UFOs na Visão Védica
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O Diário
Reportagem com Candramukha Swami
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"SVibhishana chegou com o carro aéreo, que parecia uma montanha,
e disse:
- Entrai a bordo, ele está aqui; que mais posso fazer ?(...)
Quando todos se achavam a bordo, o imenso carro alçou-se com um
estalejar
de fogos de artifício e cataratas; em seguida, silenciosamente,
quando já
subira a uma boa altura, virou-se para o norte, descrevendo ampla
curva
ascendente..."
Ramayana - épico Hindu com mais de 8.000 anos
Maharaja Chandramukha Swami é uma das autoridades védicas no
Brasil, ele
representa (como um Bispo na Igreja Católica) a religião
Vaishnava, que a
maioria das pessoas identifica como os "Hare-Krishnas". Estivemos
com
Chandramukha no dia oito de fevereiro deste ano numa comunidade,
junto a
uma pousada, chamada Vraja-bhumi, em Teresópolis, bem no meio da
serra,
num vale, onde os adeptos e simpatizantes desta filosofia de vida
podem
participar de cerimônias, palestras, cultos e ritos em meio a uma
paisagem
paradisíaca.
João Oliveira - Maharaja o que é o hinduismo e o que é o Hare
Krishna no
Brasil?
Maharaja Chandra-mukha Swami - O termo hinduismo não é encontrado
nas
literaturas védicas, é um termo mais recente.. A história conta
que existe
um rio que divide a Pérsia da Índia e os persas que tentavam
pronunciar o
nome do rio que é Sindhu não conseguiam e falavam Hindu, por isso
eles
começaram a chamar os povos, do lado de lá do rio, de Hindus.
Hoje em dia
o que se chama de hinduísmo é um complexo religioso porque a
literatura
védica é muito profunda e ela reconhece diferentes níveis de
consciência
dos seres humanos e diferentes tipos de caminhos espirituais que
cada um
tem a capacidade de seguir. Existe uma divisão muito grande de
opções
religiosas para que a pessoa vá gradativamente se elevando até
chegar no
nível de perfeição que é o amor a Deus, que é a pratica mais
elevada,
então existem mais ou menos três caminhos: uma é chamado Karma,
outro
Jnana e Bhakti.
Karma é o caminho de motivação material, mas religioso onde a
pessoa se
aproxima de Deus ou de seus agentes, os semi-deuses, em troca de
beneficios materiais. Então na Índia você encontra adoração a
Kali, a
Shiva, a Ganesha em diferentes templos onde os adoradores já tem
uma
relação, já aceita uma autoridade superior, e passa a ter um
intercambio
de serviço e recebe com isso opulências materiais. Depois disso,
e isso
muitas vezes pode durar vidas, a pessoa chega ao segundo estágio
que é
Jnana; ela já não está mais interessada em benefícios grosseiros,
ela quer
Jnana, conhecimento espiritual, então existem outros caminhos,
austeridades, penitencias, meditação, sacrifícios, outra parte da
literatura védica para a pessoa tentar entender o que e ela está
fazendo
aqui, entender Deus, como isso ocorre, como isso é controlado e é
só uma
fase. A fase final, a terceira, é Bhakti ou Prema, o amor a Deus.
Que são
os caminhos mais ligados diretamente a adoração a Deus, e a
renúncia se
torna algo natural, o desapego das coisas grosseiras. Então são
muitos
caminhos muitos processos e tudo isso misturado passou a ser
chamado de
hinduísmo, mas o movimento Hare Krishna está ligado a este último
caminho,
a parte da devoção. A devoção amorosa a Deus é uma visão
politeísta,
existem os semi-deuses, os chamados Devas, que são agentes de
Deus com
funções especificas, como por exemplo: numa cidade especifica tem
o
departamento de águas, o departamento de luz, o de telefonia,
então tem
diferentes departamentos com responsáveis por tudo isso. Também
aqui no
mundo existe Surya o Deus do Sol, Indra o Deus da chuva, Vayo o
do vento,
e assim vai são agente de Deus. Mas algumas vezes uma pessoa
materialista
prefere subornar um agente do governo para poder receber um
beneficio
imediato e pagar a conta mais barato.
JOÃO OLIVEIRA - Como na seca fazer uma promessa para chover?
Maharaja Chandra-mukha Swami - É, você pode fazer uma promessa
para chover
mas não para o semi Deus e sim para Deus. Você vai ter sempre
essas duas
opções; mesmo uma pessoa que tenha desejos materiais a serem
satisfeitos,
isso é normal, ele pode fazer isso buscando Deus. Por exemplo,
uma
criança, um bebê, a medida que ele se desenvolve um pouquinho,
que ele
cresce um pouco, ele vai começar a pedir as coisas para o pai,
mas o pai
vai achar até interessante, vai apreciar, pois faz parte do
avanço natural
da criança, agora chega um momento que a criança cresce que ela
não tem
mais que pedir, ela tem que servir, ela tem que ter primeiro uma
amizade,
depois ela tem que servir o pai. Então existe um estágio que você
é
motivado materialmente a inverter a sua posição, Deus passa a ser
o seu
servo, você vai na Igreja com uma lista de supermercado pedindo
as coisas
e Deus tem que suprir. Tem muitas religiões que colocam assim:
Deus como
meramente um supridor dos seus desejos, mas na verdade, como
crianças, se
formos filhos mais maduros e evoluídos, nós vamos também nos
preocupar com
o pai e ver o que ele precisa, o que ele quer. Neste mundo ele
quer que
tenhamos esse relacionamento de amor com ele para que também
possamos
ajudá-lo a distribuir esse conhecimento espiritual e alertar os
outros
filhos. Essa é a nossa função.
JOÃO OLIVEIRA - Mahajara, na literatura védica existem algumas
aparições
de OVNIS e é citado a existência de outros planetas e criaturas
que
existem nestes planetas. Fale um pouco sobre isso.
Maharaja Chandramukha Swami - Dentro do conceito da cosmologia
védica este
universo material, embora seja muito, muito grande, ele é
limitado e você
tem uma divisão dos planetas superiores que são chamados de
Celestiais, os
planetas intermediários, a Terra faz parte deste sistema, e os
planetas
inferiores, os planetas infernais. Nos Planetas Superiores vivem
os Devas
que são pessoas muitos qualificadas sob a influência do modo da
bondade,
pessoas com um nível de consciência muito superior. Nos Planetas
inferiores existem os Asuras pessoas sob a influência da natureza
demoníaca, influência nefasta, negativa. Nos Planetas
Intermediários, como
a Terra, é o meio termo, a paixão material. Lá embaixo a
ignorância , em
cima a bondade e aqui predomina a paixão. Então o que acontece?
Os
Planetas intermediários são sempre visados, tanto pelos Devas
quanto pelos
Asuras. Todos querem o Planeta Terra ou os outros intermediários
e há
sempre uma competição. E a literatura védica, remonta a milhões
de anos as
histórias, embora ela tenha sido compilada há cinco mil anos
(antes disso
ela foi preservada pela tradição oral). Os Puranas que contam as
histórias
mais antigas deixam claro que essa luta entre Asuras, que são os
demoníacos, com os Devas, os divinos, sempre aconteceu, e sempre
tentaram
conquistar a Terra, porque a Terra é um lugar muito positivo,
muito
agradável e cheio de recursos naturais. Então em outras eras (nós
agora
estamos numa era chamada Kali, que começou a cinco mil anos) os
semi-Deuses e os seres humanos viviam numa comunhão muito grande
e havia
um intercambio de visitas. Os seres humanos em outras eras eram
mais
qualificados e viajavam através de poderes místicos e de naves,
que não
são grosseiras, são feitas de elementos mais sutis e são chamadas
Vímanas,
a palavra mana significa mente, Vímana significa uma nave de
elemento
refinado sutil quase que mental. Então os seres humanos também
tinham
acesso aos Planetas Celestiais quando executavam atividades
piedosas e
tinham um acúmulo do que a gente chama de Punya ou Sukrti,
atividades
piedosas, eles eram premiados com visitas a Planetas Celestiais e
por sua
vez os semi-deuses visitavam a Terra para poder não só transmitir
conhecimento e uma tecnologia espiritual, mas também para se
associar com
os sábios que viviam nessa terra, da mesma forma em Planetas
inferiores
outros seres faziam visitas tentando explorar, pois sempre tem
essa
questão: ou você quer explorar ou você quer servir. Os que vivem
em
Planetas inferiores querem explorar, os que vivem nos Planetas
superiores
querem servir, proteger. Essa realidade sempre existiu. Por
exemplo,
quando Krishna veio à Terra, há cinco mil anos, a situação era
exatamente
essa. A Terra, o planeta Terra que tem uma deidade, uma Deusa que
é
chamada Bhumi, estava muita pesarosa, porque os reis naquele
momento eram
muito demoníacos e estavam fazendo tudo para destruir os recursos
da Terra
então ela se aproximou do ser mais elevado, Brahma, e juntamente
com
outros semi-Deuses, igualmente elevados ela orou, apresentou sua
condição
pesarosa e pediu ajuda. Então Brahma orou profundamente para o
senhor
Vishnu (Deus) e ele mandou a mensagem que viria à Terra, para dar
proteção
e que todos os semi-deuses deveriam nascer na Terra para ajudá-lo
na
missão de proteger as pessoas piedosas, as pessoas bem
intencionadas e
remover os elementos perturbadores, ou seja matá-los, só que a
alma é
eterna eles abandonariam o corpo que eles estavam utilizando no
momento e
seriam transferidos para Planetas infernais de acordo com a
condição
deles, então isso acorreu, essa batalha entre o bem e o mal
ocorreu com a
ajuda dos semi-deuses. Eles vieram aqui, participaram disso e até
existe
um diálogo muito famoso: o Bhagavad Gita, aconteceu durante
alguns minutos
antes dessa batalha devastadora que viria a ser chamar Batalha de
Kuruksetra.
JOÃO OLIVEIRA - Na Batalha de Kuruksetra naves foram utilizadas?
Maharaja Chandramukha Swa-mi - Armas que nós não temos acesso e
nem
podemos entender. Armas com poderes completamente sobrenaturais
como por
exemplo, a Bramastra, uma arma lançada com o poder de mantra e
que era
direcionada para uma pessoa, Bramastra significa arma espiritual
na
verdade, agora muitos semi-deuses participaram, vieram com suas
naves
né...
JOÃO OLIVEIRA - Isso é relatado nas escrituras védicas que eles
chegavam
em suas naves?
Maharaja Chandramukha Swami - Sim, tem, para nós que estudamos os
Puranas
e o Srimad Bhagavatam isso é um assunto completamente aceito e
nem é uma
coisa que nos deixa (fez um gesto com as mãos que não é nada
demais)...
por que é um assunto completamente comum, assim como nós temos
nosso
veículo não é ? Você pega seu automóvel, vem aqui em Vrajabhumi,
visitar a
gente, porque um ser superior seria menos do que nós? E não teria
o seu
veículo? Só que o veículo não igual ao nosso, não tem a mesma
tecnologia
limitada eles tem veículos muito superiores, até porque as
distâncias são
muito superiores, então, têm dezenas e centenas de histórias onde
os
sábios que viviam em outros planetas se valiam dos seus veículos
e nos
visitavam aqui.
