidade de exigir ou não recibo de táxi para os diretores, e grandes questões de programação ficavam sem resposta"
MÁRIO BORGNETH
ex-diretor da TV Brasil

"O conselho não se abre para os mecanismos de participação da sociedade e o financiamento está diretamente ligado ao governo. Esses dois aspectos fazem com que o caráter público da TV não esteja garantido"
BIA BARBOSA
do Coletivo Intervozes



TV pública é comum na Europa

A TV pública é, conceitualmente, aquela que não está amarrada nem ao governo nem ao mercado. Comum em países europeus, o modelo, no Brasil, desenvolveu-se à margem das TVs comerciais. Enquanto em países como Reino Unido, Alemanha, Itália e França o orçamento dos sistemas públicos fica entre 0,2% e 0,3% do PIB (Produto Interno Bruto), no Brasil esse índice fica em 0,0025%.

"No Brasil, a TV privada se afirmou como a TV do espetáculo. A TV pública deveria contribuir para a formação crítica do espectador, mas, como chegou atrasada, tem dificuldade de conquistar a audiência", diz Jorge da Cunha Lima. Ele cita, como exemplos de TVs públicas, as inglesas BBC e Chanel 4, a norte-americana PBS, "trucidada por Bush" e o canal franco-alemão Arte.

No Brasil, a estrutura das chamadas TVs educativas é um balaio de gatos jurídico. Há de tudo nesse universo: fundações, autarquias, órgãos ligados a universidades e organizações sociais. É nessa ambiente confuso que a EBC se move.

"A TV pública brasileira é um sistema de capitanias hereditárias ancoradas no poder político de cada Estado", diz Mário Borgneth.

Parte dessa herança pode ser vista, na TV Brasil, nos programas religiosos que, a despeito de proibidos numa rede pública, seguem no ar. "Essa é uma das principais queixas dos espectadores", diz o ouvidor Laurindo Leal Filho. "Uma TV pública deveria ser laica."



Cruvinel diz que não quer "colegiado político"

Indicada para a presidência da TV Brasil por Luiz Inácio Lula da Silva, Tereza Cruvinel tem fama de linha-dura. E também de temperamental. Procurada pela Folha, a jornalista preferiu conceder entrevista por e-mail. Disse estar envolvida com o processo de seleção de projetos da produção independente para a emissora.
Cruvinel faz questão de afirmar, em primeiro lugar, que recebeu uma estrutura "tecnologicamente sucateada e, do ponto de vista humano, desestimulada." Além disso, tinha de incorporar as estruturas da Radiobras e da TVE antes de ser colocada em funcionamento.

"Apesar de tudo isso, fizemos uma reforma organizacional que a tornou mais adequada e ágil, implantamos o canal de São Paulo, licitamos mais de R$ 100 milhões em equipamentos digitais, implantamos os telejornais e demos início à renovação da programação."

Sobre a pouca atenção dada à produção independente, ela diz que a participação do setor na grade já supera os 5% previstos em lei e que, a depender da resposta do setor, pode chegar a 40%. À pergunta sobre o afastamento da "turma do MinC", Cruvinel diz que "a diretoria-executiva da EBC não deve ser um colegiado político, mas administrativo", e reforça que a parceria continua, seja por meio de programas, seja pela presença do ministro Juca Ferreira no conselho da EBC.

Cruvinel, na entrevista, defende o papel de uma emissora pública e volta a defender-se das críticas de que, no alto escalão, a TV Brasil está ocupada por ex-funcionários da Globo. Além de Cruvinel, trabalharam na empresa da família Marinho a diretora de jornalismo, Helena Chagas, e o novo diretor de produção, Roberto Faustino.

"Acho uma bobagem. As Organizações Globo são uma grande escola de televisão e de jornalismo. A TV Brasil só tem a ganhar com a experiência ali adquirida por qualquer profissional ou diretor."



Conselho inoperante

Informado de que muitos dos envolvidos no projeto criticam seu distanciamento em relação à EBC, o presidente do conselho, Luiz Gonzaga Belluzzo, anunciou que quer deixar o posto. "Já fiz o trabalho que deveria ter feito. O período de implantação foi duro e não tenho vocação para várias presidências", diz Belluzzo, que é também presidente do Palmeiras. "Vou conversar com o presidente Lula para entregar o cargo." Mais uma baixa a caminho.

Belluzzo aproveitou a conversa para defender que a saída dos diretores ligados ao MinC tem a ver com questões funcionais, e não políticas. "Estão tentando transformar problemas privados em questões estratégicas. O problema é que, como diz Marx, a burocracia se julga a alma da sociedade".

Belluzzo reitera que não é papel do conselho interferir nas decisões da presidência, mas sim garantir isenção jornalística e qualidade. "Se houver acusações de parcialidade políticas, vamos verificar."

Cruvinel diz, por sua vez, que o conselho tem, sim, funcionado e garantido a independência da EBC em relação ao governo. (APS)


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Black Pixel, instale o seu e ajude a proteger o clima‏

12 de Junho de 2009


Contribua, do seu computador, para reduzir a emissão de gás carbônico

O QUE É?

Se alguém pensa que mudança climática é um problema tão complexo e tão grande que só os governos podem ajudar a resolver, é melhor pensar de novo!

A AlmapBBDO e o Greenpeace, com a assessoria técnica do Centros de Estudos Avançados do Recife, desenvolveram um projeto que permite a qualquer pessoa, sem grande esforço e sem alterar radicalmente o seu modo de vida, contribuir para a redução das emissões de gases do efeito estufa na atmosfera.

Este projeto se chama Black Pixel e funciona a partir da tela do seu computador.