JOÃO OLIVEIRA - Não tem uma história de um semi-deus que voando
em sua
nave e, passando em cima de uma casa, viu em cidadão com sua
mulher e
resolveu roubar a mulher desse cidadão ?
Maharaja Chandramukha Swami - Sim, existe uma coisa assim, tem
até a
história de um deles que caiu da nave porque ficou contemplando
uma
mulher. Tem isso o tempo todo. Eu me lembro agora de uma história
do sábio
Citaraketa em que ele foi visitar Sr. Shiva, ele estava
palestrando, e a
palestra era sobre a renúncia e ele estava com a esposa no colo,
Shiva é
completamente transcendental, e quando o sábio chegou na palestra
e viu a
palestra de renúncia, mas com o Sr. Shiva com a esposa no colo,
ele achou
engraçado e deu uma risadinha , mas glorificando o Sr. Shiva,
porque ele é
demais, pode palestrar com a esposa no colo. Só que a esposa
quando
observou aquele sábio rindo, ela não entendeu. Ela parou a
palestra,
amaldiçoou ele e falou : "- Você vai ter que nascer na Terra,
porque você
caçoou do meu esposo". Mas ele estava rindo de apreciação. Mas
mesmo assim
ele imediatamente pensou: "- Acho que Deus quer que eu vá à Terra
porque
eu tenho uma missão lá". Ele nem se defendeu, de tão evoluído que
ele era,
ele então se levantou, reverenciou a esposa do Sr. Shiva, chamada
Parvati
e disse: "- Mãe se esse é o seu desejo eu vou!" E a descrição diz
que ele
entrou na nave dele e veio. Simplesmente veio e cumpriu sua
missão aqui. E
isso é completamente comum para nós.
JOÃO OLIVEIRA - O que é a Garuda?
Maharaja Chandramukha Swami - A Garuda é o transportador de
Vishnu, que
tem a aparência de uma águia, rosto de águia e corpo aparente de
ser
humano, é um Deva também, um ser divino. Assim como Brahma é
transportado
por um cisne e Shiva por um touro. Todos os semi-deuses têm um
veículo.
Alguns dizem que é uma nave e a gente tem tendência de projetar a
nossa
experiência, um avião parece um pássaro e, a gente pensa, esse
pássaro
pode ser um avião, devido a nossa experiência, o nosso ponto de
vista
aqui. Mas não é isso, são seres que tem sua consciência pessoal,
porque
inclusive nas escrituras eles conversam, eles falam e dão até
instruções
espirituais.
JOÃO OLIVEIRA - Além de veículo eles são seres vivos com
consciência?
Maharaja Chandramukha Swami - Com consciência, completamente. São
seres
vivos, que transportam.
JOÃO OLIVEIRA - O Sr. diria que no decorrer da história, no
decorrer
destes cinco mil, anos ainda é possível a manifestação destes
objetos de
transporte no nosso planeta ?
Maharaja Chandramukha Swami - Completamente. O problema é que
hoje em dia
o mundo está muito conturbado e as pessoas são muito ignorantes
então se
eles aparecem tem que se camuflar porque pode acontecer de tudo.
E também
não é o momento tão importante para eles agora, é o começo deste
momento,
porque existe um subperíodo que começou há dez mil anos, muito
positivo, e
auspicioso, do ponto de vista espiritual, embora também seja o
final de
uma era muito complicada. Então é um momento em que o divino e o
demoníaco
estão muito presentes. Eles estão começando a aparecer, mas quem
sabe
daqui a algum tempo quando a natureza divina se manifestar,
predominar
mais, a presença deles vai ser mais vista. Até porque nós teremos
uma
compreensão melhor e saberemos lidar com isso. Por outro lado
também
acreditamos na presença de seres que vem de forma mal
intencionada. Nosso
Guru, Prabhupada, falou que muitos vêm de dentro da Terra e não
são
evoluídos, muito pelo contrário. E outros vêm de Planetas
superiores...
então, tem de tudo, os estudantes do assunto sabem disso...
JOÃO OLIVEIRA - E a questão do tempo, parece que o tempo para
eles não tem
muito sentido. Esses cinco mil anos podem parecer horas....
Maharaja Chandramukha Swami - Exatamente. Outro exemplo que é
dado para
isso é quando uma pessoa entra em coma, ela pode ficar em coma um
tempo
grande, mas o que acontece, é que quando isso ocorre, o karma
dela não
está definindo. Então os semi-deuses estão reunidos para decidir
algumas
coisas, algum detalhe ali, isso às vezes pode durar muito tempo
e, para os
semi-deuses pode ter sido apenas uma conversa. A dimensão é
outra. O tempo
nos Planetas celestiais é muito mais longo do que nos Planetas
intermediários como o nosso, assim como o tempo dos Planetas
infernais
também é diferente. Tem insetos que vivem horas e a sensação
deles é de
uma vida inteira.
Materializadas em bits toxinas neurais trazidas pelos ventos daquilo que simplesmente é. Isto é nada se não for para o Todo.
terça-feira, 13 de julho de 2004
segunda-feira, 12 de julho de 2004
TOM SOBRE TOM
Caderno CultuRal
TOM SOBRE TOM
PRÉ - ESTRÉIA DE CURTAS AGITA "CASA DE CULTURA DA ESTÁCIO" NA BARRA E CAUSA BASTANTE POLÊMICA.
Casa de Cultura Estácio de Sá
Aconteceu dia 29 de junho as 21:00 horas na "Casa de cultura da Estácio", talvez o evento mais controverso da história da Universidade Estácio de Sá, a pré - estréia dos curtas - metragens "Loucura Casual" e "E a vida Continua" de Marcelo Alves e Marcelo Muller; Os curtas faz diversas críticas sobre a sociedade moderna tratando de temas como religião, suicídio, amizade e diversas formas de preconceito; Os filmes causaram polêmica, deixando os presentes no evento surpresos, mesma surpresa que todos tiveram quando entraram no teatro da casa e deram de cara com uma suástica gigante que estava colocada na decoração; E no final do evento quando tudo parecia voltar ao normal, um integrante da Banda Sensorial Estéreo, indignado por ter seu som cortado antes mesmo que terminasse a música que encerraria o evento, mostra as nádegas para os poucos que ainda terminavam de assistir a apresentação; Para explicar melhor o evento e sua ideologia conversamos com um dos diretores dos filmes, Marcelo Alves que tem 20 anos e é formado em Cinema e Vídeo pela Universidade Estácio de Sá.
TOM SOBRE TOM - De onde surgiu a idéia de fazer um evento muito diferente, com uma temática pouco abordada?
Marcelo Alves - É interessante falar a respeito disso, eu pensei em uma pré - estréia punk, diferente, alternativa e o local?, não tinha idéia de onde poderia ser, pensei em lugares que adotem esse estilo como alguns bares e casas de espetáculos na Zona Sul. Porém pensei na Casa de Cultura por ser da Estácio e ser bem mais cômodo, só que a Casa de Cultura é um lugar muito bonitinho, ai pensei, "temos que quebrar a padronização de Casa de Cultura, mudar seu estilo"; Conseguimos, mudamos a decoração do teatro da Casa, demos um tom dark a casa; a produção do evento é de André Gonçalves e Danielle Tellez.
Conseguimos quebrar um padrão, até uma gigantesca suástica foi colocada na decoração, vale a pena dizer que a Suástica foi adotada por Hitler como símbolo nazista, mas para quem tem conhecimento da cultura oriental sabe que a suástica significa evolução, Hitler inverteu o símbolo dando o sentido da involução.
TOM SOBRE TOM - O evento se auto enriqueceu com o som da banda "Sensorial Estéreo" e um papo sobre "mensagem subliminar", de quem foi a idéia?
Marcelo Alves - É verdade, a idéia do bate papo sobre "mensagem subliminar" foi minha, algumas pessoas foram contra mas mantive minha idéia, convidamos um militante da Uff, estudante do 8o período de historia, membro da federação Anarquista do Rio de Janeiro "Rafael", um cara altamente preocupado com a questão social, começou fazendo Comunicação Social com vertente em publicidade na própria Uff, porém segundo ele, viu que a profissão não tem preocupação com o "social" que a publicidade é a profissão mais agressiva e capitalista; Rafael é um cara super inteligente e muito preocupado com questões sociais. Pretendo produzir um evento com foco no tema "subliminar", vale ressaltar que ninguém que participou e organizou o evento é radical com nenhum tema., não quero me esticar para dar a definição de Anarquista.
TOM SOBRE TOM - E o som de "Sensorial Estéreo"?
Marcelo Alves - Ter o "Sensorial Estéreo" foi de consenso geral, gosto muito dessa banda, eles fizeram a ótima trilha sonora do "Loucura Casual"; O som deles é algo sublime, bem diferente do convencional, dificilmente vemos uma banda com violinista e um baterista de pé. Se vocês puderem escutar essa banda, vale muito a pena. Eles não estão nem um pouco preocupado em ser pop Stars, sei que eles igual a todos nós correm atrás de grana e fazer arte sem grana é muito difícil.
TOM SOBRE TOM - Sobre os filmes, fale um pouco sobre a história e temática dos curtas?
Marcelo Alves - O "Loucura Casual" é proibido para menores de 21 anos.(to brincando);
O filme conta a história de dois jovens que se conhecem através do anúncio de um jornal, ambos se dizem almas gêmeas e intercalam suas frustrações com o mundo contemporâneo; O filme é uma metáfora de nós, do eu, da insatisfação particular e conjunta do ser.
No filme, fala - se muito, porém não disfarça a solidão presente nos seres, em todos nós.
TOM SOBRE TOM - E o "E a vida Continua" ?
Marcelo Alves - É um romance, entre um playboy loirinho com uma menina paraplégica e negra. O filme é uma visão ampla sobre o preconceito, é o nosso primeiro filme Pop. Um romance diferente.
TOM SOBRE TOM - Pop, porque pop?
Marcelo Alves - Tem músicas do Roxette, a sua própria linguagem é todo voltado para um romance, vale a pena conferir.
A trilha sonora dele é muito rica, tem até Miles Davis.
TOM SOBRE TOM - Fazer esse tipo de evento, não é querer ser Pop pelo caminho inverso?
Marcelo Alves - Pode ser, ser pop de uma maneira inteligente vale a pena, tipo Andy Wahol (criador da Pop art), Los Hermanos, Michael Moore. O negócio é não fazer estilo. Ser realmente o que você é, e não se vender por pouco, sempre manter suas origens.
TOM SOBRE TOM - Então vale a pena ser alternativo, diferente?
Marcelo Alves - Tem uma frase do Cazuza na música "O tempo não para" que diz muito sobre isso: "Cansado de correr na direção contrária, sem pódio de chegada nem beijo de namorada.", mas por enquanto não cansei de ir contra a essa Indústria Cultural, essa Indústria religiosa; Tento não assistir filmes americanos no Cinema para não alimentar o carrasco do nosso Cinema, até vejo mais algumas exceções, nada de superproduções idiotizadas.
Acredito que a diferença é a essência dos seres, no fundo somos muito diferentes, porém com a padronização da cultura, da arte, da vida, de estilo, fomos nos transformando em pessoas muito iguais, é triste saber que as pessoas não estão pensando por elas.
Elas vão assistir Homem Aranha, porque Homem Aranha todo mundo vai ver, porque a "Indústria Cultural" impõe que as coisas são boas, a verdadeira arte causa estranhamento, estão roubando nossas mentes.