COMO PARTICIPAR?

Basta instalar nosso programa em seu computador, o que deixará um pequeno quadrado preto na sua tela. Você verá que ele não irá atrapalhar, e pode ser movido para áreas não utilizadas na tela, além de ser possível desligá-lo a qualquer hora. Mas, enquanto está funcionando, o quadrado reduz o consumo de energia e, consequentemente, as emissões de CO2.
O projeto só funciona em monitores de tubo e de plasma.

Para instalar o Black Pixel sem nenhuma complicação, acesse o link: www.greenpeaceblackpixel.org

Você também pode assistir a uma apresentação do projeto no Youtube, clicando aqui.

Até agora, esta rede em defesa do clima já instalou 5500 Black Pixels, o que representa a economia de 105.795 W. O desafio é chegar a 1 milhão de Black Pixels instalados.


E NÃO ACABA AQUI!

Repasse esta notícia aos seus amigos, colegas de trabalho e familiares!


Quanto mais gente usar o quadrado, melhor será para o planeta. Enquanto nossos políticos enfrentam os desafios políticos da crise climática, com o Black Pixel, você pode começar a agir para, pelo menos diminuir a dimensão do problema.


diretamente do síte do Greenpeace:
Black pixel contra o aquecimento global


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Todos os direitos reservados - All rights reserved

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Eletronuclear revela acidente radioativo em Angra 2 - 10 dias depois

São Paulo, 26 de Maio de 2009 — Vazamento na usina de Angra dos Reis contamina três funcionários, mas é considerado 'leve' pela estatal.


Um vazamento radioativo ocorrido em 15 de maio na usina nuclear Angra 2 só foi divulgado nesta terça-feira (26/5) pela Eletronuclear, estatal que gerencia o setor. Três funcionários foram contaminados e estão em observação. A Eletronuclear afirmou em comunicado que o vazamento do material radioativo de Angra 2 foi classificado como nível 1 (o mais baixo) e por isso não há necessidade de ações reparadoras.

"O acidente em Angra 2 serve para ilustrar a incoerência de se ter no Brasil um mesmo órgão - a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) - responsável pela promoção e fiscalização da energia nuclear no país", afirma Sérgio Leitão, diretor de Campanhas do Greenpeace.

"E o fato da Eletronuclear divulgar o vazamento apenas 10 dias após o ocorrido é prova clara de que o setor nuclear no Brasil é cercado de mistério, graças à sua herança militar."

Em julho passado, duas usinas nucleares francesas tiveram vazamento de material radioativo, o que contaminou rios e prejudicou o abastecimento de água potável de algumas cidades.

Falhas de segurança foram apontadas em projetos de usinas na França e na Finlândia, inclusive em reatores considerados os mais modernos da atualidade, o EPR - que a estatal francesa Areva quer vender para o Brasil.




07/04/2009 - Ativistas do Greenpeace instalam balsa flutuante com quatro turbinas eólicas simbólicas em frente às usinas nucleares de Angra dos Reis (RJ) para protestar contra os investimentos do governo brasileiro na construção de Angra 3, enquanto o potencial eólico do país é desprezado.

Mais em: www.greenpeace.org/brasil/nuclear

quinta-feira, 14 de maio de 2009

EPR Olkiluoto 3: um projeto caro, atrasado e sem a mínima segurança

06 de Maio de 2009

Amsterdã, Holanda — Usina em obras na Finlândia pela estatal francesa Areva, mesma de Angra 3, tem problemas nos sistemas eletrônicos de controle.

Não bastasse estar com suas obras atrasadas em três anos e ter estourado o orçamento em mais de 50% do valor original, a usina nuclear Olkiluoto 3 agora apresenta mais um problema, desta vez bem mais grave. Segundo denúncia feita pela TV finlandesa nesta terça-feira, o Reator Pressurizado Europeu (EPR, na sigla em inglês) em construção na Finlândia pela estatal francesa tem sérios problemas em seus sistemas de controle eletrônico de segurança.

A denúncia foi feita com base em uma carta enviada pelo STUK, órgão regulador do setor nuclear finlandês, à Areva, estatal francesa responsável pelas obras da usina EPR - tida como modelo da nova geração de reatores nucleares que a Areva vem tentando vender a diversos países, entre os quais o Brasil(...)

Leia na íntegra: www.greenpeace.org/nuclear/olkiluoto-3



Olkiluoto Finlândia

As obras de Olkiluoto são grande fonte de problemas: estão com dois anos de atraso, orçamento estourado em milhões de euros e com inúmeros problemas de segurança. E a Areva, estatal francesa responsável pelo projeto ainda que vender pelo mundo EDRs como a usina finlandesa.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

[Bielorússia] Manifestantes contra o uso da energia nuclear foram às ruas de Minsk

Mais de mil pessoas, a maioria jovens, realizaram uma manifestação neste domingo (26) em Minsk para lembrar o 23º aniversário da catástrofe nuclear de Chernobyl e para protestar contra a construção de uma nova central nuclear na Bielorússia, proposta recentemente pelo presidente Alexandre Lukachenko, que está no poder desde 20 de julho de 1994.

Os participantes do Bloco Negro distribuíram milhares de folhetos e gritaram lemas contra o poder nuclear e o capitalismo. Uma batucada de samba acompanhou o Bloco.

A Bielorússia, vizinha da Ucrânia, foi fortemente contaminada pelo desastre na central nuclear de Chernobyl, em 26 de abril de 1986.

Na Alemanha, em Münster, sábado (25), aproximadamente mil pessoas participaram de um protesto que pedia o fim imediato de uma usina de resíduos nucleares em Ahaus, a única fábrica de enriquecimento de urânio na Alemanha.
Münster foi uma das três cidades alemãs que realizaram atividades para marcar o 23º aniversário da explosão de um reator nuclear em Chernobyl na Ucrânia e exigir que não haja mais nenhum investimento na energia nuclear no país.

No domingo (26), mais dois protestos ocorreram em frente às centrais elétricas nucleares alemãs, nas cidades de Krümmel e Neckarwestheim.

Reportagem fotográfica dos protestos em Minsk: http://belarus.avtonom.org/?p=3871

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agência de notícias anarquistas-ana

Árvore seca
na floresta úmida
que amor lhe faltou?


David Rodrigues


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"A contaminação radioactiva espalhou-se por 150.000 km2 na Bielorússia, Ucrânia e Rússia. As nuvens e o vento depositaram a radiação por milhares de quilómetros de distância. Centenas de milhares de pessoas foram evacuadas e milhões continuaram a viver em áreas perigosas para a sua saúde e vida.
Os estudos científicos mostram que as consequências totais do desastre podem significar 1/4 de milhão de casos de cancro e cerca de 100.000 casos de cancros fatais. No entanto, a indústria nuclear está a tentar explorar as memórias vagas do desastre e a reavivar o seu negócio perigoso..."


http://ecourbana.wordpress.com/23 anos do acidente em chenobyl
http://www.pixelpress.org/chernobyl/nuclear NIGHTMARES

sábado, 25 de abril de 2009

O LIVRO PROIBIDO

O jornalista Ivo Patarra levou 'O Chefe' a duas editoras, que recusaram a publicação do livro.
O livro sobre as falcatruas do Lula, que foi proibido, está disponível para leitura na Internet.

DIVULGUEM ESTE LIVRO SEM RESTRIÇÃO... O livro que compila todos os escândalos do desastroso governo Lula, não conseguiu ser publicado!!! Todos se negaram a publicá-lo.

Assim sendo, seu autor resolveu colocá-lo na Internet à nossa disposição, para ler online ou baixar.

Acesse o site:

* www.escandalodomensalao.com.br *

Não deixe mesmo de ver esse site, nem que seja só para confirmar que ele existe. Mas ele existe mesmo!

Divulguem!
TRATA-SE SE UM DOCUMENTO HISTÓRICO.

______________________
Manoel Filho
Depto. Informática - MIL


O Futuro dos seus filhos depende dos seus atos! Seja consciente!
Gaste pouca água e recicle tudo o que puder!


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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Amazônia: moeda de troca do PAC

Brasilia, Brasil — Para governo, Amazônia desponta como a melhor estrada para levar Dilma à presidência

Em um ato de inaceitável oportunismo político, o plenário da Câmara aprovou ontem emenda proposta pelo deputado petista José Guimarães (o mesmo que teve um assessor flagrado com dólares escondidos na cueca) que dispensa de licença ambiental prévia as obras em rodovias brasileiras. A medida, que serve para acelerar as obras do PAC, foi incluída na Medida Provisória (MP) 425/2008, que tinha como propósito autorizar o governo federal a usar títulos da dívida pública para injetar recursos no Fundo Soberano do Brasil (FSB). O deputado José Guimarães é também o relator da matéria.

Leia na íntegra



Greenpeace/Rodrigo Baleia



Saiba mais:

Nota de repúdio das organizações não-governamentais sobre o assunto.

http://www.meiamazonianao.org.br/

Brasil aumenta uso de carvão e petróleo para gerar energia

SÃO PAULO - BRASIL — Preliminar do Balanço Energético mostra que o país está na contra-mão das discussões sobre mudanças climáticas, com o crescimento da participação de fontes fósseis e redução das renováveis na matriz elétrica

Dados preliminares do Balanço Energético Nacional (BEN), divulgado nesta semana pela Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), apontam que em 2008 o uso de combustíveis fósseis para a geração de energia elétrica no Brasil cresceu 37,9% em relação ao ano anterior. Já a participação das fontes renováveis caiu 3,4%.

Leia na íntegra


Greenpeace projeta mensagens a favor de uma revolução energética, baseada em energias renováveis, durante Fórum Europeu de Energia Nuclear, realizado em Praga, na República Tcheca.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

22 de abril: dia internacional do planeta Terra

Em dezembro de 2009 em Copenhagen, na Dinamarca, representantes de mais de 200 países vão se reunir para chegar a um acordo sobre como salvar o clima do planeta. O Brasil tem papel importante nas mudanças climáticas, já que o país é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa, figura entre as dez maiores economias do mundo e ainda possui recursos naturais como a floresta amazônica .

Para fazer sua parte no combate às mudanças climáticas, o governo brasileiro deve se comprometer a zerar o desmatamento da Amazônia , expandir a geração elétrica renovável e criar uma rede de reservas marinhas para manter os oceanos vivos.

Envie a mensagem abaixo ao presidente Lula.
http://www.greenpeace.org.br/cop/envie_msg.php

O Brasil pode – e deve – assumir a liderança na construção de um novo modelo de desenvolvimento.



Greenblog/Dia da Terra
Planeta Sustentavel/Especial: Aquecimento Global

[ccsam] MST - Esclarecimentos sobre acontecimentos no Pará‏

Diga não a discriminação dos movimentos sociais.

Toda solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras sem terra.



MST - Esclarecimentos sobre acontecimentos no Pará
Por Jornadas Anarquistas 21/04/2009 às 20:00

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/04/445169.shtml

Em relação ao episódio na região de Xinguara e Eldorado de Carajás, no sul do Pará, o MST esclarece que os trabalhadores rurais acampados foram vítimas da violência da segurança da Agropecuária Santa Bárbara. Os sem-terra não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns.