Tente ir assistir a peça de "Ricardo Blat" no Centro Cultural Banco do Brasil, tenho certeza que as pessoas não vão gostar, tente ouvir uma música de 1920, ou uma ópera.
Tente comparar os filmes, as músicas, a arte virou consumo padronizado, tudo é muito igual, infelizmente não só a arte, é só olhar também ao seu redor e como todo mundo se veste muito igual, pensa muito igual, fala muito igual, repito mais uma vez, estamos perdendo nossa particularidade.
Vale muito a pena tentar e conseguir corroer o sistema.
TOM SOBRE TOM - Os filmes foram inspirados em algum fato?
Marcelo Alves - Sim, na minha própria vida, em nossas vidas, peguei um pouco de cada pessoa, uma partícula de alma existente em cada um de nós, pode ter certeza que tem um pouco de cada um que assiste o filme, é um maniqueísmo existente em cada ser.
TOM SOBRE TOM - E sobre as polêmicas? Um integrante do "Sensorial Estéreo" mostrou as nádegas para a platéia, o que acha disso?
Marcelo Alves - Eu não vi essa bunda, a casa já estava vazia, faltaram com respeito com o som deles, cortaram a banda antes de terminarem a última música alegando que o evento estourou o tempo, acho que foi um sinal de protesto, não acho legal as pessoas que ficaram para assistir a banda ver uma bunda do nada, ainda mais porque tinha um público um pouco mais velho. Acho que o protesto foi válido mas se eles pudessem protestar de outro jeito, seria melhor ainda.
TOM SOBRE TOM - O que você destaca como a coisa mais importante do evento?
Marcelo Alves - Duas coisas, uma o público reagiu muito bem com "E a vida continua" sei que é um filme muito interessante e outra a reação das pessoas para mim quando vêem no "Loucura Casual" a imagem de Jesus Cristo sendo queimada pela protagonista do filme, acho que deve ser uma das cenas mais contestadoras da história do curta metragem no Brasil.
Pauta - Charles Aston / Repórter - Fernando Freitas
PROJETO REVISTA 2o periodo
Caderno CultuRal
TOM SOBRE TOM
PRÉ - ESTRÉIA DE CURTAS AGITA "CASA DE CULTURA DA ESTÁCIO" NA BARRA E CAUSA BASTANTE POLÊMICA.
Casa de Cultura Estácio de Sá
Aconteceu dia 29 de junho as 21:00 horas na "Casa de cultura da Estácio", talvez o evento mais controverso da história da Universidade Estácio de Sá, a pré - estréia dos curtas - metragens "Loucura Casual" e "E a vida Continua" de Marcelo Alves e Marcelo Muller; Os curtas faz diversas críticas sobre a sociedade moderna tratando de temas como religião, suicídio, amizade e diversas formas de preconceito; Os filmes causaram polêmica, deixando os presentes no evento surpresos, mesma surpresa que todos tiveram quando entraram no teatro da casa e deram de cara com uma suástica gigante que estava colocada na decoração; E no final do evento quando tudo parecia voltar ao normal, um integrante da Banda Sensorial Estéreo, indignado por ter seu som cortado antes mesmo que terminasse a música que encerraria o evento, mostra as nádegas para os poucos que ainda terminavam de assistir a apresentação; Para explicar melhor o evento e sua ideologia conversamos com um dos diretores dos filmes, Marcelo Alves que tem 20 anos e é formado em Cinema e Vídeo pela Universidade Estácio de Sá.
TOM SOBRE TOM - De onde surgiu a idéia de fazer um evento muito diferente, com uma temática pouco abordada?
Marcelo Alves - É interessante falar a respeito disso, eu pensei em uma pré - estréia punk, diferente, alternativa e o local?, não tinha idéia de onde poderia ser, pensei em lugares que adotem esse estilo como alguns bares e casas de espetáculos na Zona Sul. Porém pensei na Casa de Cultura por ser da Estácio e ser bem mais cômodo, só que a Casa de Cultura é um lugar muito bonitinho, ai pensei, "temos que quebrar a padronização de Casa de Cultura, mudar seu estilo"; Conseguimos, mudamos a decoração do teatro da Casa, demos um tom dark a casa; a produção do evento é de André Gonçalves e Danielle Tellez.
Conseguimos quebrar um padrão, até uma gigantesca suástica foi colocada na decoração, vale a pena dizer que a Suástica foi adotada por Hitler como símbolo nazista, mas para quem tem conhecimento da cultura oriental sabe que a suástica significa evolução, Hitler inverteu o símbolo dando o sentido da involução.
TOM SOBRE TOM - O evento se auto enriqueceu com o som da banda "Sensorial Estéreo" e um papo sobre "mensagem subliminar", de quem foi a idéia?
Marcelo Alves - É verdade, a idéia do bate papo sobre "mensagem subliminar" foi minha, algumas pessoas foram contra mas mantive minha idéia, convidamos um militante da Uff, estudante do 8o período de historia, membro da federação Anarquista do Rio de Janeiro "Rafael", um cara altamente preocupado com a questão social, começou fazendo Comunicação Social com vertente em publicidade na própria Uff, porém segundo ele, viu que a profissão não tem preocupação com o "social" que a publicidade é a profissão mais agressiva e capitalista; Rafael é um cara super inteligente e muito preocupado com questões sociais. Pretendo produzir um evento com foco no tema "subliminar", vale ressaltar que ninguém que participou e organizou o evento é radical com nenhum tema., não quero me esticar para dar a definição de Anarquista.
TOM SOBRE TOM - E o som de "Sensorial Estéreo"?
Marcelo Alves - Ter o "Sensorial Estéreo" foi de consenso geral, gosto muito dessa banda, eles fizeram a ótima trilha sonora do "Loucura Casual"; O som deles é algo sublime, bem diferente do convencional, dificilmente vemos uma banda com violinista e um baterista de pé. Se vocês puderem escutar essa banda, vale muito a pena. Eles não estão nem um pouco preocupado em ser pop Stars, sei que eles igual a todos nós correm atrás de grana e fazer arte sem grana é muito difícil.
TOM SOBRE TOM - Sobre os filmes, fale um pouco sobre a história e temática dos curtas?
Marcelo Alves - O "Loucura Casual" é proibido para menores de 21 anos.(to brincando);
O filme conta a história de dois jovens que se conhecem através do anúncio de um jornal, ambos se dizem almas gêmeas e intercalam suas frustrações com o mundo contemporâneo; O filme é uma metáfora de nós, do eu, da insatisfação particular e conjunta do ser.
No filme, fala - se muito, porém não disfarça a solidão presente nos seres, em todos nós.
TOM SOBRE TOM - E o "E a vida Continua" ?
Marcelo Alves - É um romance, entre um playboy loirinho com uma menina paraplégica e negra. O filme é uma visão ampla sobre o preconceito, é o nosso primeiro filme Pop. Um romance diferente.
TOM SOBRE TOM - Pop, porque pop?
Marcelo Alves - Tem músicas do Roxette, a sua própria linguagem é todo voltado para um romance, vale a pena conferir.
A trilha sonora dele é muito rica, tem até Miles Davis.
TOM SOBRE TOM - Fazer esse tipo de evento, não é querer ser Pop pelo caminho inverso?
Marcelo Alves - Pode ser, ser pop de uma maneira inteligente vale a pena, tipo Andy Wahol (criador da Pop art), Los Hermanos, Michael Moore. O negócio é não fazer estilo. Ser realmente o que você é, e não se vender por pouco, sempre manter suas origens.
TOM SOBRE TOM - Então vale a pena ser alternativo, diferente?
Marcelo Alves - Tem uma frase do Cazuza na música "O tempo não para" que diz muito sobre isso: "Cansado de correr na direção contrária, sem pódio de chegada nem beijo de namorada.", mas por enquanto não cansei de ir contra a essa Indústria Cultural, essa Indústria religiosa; Tento não assistir filmes americanos no Cinema para não alimentar o carrasco do nosso Cinema, até vejo mais algumas exceções, nada de superproduções idiotizadas.
Acredito que a diferença é a essência dos seres, no fundo somos muito diferentes, porém com a padronização da cultura, da arte, da vida, de estilo, fomos nos transformando em pessoas muito iguais, é triste saber que as pessoas não estão pensando por elas.
Elas vão assistir Homem Aranha, porque Homem Aranha todo mundo vai ver, porque a "Indústria Cultural" impõe que as coisas são boas, a verdadeira arte causa estranhamento, estão roubando nossas mentes.
Tente ir assistir a peça de "Ricardo Blat" no Centro Cultural Banco do Brasil, tenho certeza que as pessoas não vão gostar, tente ouvir uma música de 1920, ou uma ópera.
Tente comparar os filmes, as músicas, a arte virou consumo padronizado, tudo é muito igual, infelizmente não só a arte, é só olhar também ao seu redor e como todo mundo se veste muito igual, pensa muito igual, fala muito igual, repito mais uma vez, estamos perdendo nossa particularidade.
Vale muito a pena tentar e conseguir corroer o sistema.
TOM SOBRE TOM - Os filmes foram inspirados em algum fato?
Marcelo Alves - Sim, na minha própria vida, em nossas vidas, peguei um pouco de cada pessoa, uma partícula de alma existente em cada um de nós, pode ter certeza que tem um pouco de cada um que assiste o filme, é um maniqueísmo existente em cada ser.
TOM SOBRE TOM - E sobre as polêmicas? Um integrante do "Sensorial Estéreo" mostrou as nádegas para a platéia, o que acha disso?
Marcelo Alves - Eu não vi essa bunda, a casa já estava vazia, faltaram com respeito com o som deles, cortaram a banda antes de terminarem a última música alegando que o evento estourou o tempo, acho que foi um sinal de protesto, não acho legal as pessoas que ficaram para assistir a banda ver uma bunda do nada, ainda mais porque tinha um público um pouco mais velho. Acho que o protesto foi válido mas se eles pudessem protestar de outro jeito, seria melhor ainda.
TOM SOBRE TOM - O que você destaca como a coisa mais importante do evento?
Marcelo Alves - Duas coisas, uma o público reagiu muito bem com "E a vida continua" sei que é um filme muito interessante e outra a reação das pessoas para mim quando vêem no "Loucura Casual" a imagem de Jesus Cristo sendo queimada pela protagonista do filme, acho que deve ser uma das cenas mais contestadoras da história do curta metragem no Brasil.
Pauta - Charles Aston / Repórter - Fernando Freitas
PROJETO REVISTA 2o periodo
ESTOU DEVENDO MINHA AGENDA PRAQUI DESDE O ULTIMO 29 DE JUNHO.
Dia 29 houve apresentação do Sensiroal Estereo na Casa de Cultura da Estácio de Sá na Barra da Tijuca.
Abrimos o evento com um improviso. Depois rolou um curta do Marcelo Alves, depois tocamos de novo, depois o Loucura Casual, depois o E a Vida Continua, depois tocamos de novo depois, o fim.
Estamos com um novo formato na banda. Estou tocando só surdo, caixa e condução. Isso me dá mais liberdade pra explorar percussão e deixo de ficar no esquema de set de bateria normal. Toco de pé.
O improviso foi bem jazistico. Com vassourinha, foi bem 'novo'.