NOTA

Esclarecimentos sobre acontecimentos no Pará
.
Em relação ao episódio na região de Xinguara e Eldorado de Carajás, no sul do Pará,
o MST esclarece que os trabalhadores rurais acampados foram vítimas da violência da
segurança da Agropecuária Santa Bárbara. Os sem-terra não pretendiam fazer a
ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns. Nenhum jornalista nem a advogada do
grupo foram feitos reféns pelos acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protestos
pela liberação de três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças. Os jornalistas
permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta a Polícia
Militar. Esclarecemos também que:

1- No sábado (18/4) pela manhã, 20 trabalhadores sem-terra entraram na mata para
pegar lenha e palha para reforçar os barracos do acampamento em parte da Fazenda
Espírito Santo, que estão danificados por conta das chuvas que assolam a região. A
fazenda, que pertence à Agropecuária Santa Bárbara, do Banco Opportunity, está
ocupada desde fevereiro, em protesto que denuncia que a área é devoluta. Depois de
recolherem os materiais, passou um funcionário da fazenda com um caminhão. Os
sem-terra o pararam na entrada da fazenda e falaram que precisavam buscar as palhas.
O motorista disse que poderia dar uma carona e mandou a turma subir, se
disponibilizando a levar a palha e a lenha até o acampamento.

2- O motorista avisou os seguranças da fazenda, que chegaram quando os trabalhadores
rurais estavam carregando o caminhão. Os seguranças
chegaram armados e passaram a ameaçar os sem-terra. O trabalhador rural Djalme
Ferreira Silva foi obrigado a deitar no chão, enquanto os outros conseguiram fugir.
O sem-terra foi preso, humilhado e espancado pelos seguranças da fazenda de Daniel
Dantas.

3- Os trabalhadores sem-terra que conseguiram fugir voltaram para o acampamento, que
tem 120 famílias, sem o companheiro Djalme. Avisaram os companheiros do acampamento,
que resolveram ir até o local da guarita dos seguranças para resgatar o trabalhador
rural detido. Logo depois, receberam a informação de que o companheiro tinha sido
liberado. No período em que ficou detido, os seguranças mostraram uma lista de
militantes do MST e mandaram-no indicar onde estavam. Depois, os seguranças mandaram
uma ameaça por Djalme: vão matar todas as lideranças do acampamento.

4- Sem a palha e a lenha, os trabalhadores sem-terra precisavam voltar à outra parte
da fazenda para pegar os
materiais que já estavam separados. Por isso, organizaram uma marcha e voltaram
para retirar a palha e lenha, para demonstrar que não iam aceitar as ameaças. Os
jornalistas, que estavam na sede da Agropecuária Santa Bárbara, acompanharam o
final da caminhada dos marchantes, que pediram para eles ficarem à frente para não
atrapalhar a marcha. Não havia a intenção de fazer os jornalistas de ?escudo
humano?, até porque os trabalhadores não sabiam como seriam recebidos pelos
seguranças. Aliás, os jornalistas que estavam no local foram levados de avião pela
Agropecuária Santa Bárbara, o que demonstra que tinham tramado uma emboscada.

5- Os trabalhadores do MST não estavam armados e levavam apenas instrumentos de
trabalho e bandeiras do movimento. Apenas um posseiro, que vive em outro acampamento
na região, estava com uma espingarda. Quando a marcha chegou à guarita dos
seguranças, os trabalhadores sem-terra foram recebidos a
bala e saíram correndo ? como mostram as imagens veiculadas pela TV Globo. Não
houve um tiroteio, mas uma tentativa de massacre dos sem-terra pelos seguranças da
Agropecuária Santa Bárbara.

6- Nove trabalhadores rurais ficaram feridos pelos seguranças da Agropecuária Santa
Bárbara. O sem-terra Valdecir Nunes Castro, conhecido como Índio, está em estado
grave. Ele levou quatro tiros, no estômago, pulmão, intestino e tem uma bala alojada
no coração. Depois de atirar contra os sem-terra, os seguranças fizeram três reféns.
Foram presos José Leal da Luz, Jerônimo Ribeiro e Índio.

7- Sem ter informações dos três companheiros que estavam sob o poder dos seguranças,
os trabalhadores acampados informaram a Polícia Militar. Em torno das 19h30, os
acampados fecharam a rodovia PA-150, na frente do acampamento, em protesto pela
liberação dos três companheiros que foram feitos reféns. Repetimos: nenhum
jornalista nem a
advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, mas permaneceram dentro da
sede fazenda por vontade própria. Os sem-terra apenas fecharam a rodovia em
protesto pela liberação dos três trabalhadores rurais feridos, como sustenta a
Polícia Militar.

MOVIMENTOS DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA - PARÁ

domingo, 19 de abril de 2009

Paraty quer embargar Angra III

Se depender da vontade do prefeito de Paraty, José Carlos Porto Neto, as obras da Usina Angra 3 serão embargadas. José Carlos recorre ao Ministério Público
Federal porque não está sendo cumprida uma das condições impostas para
a construção de Angra 3: a realização de obras na estrada Paraty (RJ) – Cunha (SP), destruída por uma tromba d’água em janeiro. Estas condições foram defi nidas pelo Ibama.Os nove quilômetros de extensão da estrada são a rota de fuga em caso de
acidente nuclear.

18 de Abril de 2009
Fonte: O Dia on line

quarta-feira, 15 de abril de 2009

“O HOMEM É O LOBO DO PRÓPRIO HOMEM!”