Na segunda apresentação, tocamos algumas de nossas musicas, Tempo Escuro e Fortaleza da Solidão. Quanro íamos tocar a 'do Filme', desligaram nosso som.
O evento estava programado para de nove às onde da noite. Começou às nove e quinze e, três pras onze desligaram o audio. Por um momento ficamos nos olhando do palco e, num súbito, eu ataquei as baquetas na bateria, saí chutando o que via pela frente e saí do palco. Só ouvia o barulho das coisas sendo tiradas de seus lugares enquanto saía de costas para o palco (com o resto da abnda ainda nele).
Só posso dizer que rolou maior bafafá pois um dos músicos montrou a bunda. O resto é o resto.
xxxxxxxx
Nesse fim de semana, depois do trampo, fui à festa do Claudio, amigo lá da área. Rolou cerva e bjork, bob log, mc5, Dillinger Scape, Doors etc. Lá pela uma da manhã, fomos expulsos da casa dele pela esposa, que desligou o som. Com certa razão pois o cara tem uma filha de dois meses de nascida.
Fomos para a casa do Tiago, ao lado. Lá pelas duas, quando nosso anfitrião começou a perder a linha, fomos embora (eu, felix, frank e Sales).
Indo pra casa andando, tive que empunhar meu canivete, por precaução.
Já quase em casa, um incidente: um cara armado mandava um carro dar ré:
_ Ainda acha que está certo? Ele perguntava pro motorista.
(n. do a.: quem está certo é sempre o que está armado)
O carro deu ré mas, mesmo assim um tiro foi disparado.Resultado: tive que dar ré também. Me escondi num terreno baldio ao lado de uma casa de material de construção.
Sábado fiquei de me encontrar com o pessoal do CLAVE na Fabio Luz às dez mas não aguentei levantar tão cedo. Daqui à pouco ligo pro rafa pre ver o que rolou.
Tinha marcado com o Edu Mansur na quadra da Portela pra pegar o CD sobre o KURT _ A VIAGEM AO NIRVANA. Depois explico isso melhor.
Após ( e embaixo do maior toró), ensaio do Mother Joans no Kaoma.
O ensaio foi muito bom. O Dony (como o novo baixista - o paulista - prefere ser chamado) deu um gás novo à banda.
Daí eles me convenceram a ir no show do Mukeka de Rato. Zoei o bastante.
Domingo acordamos lá pela uma da tarde, assistimos um filme do Mazzaropi e, casa.
Copiei os discos do Thee Butchers Orquestra, que o Edio me emprestou, comecei a ler No Caminho de Swan, do Proust e adormeci... na real demorei bastante pra dormir pois coloquei um disco do Tom Waits, que me deixou um tanto quanto 'ligado' pra dormir. Tive de abaixar o volume e, aí sim.
Dia 29 houve apresentação do Sensiroal Estereo na Casa de Cultura da Estácio de Sá na Barra da Tijuca.
Abrimos o evento com um improviso. Depois rolou um curta do Marcelo Alves, depois tocamos de novo, depois o Loucura Casual, depois o E a Vida Continua, depois tocamos de novo depois, o fim.
Estamos com um novo formato na banda. Estou tocando só surdo, caixa e condução. Isso me dá mais liberdade pra explorar percussão e deixo de ficar no esquema de set de bateria normal. Toco de pé.
O improviso foi bem jazistico. Com vassourinha, foi bem 'novo'.
Na segunda apresentação, tocamos algumas de nossas musicas, Tempo Escuro e Fortaleza da Solidão. Quanro íamos tocar a 'do Filme', desligaram nosso som.
O evento estava programado para de nove às onde da noite. Começou às nove e quinze e, três pras onze desligaram o audio. Por um momento ficamos nos olhando do palco e, num súbito, eu ataquei as baquetas na bateria, saí chutando o que via pela frente e saí do palco. Só ouvia o barulho das coisas sendo tiradas de seus lugares enquanto saía de costas para o palco (com o resto da abnda ainda nele).
Só posso dizer que rolou maior bafafá pois um dos músicos montrou a bunda. O resto é o resto.
xxxxxxxx
Nesse fim de semana, depois do trampo, fui à festa do Claudio, amigo lá da área. Rolou cerva e bjork, bob log, mc5, Dillinger Scape, Doors etc. Lá pela uma da manhã, fomos expulsos da casa dele pela esposa, que desligou o som. Com certa razão pois o cara tem uma filha de dois meses de nascida.
Fomos para a casa do Tiago, ao lado. Lá pelas duas, quando nosso anfitrião começou a perder a linha, fomos embora (eu, felix, frank e Sales).
Indo pra casa andando, tive que empunhar meu canivete, por precaução.
Já quase em casa, um incidente: um cara armado mandava um carro dar ré:
_ Ainda acha que está certo? Ele perguntava pro motorista.
(n. do a.: quem está certo é sempre o que está armado)
O carro deu ré mas, mesmo assim um tiro foi disparado.Resultado: tive que dar ré também. Me escondi num terreno baldio ao lado de uma casa de material de construção.
Sábado fiquei de me encontrar com o pessoal do CLAVE na Fabio Luz às dez mas não aguentei levantar tão cedo. Daqui à pouco ligo pro rafa pre ver o que rolou.
Tinha marcado com o Edu Mansur na quadra da Portela pra pegar o CD sobre o KURT _ A VIAGEM AO NIRVANA. Depois explico isso melhor.
Após ( e embaixo do maior toró), ensaio do Mother Joans no Kaoma.
O ensaio foi muito bom. O Dony (como o novo baixista - o paulista - prefere ser chamado) deu um gás novo à banda.
Daí eles me convenceram a ir no show do Mukeka de Rato. Zoei o bastante.
Domingo acordamos lá pela uma da tarde, assistimos um filme do Mazzaropi e, casa.
Copiei os discos do Thee Butchers Orquestra, que o Edio me emprestou, comecei a ler No Caminho de Swan, do Proust e adormeci... na real demorei bastante pra dormir pois coloquei um disco do Tom Waits, que me deixou um tanto quanto 'ligado' pra dormir. Tive de abaixar o volume e, aí sim.
ESFORÇO EXIGIDO
ME TRATAM COMO SE INVADISSE SEU TERRITORIO
TENHO QUE PAGAR PARA OCUPAR UM LUGAR NO ESPAÇO
SE NÃO, SOU FORA DA LEI
TENHO QUE VIVER FUGINDO OU SENDO ESTORQUIDO
NÃO HÁ EMPREGO
TENDO QUE ME VIRAR
TENTO LEVAR UMA VIDA JUSTA
MAS ESTOU DENTRO DO TERRITÓRIO DO GOVERNO
NÃO HÁ LIBERDADE
E AINDA TENHO QUE SORRIR E VOTAR
ESSA É A CAUSA DA VIOLENCIA
O SER HUMANO É VIOLENTADO E
COMETE CRIMES CONTRA O SEMELHANTE
POR CULPA DO ESTADO SE SOFRE DIARIAMENTE
E EU, QUE PENSEI QUE IRIA MUDAR O MUNDO
ESTOU DENTRO DO FURACÃO
ME TRATAM COMO SE INVADISSE SEU TERRITORIO
TENHO QUE PAGAR PARA OCUPAR UM LUGAR NO ESPAÇO
SE NÃO, SOU FORA DA LEI
TENHO QUE VIVER FUGINDO OU SENDO ESTORQUIDO
NÃO HÁ EMPREGO
TENDO QUE ME VIRAR
TENTO LEVAR UMA VIDA JUSTA
MAS ESTOU DENTRO DO TERRITÓRIO DO GOVERNO
NÃO HÁ LIBERDADE
E AINDA TENHO QUE SORRIR E VOTAR
ESSA É A CAUSA DA VIOLENCIA
O SER HUMANO É VIOLENTADO E
COMETE CRIMES CONTRA O SEMELHANTE
POR CULPA DO ESTADO SE SOFRE DIARIAMENTE
E EU, QUE PENSEI QUE IRIA MUDAR O MUNDO
ESTOU DENTRO DO FURACÃO
MUITO IMPORTANTE FICA A SEGUNDO PLANO NAS ENTRELINHAS MAS É TANTO OU MAIS DO QUE ESTÁ ACIMA
VENTO DO LESTE - Godard - Glauber - Dziga Vertov
o mais bacana é a crítica do filme à própria crítica do filme (autocrítica
com sua crítica), criando uma militância artística no qual a militância e a
arte entra em um casamento de impasse, pois não se ignora de qual classe
social milita o artista. há uma ótima discordãncia entre a instância
narradora e o diretor (por meio de sua voz) logo no início do filme e esse
conflito é mantido ao longo do restante
há momentos impagáveis (uma cena na qual, para se decretar a morte da arte
burguesa, mostra-se uma leitora de Proust, livro na mão, sendo
simbólicamente morta)
mas há um vácuo sobre o que ainda pretendo escrever: o filme questiona a
representação burguesa, questiona seus próprios procedimentos, mas omite
dois aspectos que, a rigor, estão diretamente ligados ao sistema econômico:
para quem se faz o filme, para quem se exibe? Ou seja: quem financia, como
foi financiado, para quem exibirá e onde exibirá? deixou assim de se
enquadrar dentro do sistema burguês de produção e irradiação.
...........
Mulheres estão se vingando do homem branco, ficando com negros e com mulheres.
Mas não é só na vagina que tem cheiro de vagina. O meu suvaco, p.ex., o tem.
...........
Conversa com Lucas Jerzy na Infancinéfilos
o inconsciente soh existe a partir do recalque e seu
retorno, e enquanto estrutura de linguagem na relacao
com um objeto perdido. existe isso coletivamente?
edp: Cada um na sua, mas no fim das contas há um mesmo sentimento de perda do objeto
que todos têem.
claro que ha algo de recalcado e de perdido no
coletivo. eh a psicologia das massas. mas eh melhor
chamarmos precisamente de linguagem, cultura,
civilizacao, isso sim. e deixemos o inconsciente para
os neuroticos, individual e privativamente.
edp: o ser humano enquanto parte de uma coletividade é passível de perdas,
pois nem tudo que ele sinta e queira poderá ser suprido. Por isso é preciso,
de alguma outra maneira, realizar o que ficou impossibilitado. o ser chega
numa sociedade e tem que aprender seus códigos. Se não aprende de acordo com
a maioria ou como se deveria ...
Que sua recusa pode ser a
> recusa aos instintos inerentes ao humano;
o homem eh o unico animal em cujo os instintos sao
exiguos, inexistentes e em geral inoperante. tudo o
que o organismo dessa especie faz, ele tem de aprender
vicariamente.
edp: diferente dos animais, que são 'puro' instinto? o ser humano é 'só'
racional? não reage ao ambiente (também)organicamente???
instinto, darwinianamente definido o homem nao tem
nao. no lugar dele temos lobo frontal, polegar
oponente, postura ereta e membros livres, linguagem,
cultura, etc.
edp: realmente esse homem é novo pra mim. Parecido com qqr andróide dos
filmes de ficçao.
no lugar dele, em uma palavra, temos a pulsao. o
instinto eh a relacao inata dos membros da especie com
o seu meio. o homem nao tem meio especifico, nem
relacao com ele.
edp: o meio do homem é o planeta(por enquanto). Um animal pode ser deslocado
de ambiente e se adaptar. Um homem pode ser deslocado de 'seu local de
costume' e não se adaptar...
isso estrita, clara e darwinianamente
definido. e so far, darwin foi o unico que nos deu uma
definicao precisa e nao-mentalista de instinto.
edp: que instinto???? aquele dos animais?
pulsao eh a relacao do sujeito com seu outro enquanto
objeto, e do outro com o sujeito enquanto objeto. uma
relacao de dois, pela linguagem.
edp: porque o ser humano se sente dono de algo. Ele precisa disso. E os
animais (irracionais) também tem 'necessidade' de possuir algo.
freud estava certissimo. somos desamparados - nao
temos sequer o amparo automatamente garantido do
instinto.
> A humanidade deve (re)conhecer seus instintos, seus
> princípios amorais, para conhecer e entender um
> pouco mais do mundo e do ser ao seu lado. Ao
> contrário, recusamos a voz do instinto, pois esse
> Deus, essa voz interior é Imperfeita. Difere do que
> nos ensinaram no catecismo...
quer dizer que quem eh criado em familia ateia nao tem
recalque nao?
edp: Deus aqui foi só uma metáfora para o Deus que, nos ensinam na igreja, é
Supremo e está dentro de cada um. Quem é criado em familia atéia também tem
que obedecer o que os pais mandam e, portanto, são reprimidos.
> Só existe o aqui e o agora.
soh pq o aqui-agora eh antes voltando no depois.
retorninho do recalcadinho.
edp: sendo assim não existimos. Somos uma ilusão e alimentamos isso, mas não
existe.
mas eu nao sofro mais disso. eu agora sei. no
gaio-saber, que eh saber de nada, que nem bolinho de
chuva.
edp: é um bom começo.
Se não vasculharmos
> nosso interior, como se entenderá o Ser acima do céu
> azul?
interior? meu caro, isso nao existe.
edp: interior enquanto algo que se é desde que se está sendo gerado. O eu
individual, antes de me educarem e irem me moldando até eu poder fazer
minhas escolhas...
o inconsciente eh uma superficie. a libido eh o unico
orgao nao-fisiologico e que se extende para alem e
para fora do corpo, etc.
edp: isso é algo místico? o q vem de fora que passa por dentro e está dentro
e fora, ao mesmo tempo? a existencia em si? o que o nosso corpo é só um
momento de junção material e energia concentrada?
nao ha nada dentro da pele que nao esteja fora, salvo
as viceras.
edp: e onde fica o raciocínio nisso? à parte ou só uma consequencia disso?
quem vem antes?
eu nao pretendo fazer auto-necropsia, e nao recomendo.
basta ver como falo, e como o falo em mim, pra saber
um pouquinho do que se nao-eh.
ou, como disse Paul Valery: "O mais profundo eh a
pele..."
O> MITOS DE HOLLYWOOD
>
> Como a teoria do inconsciente coletivo de C. G. Jung
> aprimorou a psicologia hollywoodiana.
esse eh o erro, ser uma teoria. o o nazi ainda insiste
em que nao eh uma teoria, mas fatos.
fatos eh a psicanalise. nas palavras do proprio freud,
nunca uma teoria, senao uma teoria da clinica - como
nao existe teoria cirurgica, mas uma teoria de como se
maneja o bisturi AO MANEJA-LO!
tsc
tsc
tsc
jung nunca notou que o que eh sexual nao eh o corpo,
mas a linguagem que o estupra cotidianamente. eh a
lingua e a linguagem que sao sexo - a pica, o pau, o
caralho, a buceta, nunca o sao.
>
> O crítico de cinema da The New Yorker, Anthony Lane,
> cita coincidências impressionantes entre o filme
> Nova York Sitiada, dirigido por Edward Zwick, em
> 1998, com Bruce Willis e Denzel Washington, e a
> tragédia de 11 de setembro passado, em Nova York.
tb ha coincidencias entre o delirio de Schreber e a
ascencao nazi na alemanha.
freud nem a psicanalise nunca negaram que algo na
cultura se precipita como verdadeiros atos-falhos
coletivos - retorno do recalcado em massa
tanto que ele dedica um livro inteirinho a isso:
Psicologia das Massas e Analise do Eu
tanto que lacan dedica seu mais brilhante seminario a
isso: o 17, O Avesso Da Psicanalise.
dai a dizer que ha um inconsciente coletivo tah foda!
a rigor, soh existe inconsciente dentro do setting
analitico. eu nunca recebi uma populacao cultural
inteira no divan, nem conheco ninguem que o tenha
feito, e alias, nem jung. o inconsciente eh uma
CRIACAO do analista para permitir que a analise
aconteca: uma criacao a partir de onde emerge a
transferencia de um lado e a abstinencia de outro.
freud nunca descobriu o inconsciente - ele
declaradamente inventou: eh um CONCEITO! ninguem nunca
viu. e diz ele: que nem o conceito de energia em
eisenberg. vc jah viu energia, meu caro? nem eu. mas
se eu meter dedo na tomada da choque - logo, INVENTO
que tinha algo ali em potencia de fazer trabalho.
mas o nazi suico acha que descobriu alguma coisa -
quando a invencao dele eh inconsciente e inutil. e a
de freud eh consistente, necessaria, e pragmaticamente
fundamental para permitir tratar neuroticos e
psicoticos alike.
> Contemos a história do começo. Jung sustenta que,
> por baixo do inconsciente pessoal,
esse POR BAIXO eh que me mata.
logo o nazi suico que arroga conhecer mistica e
alquimia, esqueceu da maxima fundamental: o que estah
em cima eh como o que estah em baixo.
nao ha em baixo nem em cima. a rigor, nao ha
consciencia senao lixo psiquico do inconsciente -
resquicio do edipo que chamamos de supereu, e alias
apenas parte do supereu (jah que o supereu eh em maior
parte perverso e como tal tb recalcado).
na ha nada por baixo do inconsciente freudiano, como
nao ha nada por cima. soh ha ele, e uma coisa fora
dele: o Real, que o causa por ausencia.
> "monomito" - termo que ele declara ter tirado do
> Finnegans Wake, de James Joyce, sobre o qual
> publicara seu primeiro livro, A Skeleton Key to
> Finnegans Wake. Evidentemente, embora inspirada em
> Joyce, a idéia fundamental de O Herói de Mil Faces,
> o monomito, tem tudo a ver com o inconsciente
> coletivo de Jung.
>
outra barbarie, agora interna. Jung achava joyce um
lixo, e pior: doido de hospicio. nao conseguia
enxergar que joyce nao era doido justamente pq
escrevia suas maluquices.
duplamente preconceituoso: estetica e clinicamente.
mas campbell faz que nao sabe desse fato obvio...
por ora, eh soh,
contra a ignorancia, sempre,
insistindo no que existe (e incitando o que excita),
2
> edp: diferente dos animais, que são 'puro' instinto?
> o ser humano é 'só'
> racional? não reage ao ambiente
> (também)organicamente???
>
nao. entre o organico e o ambiente, no homem, tem
sempre a linguagem no meio. nao ha relacao do homem
com o meio: a linguagem fica entre ambos.
dai nao haver instinto, mas tb nao ha razao. ha um
fato de linguagem: a pulsao e o inconsciente.
> edp: o meio do homem é o planeta(por enquanto).
darwinianamente nao eh um meio. um meio eh
especie-especifico SEMPRE! ponha um urubu no alasca e
ele morrerah, ou um chimpanzeh no saara e ele
morrerah. o homem ocupa o planeta inteiro pq nao eh
especificamente adaptado a nenhum meio. sua adaptacao
nao eh genetica (instintinto) mas pelo fato de que
entre ele e o meio tem uma terceira coisa: a cultura,
a linguagem, etc.
isso eh um fato eVIDEnte. darwin jah suspteitava,
freud formulou, skinner assina em baixo, e qualquer
outro ser com o minimo de lucidez pode notar isso.
Um
> animal pode ser deslocado
> de ambiente e se adaptar.
atraves de selecao de sepas e mortandade populacional.
...
vah ler mais darwin, freud, skinner, vigotsky, os
gestaltistas classicos, piaget, wallon, etc. antes de
falar besteira.
se eu me mudar pro nepal nao terei de ter 3 geracoes
de filhos com metade deles morrendo ateh me adaptar.
basta comprar roupas de frio, nao eh mesmo? nao existe
instinto de fazer roupa de frio, nem de compra-las,
baby. eh a cultura mediando o homem e a natureza. a
unica especie que tem isso ateh agora. duvido que
surja outra.
Um homem pode ser
> deslocado de 'seu local de
> costume' e não se adaptar...
>
claro: se ele for oligofrenico, autista ou
simplesmente, no caso acima, nao tiver dinheiro para
comprar um casaco. em todas as opcoes, a cultura estah
no cerne.
> isso estrita, clara e darwinianamente
> definido. e so far, darwin foi o unico que nos deu
> uma
> definicao precisa e nao-mentalista de instinto.
>
> edp: que instinto???? aquele dos animais?
o unico que foi definido cientificamente. instinto eh
SOH dos animais que nao sao de linguagem. quando ha
linguagem, nao ha instinto por uma questao adaptativa:
ele nao eh necessario, ou eh ausente e por isso surge
algo que o substitui, a linguagem.
> edp: sendo assim não existimos. Somos uma ilusão e
> alimentamos isso, mas não
> existe.
exatamente! e a funcao da analise eh fazer essa ilusao
cair: fazer o sujeito saber que ele nao eh nada, a
parte de ter em si todos os sonhos do mundo. chama-se
destituicao subjetiva.
> edp: e onde fica o raciocínio nisso?
na linguagem. a consciencia soh existe enquanto fato
social.
pra raciocinar matetmaticamente em ponho num papel,
uso calculadora, etc. tudo isso eh externo. se faco
conta "de cabeca" eh apenas uma aparencia de
internalidade. na minha "cabeca" continua a haver
linguagem, que eh fora de mim e antes de mim...
Lucas "Handel" Jerzy
Biossegurança e Precaução
por Ventura Barbeiro
O prefácio do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança(1) afirma que a falta de conhecimento científico não deve ser usado com a finalidade postergar medidas que visem a impedir a perda de biodiversidade.
Em toda situação em que exista um possível risco para o meio ambiente ou para a saúde humana e animal, deve haver uma abrangente avaliação dos impactos da tecnologia baseada no “Princípio de Precaução” (2).
A adoção desse princípio é essencial para se evitar surpresas desagradáveis, como vem acontecendo no caso da soja transgênica “Roundup Ready”. Genes desconhecidos e alterações inesperadas no metabolismo da planta estão entre as descobertas preocupantes que surgem a cada dia, enquanto poderiam ter sido evitadas com uma detalhada avaliação de risco. Essa é a importância de uma Lei de Biossegurança que proteja a saúde do consumidor e o equilíbrio do meio ambiente.
VEJA QUANTA COISA JÁ SAIU ERRADO, COM OS "TRANSGÊNICOS SEGUROS"
Aprovada para plantio comercial nos EUA em 1994, empregando o princípio da “equivalência substancial”(3) , a primeira colheita da soja transgênica foi em 1996. Em 1998, pesquisadores encontraram(4) níveis inferiores de fitoestrogênios ou isoflavóides (compostos químicos com estrutura similar ao hormônio humano estrogênio) na soja transgênica. Acredita-se que esses fitoestrogênios sejam importantes do ponto de vista clínico(5) . Em 1999, foi encontrada uma importante alteração no metabolismo dessa soja transgênica(6) , a qual pode ser a causa do rachamento do caule da planta em situação de calor excessivo.