Este título é a tradução do pensamento do notável escritor latino Plauto (Sec. III) que em latim corresponde a ‘Homo Homini Lupus est’.

Já no primeiro livro da Bíblia, o Génesis, se diz em linguagem antropomórfica que Deus se arrependeu de ter criado o Homem (Genesis, cap. 6, vers. 6) apesar de, noutras passagens, se afirmar que o principal primata foi criado à imagem e semelhança de Deus, o que não é nada compaginável com o miserável comportamento humano, com milhões de vítimas a morrerem de fome ao lado duma sociedade de abundância que, por sua vez, também consente cinicamente que existam excluídos e pessoas sem abrigo ao lado de casernas militares cheias de sucata bélica.

Quase se pode afirmar que o Homem tem estado em guerra desde que apareceu. A História de Portugal, tal como a de tantos outros povos, está eivada de guerras, batalhas, e conflitos de toda a ordem. Infelizmente, até o Hino Nacional que, há anos, o Escritor Alçada Baptista lucidamente sugeriu que fosse alterado, apela ‘às armas…contra os canhões, marchar marchar! E tudo isto é cantado, por vezes, dentro da própria Igreja Católica por candidatos a cabos de guerra. Mas isso não é pecado! Pecado é usar o preservativo e gastar muito tempo a ler jornais ou a consultar a Net!..

Durante o sec. XX a Europa e outras partes deste mundo foram vítimas de ditadores ferozes que dizimaram milhões de pessoas inocentes. Logo em 1914 a 1ª Guerra Mundial chacinou cerca de 20 milhões de homens. Entre os quais muitos portugueses que nada tinham a ver com o conflito. Logo de seguida surgem os tristes papéis de Hitler, Estaline, Pol Pot, Mussoline, Franco, Salazar e tantos outros como Pinochet.

Tudo isto num século em que o Homem praticamente inventou o avião, o automóvel, a máquina a vapor, a lâmpada eléctrica, o telefone, a televisão, etc. etc. acabando por viajar até à Lua; feito que ainda hoje há quem não acredite tenha acontecido.

Este mundo tanto gera monstros como Hitler e quejandos, como corações cheios de amor como Gandhi, Luter King ou Teresa de Calcutá.

Hoje, porém, enfrentamos uma nova ameaça. Nunca acreditei nas razões invocadas por Bush contra o Iraque. Vimos então que os Inspectores nada haviam encontrado. Escrevi a esse propósito ao Presidente Bush que obviamente não respondeu.Hoje sim os EUA e todo o Ocidente têm um real e grave problema contra o qual não estão preparados dado o esforço de guerra até hoje quase inútil. A Democracia não se impõe à força; instala-se pela politização e pela educação cívica.

A ameaça de hoje, ao contrário do que dizem alguns analistas, é mesmo de natureza religiosa. O 11 .Setembro foi alimentado pelo fanatismo religioso. Aliás as guerras têm tido quase sempre interesses económicos, mas também motivações religiosas, como foi o caso da difusão da fé e do império português. Recentemente, basta analisar os discursos de Bush para se ver algum fundamentalismo de cariz bíblico. Também o Islão tenta apetrechar-se para atacar o Ocidente que há séculos os massacrou, e até hoje, não conseguiu resolver um problema tão simples como o conflito Israelo/Palestiniano.

Ora, um dirigente dum país com a força do Irão cujo curriculo é de reconhecido fanatismo, radicalismo e fundamentalismo no mundo muçulmano, tem de ser uma verdadeira ameaça para a cultura ocidental, capaz de terrorismo incontrolável a começar contra o estado de Israel que também não está isento de culpas.

O Ocidente tem neste momento uma verdadeira ameaça cujas dimensões são inimagináveis se não for travado atempadamente. O Irão tem um exército fanático constituido por muitos milhões de individuos suicidas, e se quisermos comparar o que é a lavagem ao cérebro duma nação, basta pensar na Alemanha de Hitler e dum modo geral todos os países que naquela altura afinavam pelo mesmo diapasão como Portugal.

Nestas circunstâncias a situação não pode ser comparada com o Iraque. Os EUA têm neste momento um verdadeiro problema que ultrapassa em muito as ‘Al Qaedas’.

Está a nascer uma hidra que, se lhe for permitido crescer, pode ser a génese duma verdadeira hecatombe à escala mundial..

Quem ler o Corão encontrará muitos versículos (alyas) nos quais Maomé estimula os seus fieis a liquidarem os adversários, do mesmo modo que subalterniza a mulher, tal como a Igreja Católica, e permite ao homem ter até quatro mulheres. .

Os EUA têm toda a razão ao pressionar a ONU no que concerne à tomada de medidas céleres e eficazes para não deixar crescer a hidra iraniana alimentada por ‘ayatolas’ que acumulam a politica ditatorial com a religião mais fanática e intolerante.

Estamos perante milhões de fanáticos capazes de se imolarem, se necessário, cheios de ódio contra a cultura ocidental constituída por infieis como a Igreja Católica lhes chamava na Idade Média.

Perante este cenário, ainda há deputadas europeias preocupadas com os aviões que passaram pelos Açores, cheios de terroristas ou potenciais terroristas, que até os da sua religião e raça matam todos os dias.

Estes políticos ficariam vacinados se ousassem aparecer na Argélia com o comportamento que têm em Bruxelas. Um fanatismo que mata os filhos só porque se afeiçoam a amigos estrangeiros, ou porque tiveram relações sexuais fora do casamento, logo dissiparia tais veleidades.

Quem está habituado a protagonismos não pode passar sem estar na ribalta, mesmo que seja fazendo o jogo daqueles que liquidaram mais de duas mil pessoas nas Torres Gémeas, em 11.Setembro.2001 cujo crime foi estarem a trabalhar.

Não lhes basta esse fanatismo, nem a condenação à morte de Salmon Rushied, nem o assassinato do cineasta Van Gogh, o 11 de Março em Madrid, etc.etc. Os militantes
da Al Qaeda devem rir-se com os pruridos ocidentais dominados por direitos que lhes abrem as portas para as suas carnificinas.

Termino como comecei! Fazemos parte duma espécie altamente perigosa, capaz da autofagia mais hedionda!


Telmo Vieira

http://thelmovieira.blogs.sapo.pt

quarta-feira, 11 de março de 2009

Fé x Doutrina

“A Igreja fica encastelada em seu principismo abstrato”, afirma Frei Betto
Em entrevista ao Brasil de Fato, o frade dominicano comenta os dois casos polêmicos envolvendo representantes da Igreja Católica

Bispo brasileiro defende celibato opcional e ordenação de mulheres

Dom Aldo suspende padre Luiz Couto por causa de entrevista em O Norte


Acredito que toda e qualquer religião que tenha se formado no percurso da história da humanidade deve se adaptar aos dias presentes ou continuarão surgindo falsos profetas com seitas absurdas que levarão mais e mais os homens a cavar as próprias covas.

Com a banalização da violência aditivada pelas grandes mídias do mundo e o abuso de poder de governantes despreparados não basta discussão rasa. A sociedade capitalista necessita de uma reformulação profunda em seus conceitos que começa pelo sistema de ensino. Tudo está errado. Nossas escolas estão formando animais por falta de vontade de mudança e incentivo das classes instituidas em cima da pirâmide: sacerdotes, políticos e pensadores.

Nos castelos onde meninos mandados pelas famílias estudam para se tornarem padres a pedofilia estoura e o afastamento do mundo torna-os fora de época assim como essa(s) doutrina(s) QUE NÃO SÃO A PURA MENSAGEM DE DEUS e sim interpretações de homens imperfeitos que querem tornar-se Deus e levam-nos a essa realidade assustadora de hoje, onde celebridades são mais importantes que as palavras de um Cristo - infelizmente - desacreditado e arcaico.

Por mim a Igreja doaria seu ouro para os pobres do mundo se aproximando sinceramente desses ao invés de se preocupar em procurar (e produzir) os mais abastados para manter a guerra bélica mundial que de nada ajuda a evolução da nossa espécie.

Uma coisa é a opção pela doutrina, outra é a imposição vista há dois mil anos.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Luta Indígena em Camboinhas - Carta do CESAC Aberta ao Público

O CESAC – Centro de Etno-conhecimento Sócio-cultural e Ambiental CAUIERÉ, entidade associativa sem fins lucrativos de defesa de direitos e interesses indígenas registrada no RCPJ/RJ sob o nº 490.156, CNPJ sob o nº 73.295.875/0001-31 e no Ministério da Justiça ped. OSCIP de nº 08071.008534/2007-37, desde 1993, com sede na Rua Maracá, nº 7 em Tomás Coelho, Rio de Janeiro, gostaria de deixar claro que, sendo patrimônio dos Povos Indígenas Brasileiros as áreas do Sambaqui de Duna Grande e do Sambaqui Camboinhas, as etnias herdeiras, assim como a Comunidade de Pescadores Artesanais de Itaipu, em parte formada por descendentes de Povos Ameríndios que habitaram a região, possuem Direitos Indisponíveis, Inalienáveis e Imprescritíveis sobre os mesmos.

Como é de conhecimento público, O CESAC, desde 2002 se mobiliza em defesa do sistema lagunar de Itaipu, juntamente com as entidades ambientais, associações desportivas e as populações originárias e tradicionais, por meio de suas entidades representativas, dando início à luta para defesa do sistema lagunar, dos sambaquis e cemitérios indígenas da Região de Itaipu, tendo apresentado juntamente com a Comunidade Caiçara de Itaipu - comunidade tradicional, em parte descendente de Povos Originários da Região – por meio da ALPAPI – Associação Livre dos Pescadores Artesanais da Praia de Itaipu - um projeto interétnico de manejo sustentável da área para as principais etnias herdeiras - demonstrando o interesse em dar uma destinação indígena e interétnica à mesma.

Sendo o Sambaqui de Duna Grande um Cemitério Tupinambá, fica claro que, por conta do Direito Sucessório, os herdeiros daquela região sejam de Tronco Cultural Tupi, hoje representado pelas etnias contemporâneas Guajajara, Kamaiurá, Aweti, entre inúmeras outras, e, obviamente, Tupinambá – assim como a Comunidade Tradicional de Pescadores de Itaipu, em parte descendente dos grupos Tupi que habitaram a região.

Em fins de 2007, o CESAC foi procurado pelo Sr. Cristino, representante da Funai/RJ, para alocar ou assentar uma família Guarani Mbyá, oriunda da Argentina, que havia sido expulsa da Comunidade de Paraty - Mirim. O projeto supracitado foi apresentado ao Sr. Cristino (Funai) e às lideranças Guarani, assim como, amplamente discutido com a referida família. Por princípios humanitários e legítimo anseio de reparação, compensação e indenização às etnias (os Guarani-Mbyá pertencem ao Tronco Lingüístico Tupi-Guarani), a família Guarani foi alocada em terreno de propriedade do CESAC, que adquiriu do velejador George Mollin, por meio de escritura de Cessão de Direitos.

O assentamento das duas famílias, Guarani e Guajajara, foi acertado entre as partes, na presença de dois funcionários da Funai, registrado e documentado, fazendo parte de procedimento interno da CDHAJ/OABRJ.