Em 2000, foi descoberto(7,8) que fragmentos desconhecidos de DNA foram adicionados acidentalmente a essa soja. Em 2002, explicações adicionais(9) demonstraram que parte desse fragmento é DNA de soja mesmo, porém rearranjado. A empresa Monsanto afirmou(10) que esses fragmentos não estavam ativos, só que mais tarde foi descoberto exatamente o contrário(11,12).
O atual estágio das tecnologias utilizadas na obtenção de transgênicos podem ser caracterizadas como sem previsibilidade; sem controle dos sítios alvos; sem controle do destino do transgene ou partes dele; sem controle nas mudanças de expressão gênica; sem controle dos transgenes no ecossistema e de difícil reproducibilidade(13). Não apenas a soja transgênica causou espanto com os seus genes desconhecidos inseridos acidentalmente, mas também as tecnologias Syngenta Bt11(14) , Syngenta Bt106(15) e o Monsanto Mon810(16) contêm essas surpresas desagradáveis.
A DESCOBERTA DOS MÉDICOS ITALIANOS
Uma equipe de médicos italianos descobriu, em 2002, que ratos alimentados com soja transgênica RR apresentaram alterações nas estruturas internas das células do figado(17) e alterações quantitativas em alguns componentes do pâncreas(18) . Esses estudos são preliminares, porém indicam uma hiperatividade hepática, exigindo mais pesquisas para se compreender melhor o que causa essas modificações. Não houve alteração de peso ou desenvolvimento das cobaias ao longo dos oito meses do experimento, mas essas alterações no figado e pâncreas são preocupantes, pois seus efeitos a longo prazo são desconhecidos.
O QUE MAIS PODE DAR ERRADO?
Uma avaliação(19) dos primeiros oito anos das culturas transgênicas nos EUA demonstrou um aumento expressivo no consumo de agrotóxicos, devido à combinação da redução do preço dos produtos químicos com o surgimento das superervas daninhas(20) , que exigem mais agrotóxicos. O que mais pode dar de errado com a soja transgênica Roundup Ready?
O Senado brasileiro discute a Lei Nacional de Biossegurança, com uma grande pressão para a liberação dos transgênicos sem a avaliação feita pelos orgãos competentes dos Ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Agricultura. O Senado Federal está prestes a votar a matéria(21) . Um forte embate está sendo travado entre senadores que defendem a liberação dos transgênicos sem nenhuma avaliação detalhada de impacto ambiental e de saúde humana e animal, enquanto outros, muito preocupados com os consumidores e com o meio ambiente, defendem regras que permitem uma avaliação mais abrangente e multidiciplinar para a liberação desses organismos na natureza.
Participe desse debate, dê sua opinião. O Senado dispõe do telefone gratuito 0800-612211 e da página http://www1.senado.gov.br/SPO/ para receber opiniões e sugestões dos cidadãos.
Se liberados, esses organismos transgênicos irão para o seu prato. Não aceite ser a cobaia desse grande experimento genético e faça a sua parte. Exija uma avaliação que afaste riscos para o meio ambiente e para a sua saúde, baseada no “Principio de Precaução”.
O autor, Ventura Barbeiro, é engenheiro agrônomo pela ESALQ-USP, conheceu a soja transgênica em 1990 ainda nos laboratórios do Life Science Research Center da Monsanto em St. Louis, EUA. Desde janeiro desse ano atua no Greenpeace.
email: ventura.barbeiro@terra.com.br
Copyleft Relatório Alfa (www.relatorioalfa.com.br) .
É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída, com um link ativo para o site Relatório Alfa.
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http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/pdf/principio_precaucao.pdf
see Application to the UK Advisory Committee on Novel Foods and Processes for Review of the Safety of Glyphosate Tolerant Soybeans by the Agricultural Group of Monsanto Company, July 27 1994.
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http://www.inca.gov.br/atualidades/ano10_1/soja.html
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http://www.foodstandards.gov.uk/pdf_files/acnfp/dossier.pdf, available at
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http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/pdf/super_ervas.pdf
Jornal do Senado, 06 de julho de 2004.
VENTO DO LESTE - Godard - Glauber - Dziga Vertov
o mais bacana é a crítica do filme à própria crítica do filme (autocrítica
com sua crítica), criando uma militância artística no qual a militância e a
arte entra em um casamento de impasse, pois não se ignora de qual classe
social milita o artista. há uma ótima discordãncia entre a instância
narradora e o diretor (por meio de sua voz) logo no início do filme e esse
conflito é mantido ao longo do restante
há momentos impagáveis (uma cena na qual, para se decretar a morte da arte
burguesa, mostra-se uma leitora de Proust, livro na mão, sendo
simbólicamente morta)
mas há um vácuo sobre o que ainda pretendo escrever: o filme questiona a
representação burguesa, questiona seus próprios procedimentos, mas omite
dois aspectos que, a rigor, estão diretamente ligados ao sistema econômico:
para quem se faz o filme, para quem se exibe? Ou seja: quem financia, como
foi financiado, para quem exibirá e onde exibirá? deixou assim de se
enquadrar dentro do sistema burguês de produção e irradiação.
...........
Mulheres estão se vingando do homem branco, ficando com negros e com mulheres.
Mas não é só na vagina que tem cheiro de vagina. O meu suvaco, p.ex., o tem.
...........
Conversa com Lucas Jerzy na Infancinéfilos
o inconsciente soh existe a partir do recalque e seu
retorno, e enquanto estrutura de linguagem na relacao
com um objeto perdido. existe isso coletivamente?
edp: Cada um na sua, mas no fim das contas há um mesmo sentimento de perda do objeto
que todos têem.
claro que ha algo de recalcado e de perdido no
coletivo. eh a psicologia das massas. mas eh melhor
chamarmos precisamente de linguagem, cultura,
civilizacao, isso sim. e deixemos o inconsciente para
os neuroticos, individual e privativamente.
edp: o ser humano enquanto parte de uma coletividade é passível de perdas,
pois nem tudo que ele sinta e queira poderá ser suprido. Por isso é preciso,
de alguma outra maneira, realizar o que ficou impossibilitado. o ser chega
numa sociedade e tem que aprender seus códigos. Se não aprende de acordo com
a maioria ou como se deveria ...
Que sua recusa pode ser a
> recusa aos instintos inerentes ao humano;
o homem eh o unico animal em cujo os instintos sao
exiguos, inexistentes e em geral inoperante. tudo o
que o organismo dessa especie faz, ele tem de aprender
vicariamente.
edp: diferente dos animais, que são 'puro' instinto? o ser humano é 'só'
racional? não reage ao ambiente (também)organicamente???
instinto, darwinianamente definido o homem nao tem
nao. no lugar dele temos lobo frontal, polegar
oponente, postura ereta e membros livres, linguagem,
cultura, etc.
edp: realmente esse homem é novo pra mim. Parecido com qqr andróide dos
filmes de ficçao.
no lugar dele, em uma palavra, temos a pulsao. o
instinto eh a relacao inata dos membros da especie com
o seu meio. o homem nao tem meio especifico, nem
relacao com ele.
edp: o meio do homem é o planeta(por enquanto). Um animal pode ser deslocado
de ambiente e se adaptar. Um homem pode ser deslocado de 'seu local de
costume' e não se adaptar...
isso estrita, clara e darwinianamente
definido. e so far, darwin foi o unico que nos deu uma
definicao precisa e nao-mentalista de instinto.
edp: que instinto???? aquele dos animais?
pulsao eh a relacao do sujeito com seu outro enquanto
objeto, e do outro com o sujeito enquanto objeto. uma
relacao de dois, pela linguagem.
edp: porque o ser humano se sente dono de algo. Ele precisa disso. E os
animais (irracionais) também tem 'necessidade' de possuir algo.
freud estava certissimo. somos desamparados - nao
temos sequer o amparo automatamente garantido do
instinto.
> A humanidade deve (re)conhecer seus instintos, seus
> princípios amorais, para conhecer e entender um
> pouco mais do mundo e do ser ao seu lado. Ao
> contrário, recusamos a voz do instinto, pois esse
> Deus, essa voz interior é Imperfeita. Difere do que
> nos ensinaram no catecismo...
quer dizer que quem eh criado em familia ateia nao tem
recalque nao?
edp: Deus aqui foi só uma metáfora para o Deus que, nos ensinam na igreja, é
Supremo e está dentro de cada um. Quem é criado em familia atéia também tem
que obedecer o que os pais mandam e, portanto, são reprimidos.
> Só existe o aqui e o agora.
soh pq o aqui-agora eh antes voltando no depois.
retorninho do recalcadinho.
edp: sendo assim não existimos. Somos uma ilusão e alimentamos isso, mas não
existe.
mas eu nao sofro mais disso. eu agora sei. no
gaio-saber, que eh saber de nada, que nem bolinho de
chuva.
edp: é um bom começo.
Se não vasculharmos
> nosso interior, como se entenderá o Ser acima do céu
> azul?
interior? meu caro, isso nao existe.
edp: interior enquanto algo que se é desde que se está sendo gerado. O eu
individual, antes de me educarem e irem me moldando até eu poder fazer
minhas escolhas...
o inconsciente eh uma superficie. a libido eh o unico
orgao nao-fisiologico e que se extende para alem e
para fora do corpo, etc.
edp: isso é algo místico? o q vem de fora que passa por dentro e está dentro
e fora, ao mesmo tempo? a existencia em si? o que o nosso corpo é só um
momento de junção material e energia concentrada?
nao ha nada dentro da pele que nao esteja fora, salvo
as viceras.
edp: e onde fica o raciocínio nisso? à parte ou só uma consequencia disso?
quem vem antes?
eu nao pretendo fazer auto-necropsia, e nao recomendo.
basta ver como falo, e como o falo em mim, pra saber
um pouquinho do que se nao-eh.
ou, como disse Paul Valery: "O mais profundo eh a
pele..."
O> MITOS DE HOLLYWOOD
>
> Como a teoria do inconsciente coletivo de C. G. Jung
> aprimorou a psicologia hollywoodiana.
esse eh o erro, ser uma teoria. o o nazi ainda insiste
em que nao eh uma teoria, mas fatos.
fatos eh a psicanalise. nas palavras do proprio freud,
nunca uma teoria, senao uma teoria da clinica - como
nao existe teoria cirurgica, mas uma teoria de como se
maneja o bisturi AO MANEJA-LO!
tsc
tsc
tsc
jung nunca notou que o que eh sexual nao eh o corpo,
mas a linguagem que o estupra cotidianamente. eh a
lingua e a linguagem que sao sexo - a pica, o pau, o
caralho, a buceta, nunca o sao.
>
> O crítico de cinema da The New Yorker, Anthony Lane,
> cita coincidências impressionantes entre o filme
> Nova York Sitiada, dirigido por Edward Zwick, em
> 1998, com Bruce Willis e Denzel Washington, e a
> tragédia de 11 de setembro passado, em Nova York.
tb ha coincidencias entre o delirio de Schreber e a
ascencao nazi na alemanha.
freud nem a psicanalise nunca negaram que algo na
cultura se precipita como verdadeiros atos-falhos
coletivos - retorno do recalcado em massa
tanto que ele dedica um livro inteirinho a isso:
Psicologia das Massas e Analise do Eu
tanto que lacan dedica seu mais brilhante seminario a
isso: o 17, O Avesso Da Psicanalise.
dai a dizer que ha um inconsciente coletivo tah foda!
a rigor, soh existe inconsciente dentro do setting
analitico. eu nunca recebi uma populacao cultural
inteira no divan, nem conheco ninguem que o tenha
feito, e alias, nem jung. o inconsciente eh uma
CRIACAO do analista para permitir que a analise
aconteca: uma criacao a partir de onde emerge a
transferencia de um lado e a abstinencia de outro.
freud nunca descobriu o inconsciente - ele
declaradamente inventou: eh um CONCEITO! ninguem nunca
viu. e diz ele: que nem o conceito de energia em
eisenberg. vc jah viu energia, meu caro? nem eu. mas
se eu meter dedo na tomada da choque - logo, INVENTO
que tinha algo ali em potencia de fazer trabalho.
mas o nazi suico acha que descobriu alguma coisa -
quando a invencao dele eh inconsciente e inutil. e a
de freud eh consistente, necessaria, e pragmaticamente
fundamental para permitir tratar neuroticos e
psicoticos alike.
> Contemos a história do começo. Jung sustenta que,
> por baixo do inconsciente pessoal,
esse POR BAIXO eh que me mata.
logo o nazi suico que arroga conhecer mistica e
alquimia, esqueceu da maxima fundamental: o que estah
em cima eh como o que estah em baixo.
nao ha em baixo nem em cima. a rigor, nao ha
consciencia senao lixo psiquico do inconsciente -
resquicio do edipo que chamamos de supereu, e alias
apenas parte do supereu (jah que o supereu eh em maior
parte perverso e como tal tb recalcado).
na ha nada por baixo do inconsciente freudiano, como
nao ha nada por cima. soh ha ele, e uma coisa fora
dele: o Real, que o causa por ausencia.
> "monomito" - termo que ele declara ter tirado do
> Finnegans Wake, de James Joyce, sobre o qual
> publicara seu primeiro livro, A Skeleton Key to
> Finnegans Wake. Evidentemente, embora inspirada em
> Joyce, a idéia fundamental de O Herói de Mil Faces,
> o monomito, tem tudo a ver com o inconsciente
> coletivo de Jung.
>
outra barbarie, agora interna. Jung achava joyce um
lixo, e pior: doido de hospicio. nao conseguia
enxergar que joyce nao era doido justamente pq
escrevia suas maluquices.
duplamente preconceituoso: estetica e clinicamente.
mas campbell faz que nao sabe desse fato obvio...
por ora, eh soh,
contra a ignorancia, sempre,
insistindo no que existe (e incitando o que excita),
2
> edp: diferente dos animais, que são 'puro' instinto?
> o ser humano é 'só'
> racional? não reage ao ambiente
> (também)organicamente???
>
nao. entre o organico e o ambiente, no homem, tem
sempre a linguagem no meio. nao ha relacao do homem
com o meio: a linguagem fica entre ambos.
dai nao haver instinto, mas tb nao ha razao. ha um
fato de linguagem: a pulsao e o inconsciente.
> edp: o meio do homem é o planeta(por enquanto).
darwinianamente nao eh um meio. um meio eh
especie-especifico SEMPRE! ponha um urubu no alasca e
ele morrerah, ou um chimpanzeh no saara e ele
morrerah. o homem ocupa o planeta inteiro pq nao eh
especificamente adaptado a nenhum meio. sua adaptacao
nao eh genetica (instintinto) mas pelo fato de que
entre ele e o meio tem uma terceira coisa: a cultura,
a linguagem, etc.
isso eh um fato eVIDEnte. darwin jah suspteitava,
freud formulou, skinner assina em baixo, e qualquer
outro ser com o minimo de lucidez pode notar isso.
Um
> animal pode ser deslocado
> de ambiente e se adaptar.
atraves de selecao de sepas e mortandade populacional.
...
vah ler mais darwin, freud, skinner, vigotsky, os
gestaltistas classicos, piaget, wallon, etc. antes de
falar besteira.
se eu me mudar pro nepal nao terei de ter 3 geracoes
de filhos com metade deles morrendo ateh me adaptar.
basta comprar roupas de frio, nao eh mesmo? nao existe
instinto de fazer roupa de frio, nem de compra-las,
baby. eh a cultura mediando o homem e a natureza. a
unica especie que tem isso ateh agora. duvido que
surja outra.
Um homem pode ser
> deslocado de 'seu local de
> costume' e não se adaptar...
>
claro: se ele for oligofrenico, autista ou
simplesmente, no caso acima, nao tiver dinheiro para
comprar um casaco. em todas as opcoes, a cultura estah
no cerne.
> isso estrita, clara e darwinianamente
> definido. e so far, darwin foi o unico que nos deu
> uma
> definicao precisa e nao-mentalista de instinto.
>
> edp: que instinto???? aquele dos animais?
o unico que foi definido cientificamente. instinto eh
SOH dos animais que nao sao de linguagem. quando ha
linguagem, nao ha instinto por uma questao adaptativa:
ele nao eh necessario, ou eh ausente e por isso surge
algo que o substitui, a linguagem.
> edp: sendo assim não existimos. Somos uma ilusão e
> alimentamos isso, mas não
> existe.
exatamente! e a funcao da analise eh fazer essa ilusao
cair: fazer o sujeito saber que ele nao eh nada, a
parte de ter em si todos os sonhos do mundo. chama-se
destituicao subjetiva.
> edp: e onde fica o raciocínio nisso?
na linguagem. a consciencia soh existe enquanto fato
social.
pra raciocinar matetmaticamente em ponho num papel,
uso calculadora, etc. tudo isso eh externo. se faco
conta "de cabeca" eh apenas uma aparencia de
internalidade. na minha "cabeca" continua a haver
linguagem, que eh fora de mim e antes de mim...
Lucas "Handel" Jerzy
Biossegurança e Precaução
por Ventura Barbeiro
O prefácio do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança(1) afirma que a falta de conhecimento científico não deve ser usado com a finalidade postergar medidas que visem a impedir a perda de biodiversidade.
Em toda situação em que exista um possível risco para o meio ambiente ou para a saúde humana e animal, deve haver uma abrangente avaliação dos impactos da tecnologia baseada no “Princípio de Precaução” (2).
A adoção desse princípio é essencial para se evitar surpresas desagradáveis, como vem acontecendo no caso da soja transgênica “Roundup Ready”. Genes desconhecidos e alterações inesperadas no metabolismo da planta estão entre as descobertas preocupantes que surgem a cada dia, enquanto poderiam ter sido evitadas com uma detalhada avaliação de risco. Essa é a importância de uma Lei de Biossegurança que proteja a saúde do consumidor e o equilíbrio do meio ambiente.
VEJA QUANTA COISA JÁ SAIU ERRADO, COM OS "TRANSGÊNICOS SEGUROS"
Aprovada para plantio comercial nos EUA em 1994, empregando o princípio da “equivalência substancial”(3) , a primeira colheita da soja transgênica foi em 1996. Em 1998, pesquisadores encontraram(4) níveis inferiores de fitoestrogênios ou isoflavóides (compostos químicos com estrutura similar ao hormônio humano estrogênio) na soja transgênica. Acredita-se que esses fitoestrogênios sejam importantes do ponto de vista clínico(5) . Em 1999, foi encontrada uma importante alteração no metabolismo dessa soja transgênica(6) , a qual pode ser a causa do rachamento do caule da planta em situação de calor excessivo.
Em 2000, foi descoberto(7,8) que fragmentos desconhecidos de DNA foram adicionados acidentalmente a essa soja. Em 2002, explicações adicionais(9) demonstraram que parte desse fragmento é DNA de soja mesmo, porém rearranjado. A empresa Monsanto afirmou(10) que esses fragmentos não estavam ativos, só que mais tarde foi descoberto exatamente o contrário(11,12).
O atual estágio das tecnologias utilizadas na obtenção de transgênicos podem ser caracterizadas como sem previsibilidade; sem controle dos sítios alvos; sem controle do destino do transgene ou partes dele; sem controle nas mudanças de expressão gênica; sem controle dos transgenes no ecossistema e de difícil reproducibilidade(13). Não apenas a soja transgênica causou espanto com os seus genes desconhecidos inseridos acidentalmente, mas também as tecnologias Syngenta Bt11(14) , Syngenta Bt106(15) e o Monsanto Mon810(16) contêm essas surpresas desagradáveis.
A DESCOBERTA DOS MÉDICOS ITALIANOS
Uma equipe de médicos italianos descobriu, em 2002, que ratos alimentados com soja transgênica RR apresentaram alterações nas estruturas internas das células do figado(17) e alterações quantitativas em alguns componentes do pâncreas(18) . Esses estudos são preliminares, porém indicam uma hiperatividade hepática, exigindo mais pesquisas para se compreender melhor o que causa essas modificações. Não houve alteração de peso ou desenvolvimento das cobaias ao longo dos oito meses do experimento, mas essas alterações no figado e pâncreas são preocupantes, pois seus efeitos a longo prazo são desconhecidos.
O QUE MAIS PODE DAR ERRADO?
Uma avaliação(19) dos primeiros oito anos das culturas transgênicas nos EUA demonstrou um aumento expressivo no consumo de agrotóxicos, devido à combinação da redução do preço dos produtos químicos com o surgimento das superervas daninhas(20) , que exigem mais agrotóxicos. O que mais pode dar de errado com a soja transgênica Roundup Ready?
O Senado brasileiro discute a Lei Nacional de Biossegurança, com uma grande pressão para a liberação dos transgênicos sem a avaliação feita pelos orgãos competentes dos Ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Agricultura. O Senado Federal está prestes a votar a matéria(21) . Um forte embate está sendo travado entre senadores que defendem a liberação dos transgênicos sem nenhuma avaliação detalhada de impacto ambiental e de saúde humana e animal, enquanto outros, muito preocupados com os consumidores e com o meio ambiente, defendem regras que permitem uma avaliação mais abrangente e multidiciplinar para a liberação desses organismos na natureza.
Participe desse debate, dê sua opinião. O Senado dispõe do telefone gratuito 0800-612211 e da página http://www1.senado.gov.br/SPO/ para receber opiniões e sugestões dos cidadãos.
Se liberados, esses organismos transgênicos irão para o seu prato. Não aceite ser a cobaia desse grande experimento genético e faça a sua parte. Exija uma avaliação que afaste riscos para o meio ambiente e para a sua saúde, baseada no “Principio de Precaução”.
O autor, Ventura Barbeiro, é engenheiro agrônomo pela ESALQ-USP, conheceu a soja transgênica em 1990 ainda nos laboratórios do Life Science Research Center da Monsanto em St. Louis, EUA. Desde janeiro desse ano atua no Greenpeace.
email: ventura.barbeiro@terra.com.br
Copyleft Relatório Alfa (www.relatorioalfa.com.br) .
É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída, com um link ativo para o site Relatório Alfa.
http://www.biodiv.org/convention/articles.asp
http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/pdf/principio_precaucao.pdf
see Application to the UK Advisory Committee on Novel Foods and Processes for Review of the Safety of Glyphosate Tolerant Soybeans by the Agricultural Group of Monsanto Company, July 27 1994.