Ao invés de agradecerem a acolhida, instigados por uma entidade que diz representar interesses comunitários de Niterói, cujo diretor de comunicação agora posa de antropólogo e escreve "não achar saudável a mistura de etnias" (desconhecendo que, no Brasil, é trivial a instituição de Terras Indígenas interétnicas e no Parque Indígena do Xingu aldeias costumam abrigar harmonicamente famílias de etnias – e troncos culturais - diferentes), assim como, estimulando o dissenso e a conspiração para melhor dominar, indivíduos dessa mesma família Guarani passaram a hostilizar não somente uma família Guajajara, bem como hostilizar e agredir lideranças e anciãos da própria etnia Guarani, assim como apoiadores de opiniões independentes, que ameaçavam a "liderança" de pensamento único, protagonizada por um rapaz imaturo e violento, de caráter deslumbrado, facilmente manipulável por aproveitadores organizados à órbita dessa entidade. Entidade essa movida por interesses estranhos aos das etnias envolvidas.

O CESAC é contra toda forma de intolerância e sempre realizou seu trabalho de forma digna, organizada, apartidária e responsável. O CESAC repudia o uso da violência e da coação, assim como campanhas difamatórias de qualquer espécie.

O comportamento discriminatório por parte dos Guarani, em grande parte estimulado e propugnado pelo CIN (CCOB), é visto com grande tristeza, uma vez que os Guarani sempre foram tratados com grande respeito, independente do comportamento imaturo de alguns. Acreditamos que soluções para conflitos não devem ocorrer por meio de violência e coação, como acreditam certos indivíduos Guarani alocados em Camboinhas.

Nós entendemos que o Sambaqui Camboinhas, construção humana de mais de 8.000 anos de idade, anterior à edificação às estruturas do Velho Mundo, é Patrimônio dos Povos Indígenas Brasileiros, assim como o Sambaqui de Duna Grande pertence, por direito sucessório, aos Povos de Tronco Tupi e à Comunidade Tradicional Caiçara, em parte descendente dos Povos Tupi que habitaram a região.

Os direitos dos Povos Indígenas e das Comunidades Tradicionais são Direitos Indisponíveis, Inalienáveis e Imprescritíveis, tornando inviáveis quaisquer Termos de Ajustes de Conduta (TAC) em Camboinhas, sob pena de nulidade. O CESAC entende que o monitoramento, acompanhamento e assistência jurídica dos direitos e interesses das comunidades indígenas e das populações tradicionais daquela região já estão sendo prestados pela CDHAJ/OABRJ e que a interferência alheia à da CDHAJ, além de indevida, frustra os interesses dessas populações no projeto de manejo elaborado e implementado pelo CESAC, ALPAPI e CDHAJ/OABRJ, além de violar irreparavelmente os direitos das populações originárias e tradicionais no local.

Os Guajajara possuem interesse cultural pelas áreas do Sambaqui Camboinhas e do Sambaqui Duna Grande, o que torna nulo o Termo de Ajuste de Conduta proposto por José de Azevedo, do CCOB, para a família Guarani Mbyá de Camboinhas. Do mesmo modo, há direito sucessório, válido não apenas para os Povos de Tronco Tupi, como para os caiçaras das comunidades locais, descendentes de grupos Tupi.

Os Direitos dos Povos Indígenas e das Comunidades Tradicionais são Direitos Inalienáveis, Indisponíveis, não podendo ser traficados por meia-dúzia de violadores de Direitos.

O momento não é de determinar condutas e, sim, de determinar os direitos e interesses dos Povos de Tronco Tupi e dos Pescadores Tradicionais de Itaipu: uma família Guarani Mbyá não pode falar em nome de todos os Mbyá nem pode dispor de direitos e interesses em nome de todos os Guarani; em segundo lugar, os próprios Guarani Mbyá não poderiam dispor de direitos e interesses nem falar em nome de todas etnias de Tronco Tupi.
A procuradoria da República, por meio da sua Subprocuradoria-Geral, representando a 6 Câmara de Coordenação e Revisão, já determinou ao Procurador da República de Niterói que defenda o projeto do CESAC/ALPAPI e da CDHAJ.

Os Povos Indígenas brasileiros se integram à comunidade nacional, não necessitando ser tutelados por entidades como o CCOB ou o CIN, cujos interesses lhes são totalmente estranhos e obscuros. O CESAC tem compromisso não somente com os Povos Originários e com as Comunidades Tradicionais da região, bem como com todos os moradores de Camboinhas, que merecem ser respeitados. Entendemos que "oprimidos" não podem se tornar opressores e estendemos nosso respeito à autodeterminação dos Povos Originários ao conjunto da sociedade nacional.


Fonte : http://www.centrodeetnoconhecimento.blogspot.com/

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Hindus querem lançar bebida à base de urina de vaca

Animal é considerado sagrado pelos hindus, que acreditam nas propriedades terapêuticas de sua urina.


A organização hindu Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS) anunciou que pretende lançar na Índia um refresco à base de urina de vaca para promover as propriedades terapêuticas da substância e competir com refrigerantes internacionais.

A vaca é considerada um animal sagrado para os hindus e seu abate é proibido em várias regiões da Índia. A RSS não apenas promove a defesa ao animal, mas também faz campanha para "limpar" a Índia de influência estrangeira e promover o hinduísmo.

Segundo o jornal Indian Express, que teria entrevistado o responsável pelo projeto, Om Prakash, o refresco já está sendo testado em laboratórios e poderia chegar ao mercado ainda neste ano.

Prakash, que é chefe do Departamento de Proteção às Vacas do RSS, disse que o grupo se refere à urina de vaca como "água de vaca" e que o líquido "tem imenso potencial para curar várias doenças".

"Não se preocupe, não vai cheirar a urina e vai ser gostoso", disse ele ao jornal britânico The Times.

"Sua principal particularidade é que vai ser muito saudável. Não vai ser como os refrigerantes gasosos e não vai conter nenhuma toxina."

Uma vez que os testes tiverem resultados positivos, disse Prakash, o departamento vai pensar na embalagem, preservação e campanha de marketing.

"Vai ser uma revolução. A aceitação da urina de vaca como um remédio potente aumenta cada dia e, uma vez que se tornar um refresco, sua demanda vai, definitivamente, aumentar."

Além da urina, as fezes de vaca são usadas em "rituais purificadores" na Índia e também como combustível e desinfetante em vilarejos.

Prakash está envolvido ativamente na proteção e promoção da urina de vaca há quatro décadas e cita outros produtos como pasta de dente, xampu, sabonete e loção de barbear até bálsamos, biscoitos e incensos feitos de urina e fezes de vacas.

Desde 2001, diz o jornal britânico The Times, o RSS e seus parceiros promovem a urina de vaca como cura para doenças que variam de obesidade até câncer.


BBC Brasil - Todos os direitos reservados.

Denúncia: Pescador artesanal da Baía de Sepetiba (RJ) é ameaçado de morte


Desde 2006, quando começou a instalação na Baía de Sepetiba – RJ, o consórcio empresarial Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), formado pela empresa alemã Thyssen Krupp e Vale do Rio Doce, começou também a luta de resistência dos pescadores artesanais na Baía de Sepetiba. As atividades da empresa são extremamente danosas ao meio ambiente e impactam diretamente a vida dos pescadores da região, impedindo-os de trabalhar. Foi assim que desde de 2006, a luta de resistência dos pescadores da região e de denúncia dos crimes que a empresa vem se cometendo se fortaleceu. Esses movimentos denunciaram sistematicamente os crimes cometidos contra a legislação brasileira (ambiental e trabalhista), contra os pescadores e trabalhadores que estão dentro do canteiro de obras da empresa. Desde esta época, as organizações de pescadores denunciavam a suspeita de que a empresa vinha atuando na região com o apoio de grupos relacionados às milícias.

Uma das principais lideranças dos pescadores, que prefere ficar anônimo, vinha sofrendo há mais de um ano ameaças de morte freqüentes por parte de grupos ligados a milícia da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Isso, contudo, em nenhum momento fez ele recuar com relação à defesa dos interesses dos pescadores e às denúncias permanentes feitas contra a empresa TKCSA e suas irregularidades. Citaremos aqui as circunstâncias em que ocorreram as principais ameaças recebidas pelo nosso companheiro.

Ainda em 2007 essa liderança e outros pescadores organizaram um protesto num dos portões de entrada da usina. Na ocasião, perceberam a chegada de homens que não estavam usando uniforme e que faziam questão de mostrar que estavam armados e que se diziam “seguranças da empresa”. Esses homens também eram conhecidos na região por trabalharem diretamente ligados às milícias da região e se incumbiram de “acalmar” o protesto com ameaças. Esses “seguranças” tinham –e têm- acesso livre às instalações da empresa e são eles que controlam também o canteiro de obras. Moradores do entorno da planta, sabem de mortes de trabalhadores, na maioria de imigrantes nordestinos e chineses, por acidentes e más condições de trabalho e assassinatos pela milícia dentro do canteiro de obras.

Semana passada, após três telefonemas recebidos de madrugada, dizendo que essa liderança estava com seus dias contados, ocorreu a pior ameaça (05/02/2009). Esse pescador quando andava pela rua em que morava viu um carro parar na sua direção. Ele percebeu que o motorista do carro era um dos piores matadores da região. Esse matador, encarando diretamente essa liderança da pesca, deu ré em seu carro e fez um sinal com a mão de que ele esperasse por algo –com a mão espalmada. Automaticamente, acelerou o carro e foi embora.

A partir daí, essa liderança percebeu que era o momento de parar e se afastar da luta. Depois de ter recebido cara-a-cara uma ameaça de um conhecido matador da região, esse lutador teve que se refugiar. Encontra-se agora em paradeiro desconhecido, mas, sob segurança. Pensava não apenas em sua vida, mas na segurança de seus pais, de sua esposa e de seus filhos. Saiu do lugar onde morava, abandonou sua casa, carro e todo o seu passado. Outros companheiros de luta desse pescador estão atualmente correndo risco.

Tendo em vista o relato que aqui fazemos, exigimos que as denúncias permanentes que são feitas na região afetada pela empresa de que haveria uma vinculação da TKCSA com a milícia da Zona Oeste sejam investigadas pelo Ministério Público Federal e Estadual; pelos governos estadual e federal; bem como pela polícia federal.


AAPP - Associação de Aquicultores e Pescadores da Pedra de Guaratiba
ANF - Agência de Notícias das Favelas
ABIT - Associação de Barqueiros e Pescadores de Itacuruça
Central de Movimentos Populares
Confapesca - Confederação Nacional das Federações de Associações de Pescadores Artesanais Aquilcultores e Entidades da Pesca
Fapesca - Federação das Associação de Pescadores Artesanais da Estado da Rio de Janeiro
CMP - Central de Movimentos Populares
Associação Americana de Jurista
Casa da América Latina
Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul
PACS - Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul
Instituto de Defensores de Direitos Humanos
Fórum de Meio Ambiente do Trabalhador
Fórum Carajá

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http://colunistas.ig.com.br
Overmundo: Baía nem para peixe, nem para pescador