Lappé, M.A., Bailey, E.B., Childress, C.C. & Setchell, K.D.R. (1998/1999), Alterations in Clinically Important Phytoestrogens in Genetically Modified, Herbicide-Tolerant Soybeans, Journal of Medicinal Food, 1:241-245.
http://www.inca.gov.br/atualidades/ano10_1/soja.html
Coghlan, A. (1999) Splitting headache. Monsanto’s modified soya beans are cracking up in the heat. New Scientist, 20 Nov. 1999, p. 25.
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Windels, P., Taverniers, I. Depicker, A. Van Bockstaele, E. & De Loose, M. (2001) Characterisation of the Roundup Ready soybean insert. European Food Research Technology, 213, 107-112.
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Dossier from Monsanto containing molecular analysis of RR soya: http://archive.food.gov.uk/pdf_files/acnfp/summary.pdf http://archive.food.gov.uk/pdf_files/acnfp/dossier.pdf. Available at: http://www.foodstandards.gov.uk/science/ouradvisors/novelfood/assess/assess-uk/60500/
Monsanto (2002b) Transcript Analysis of the Sequence Flanking the 3' End of the Functional Insert in Roundup Ready Soybean Event 40-3-2. Available at:
http://www.food.gov.uk/multimedia/webpage/72699.
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Benbrook, C. M. Impacts of Genetically Engineered Crops on Pesticide Use in the United States: The first eight years. AgBioTech InfoNet Technical Paper Number 6 http://www.biotech-info.net/technicalpaper6.html
http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/pdf/super_ervas.pdf
Jornal do Senado, 06 de julho de 2004.
axiomas estéticos = abstração expressiva
O expressionismo alemão é uma cultura de crise, reflexo do profundo desalento espiritual gestado nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial. A face da morte, estampada nos rostos de milhões de jovens precocemente ceifados, despertou os sentimentos de terror, misticismo e magia; o renascimento do horror , fim de todas as ilusões de poder; apoteose do indistinto e do vago.
Expressões vagas, forjam-se cadeias de palavras combinadas ao acaso, procura-se o significado "metafísico" das palavras, inventam-se alegorias místicas, desprovidas de lógica.
Luta, ao mesmo tempo, contra o naturalismo e seu objetivo mesquinho: fotografar a natureza ou a vida cotidiana.
O expressionista já não vê, mas tem "visões". Ou seja, a realidade não é mais contemplada segundo os dados dos sentidos, mas o homem consegue tão somente projetar "visões" subjetivas e interiorizantes do Real.
O artista expressionista procurar, em lugar de um efeito passageiro, o significado eterno dos fatos e objetos. Devemos - dizem os expressionistas - nos desligar da natureza e tentar resgatar a "expressão mais expressiva de um objeto".
Na dinâmica do expressionismo, o homem deixa de ser um elemento ligado a uma moral, a uma obrigação social, a uma família, a uma moral religiosa, a uma sociedade. A imagem do mundo se reflete no expressionista em sua pureza primitiva, a realidade é subjetiva e existe apenas em nós.
É fundamental ressaltar a "atitude da vontade construtiva", do eu que molda o real.
A energia vital presente no inorgânico, o estado de animação suspensa em que se encontram os objetos, são o caminho para atingir a essência de seu "absoluto", que independe do estabelecimento de quaisquer relações transitórias.
::::::::::::::::::::::
Escritório do Dr. Caligari, de Wiene: O pendor para contrastes violentos, bem como a nostalgia do claro-escuro e das sombras, da noite indistinta, da névoa sinistra; abstração radical da realidade "sensível"; evocações fúnebres, de horrores, de uma atmosfera de pesadelo.
As perturbadoras experiências do roteirista Carl Mayer com psiquiatras durante a Guerra, e o testemunho real de Hans Janowitz, o outro roteirista, a respeito de um assassinato não resolvido de uma moça numa Feira de Variedades.
Crítica mais ou menos realista do absurdo de qualquer autoridade social.
Elucubrações obscuras de uma mente doente
Fantasmagoria: expressionista
O que interessa ao expressionista não é a manifestação "realista" particular de um evento, mas o caráter eterno deste evento, que somente a abstração do sensível pode descobrir.
Caligari estava obcecado com o trabalho de um místico italiano do século XVIII com o mesmo nome, com o objetivo de provar que a mente de um sonâmbulo poderia ser controlada por outros. A tirania de Caligari se reafirma através das visões subjetivas de Francis, que, rejeitando o discurso da normalidade naturalista do encadeamento lógico, revela o absoluto cruel e desumano do médico.
As linhas e planos tortuosos, oblíquos e abruptos do cenário provocam no público um efeito muito diverso do que o que seria logrado por uma composição visual harmônica.
A visão de perspectivas falseadas e imprevisíveis, de formas distorcidas, e a consciente intenção de evitar linhas verticais e horizontais, despertam no espectador os sentimentos de insegurança, inquietação e desconforto.
As imagens de Caligari são como reflexos em espelhos deformantes. Todas as expectativas são invertidas. A fotografia, assumida por Willy Rameister, de um claro/escuro de contrastes violentos, acentua ainda mais esse processo de inversão. O abstração solipsista da mente expressionista é retratada por uma cenografia de perspectivas inusitadas e inviesadas, fortemente anti-realistas, numa intenção estética onírica e sobrenatural.
As personagens de Cesare e Caligari são perfeitamente adequadas à concepção expressionista: o sonâmbulo, destituído de toda individualidade, isolado da vida cotidiana, criatura abstrata do inconsciente, mata sem motivo e lógica, enquanto seu mestre, que não possui sombra de escrúpulo humano, se considera acima do bem e do mal, e, implacável, é motivado por desígnios obscuros e impenetráveis.
O expressionismo alemão é uma cultura de crise, reflexo do profundo desalento espiritual gestado nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial. A face da morte, estampada nos rostos de milhões de jovens precocemente ceifados, despertou os sentimentos de terror, misticismo e magia; o renascimento do horror , fim de todas as ilusões de poder; apoteose do indistinto e do vago.
Expressões vagas, forjam-se cadeias de palavras combinadas ao acaso, procura-se o significado "metafísico" das palavras, inventam-se alegorias místicas, desprovidas de lógica.
Luta, ao mesmo tempo, contra o naturalismo e seu objetivo mesquinho: fotografar a natureza ou a vida cotidiana.
O expressionista já não vê, mas tem "visões". Ou seja, a realidade não é mais contemplada segundo os dados dos sentidos, mas o homem consegue tão somente projetar "visões" subjetivas e interiorizantes do Real.
O artista expressionista procurar, em lugar de um efeito passageiro, o significado eterno dos fatos e objetos. Devemos - dizem os expressionistas - nos desligar da natureza e tentar resgatar a "expressão mais expressiva de um objeto".
Na dinâmica do expressionismo, o homem deixa de ser um elemento ligado a uma moral, a uma obrigação social, a uma família, a uma moral religiosa, a uma sociedade. A imagem do mundo se reflete no expressionista em sua pureza primitiva, a realidade é subjetiva e existe apenas em nós.
É fundamental ressaltar a "atitude da vontade construtiva", do eu que molda o real.
A energia vital presente no inorgânico, o estado de animação suspensa em que se encontram os objetos, são o caminho para atingir a essência de seu "absoluto", que independe do estabelecimento de quaisquer relações transitórias.
::::::::::::::::::::::
Escritório do Dr. Caligari, de Wiene: O pendor para contrastes violentos, bem como a nostalgia do claro-escuro e das sombras, da noite indistinta, da névoa sinistra; abstração radical da realidade "sensível"; evocações fúnebres, de horrores, de uma atmosfera de pesadelo.
As perturbadoras experiências do roteirista Carl Mayer com psiquiatras durante a Guerra, e o testemunho real de Hans Janowitz, o outro roteirista, a respeito de um assassinato não resolvido de uma moça numa Feira de Variedades.
Crítica mais ou menos realista do absurdo de qualquer autoridade social.
Elucubrações obscuras de uma mente doente
Fantasmagoria: expressionista
O que interessa ao expressionista não é a manifestação "realista" particular de um evento, mas o caráter eterno deste evento, que somente a abstração do sensível pode descobrir.
Caligari estava obcecado com o trabalho de um místico italiano do século XVIII com o mesmo nome, com o objetivo de provar que a mente de um sonâmbulo poderia ser controlada por outros. A tirania de Caligari se reafirma através das visões subjetivas de Francis, que, rejeitando o discurso da normalidade naturalista do encadeamento lógico, revela o absoluto cruel e desumano do médico.
As linhas e planos tortuosos, oblíquos e abruptos do cenário provocam no público um efeito muito diverso do que o que seria logrado por uma composição visual harmônica.
A visão de perspectivas falseadas e imprevisíveis, de formas distorcidas, e a consciente intenção de evitar linhas verticais e horizontais, despertam no espectador os sentimentos de insegurança, inquietação e desconforto.
As imagens de Caligari são como reflexos em espelhos deformantes. Todas as expectativas são invertidas. A fotografia, assumida por Willy Rameister, de um claro/escuro de contrastes violentos, acentua ainda mais esse processo de inversão. O abstração solipsista da mente expressionista é retratada por uma cenografia de perspectivas inusitadas e inviesadas, fortemente anti-realistas, numa intenção estética onírica e sobrenatural.
As personagens de Cesare e Caligari são perfeitamente adequadas à concepção expressionista: o sonâmbulo, destituído de toda individualidade, isolado da vida cotidiana, criatura abstrata do inconsciente, mata sem motivo e lógica, enquanto seu mestre, que não possui sombra de escrúpulo humano, se considera acima do bem e do mal, e, implacável, é motivado por desígnios obscuros e impenetráveis.
13 de junho. Um ano qualquer. Eu nasci em 1979
* Dia do Turista
* Dia de Santo Antônio
* Umbanda - Exú (Bahia)
* Candomblé - Ogum (Bahia)
1569 - Fracassa o ataque a Lisboa do corsário inglês Francis Drake.
1611 - O astrônomo holandês David Fabricius observa pela primeira vez manchas no sol.
1721 - Aliança entre a Espanha, França e Inglaterra para garantir o cumprimento dos tratados de Utrecht, Baden e de Londres.
1763 - Nasce José Bonifácio de Andrade e Silva, político brasileiro considerado o patriarca da Independência do Brasil.
1790 - Nasce José Antonio Paéz, herói da independência da Venezuela.
1812 - Os Estados Unidos declaram guerra à Grã-Bretanha.
1859 - O presidente do México, Benito Juárez, declarou propriedade nacional todos os bens da Igreja.
1886 - Morre Luis II, rei da Baviera.
1888 - Nasce Fernando Pessoa, escritor português.
1902 - O governo do czar reforça as medidas para impor a língua russa na Finlândia.
1905 - Graves inundações nas províncias argentinas de Santa Fé, Entre Rios, Chaco e Formosa.
1920 - Uma bomba explode no Teatro Nacional de Havana durante a encenação de Aida, na apresentação do tenor Enrico Caruso.
1939 - Chegam ao México 25 mil exilados espanhóis.
1942 - Harrison Ford - ator norte-americano de cinema - Nasce.
1949 - Publicação da novela "1984", de George Orwell.
1953 - O presidente colombiano, Laureano Gómez, é deposto de seu cargo por um golpe militar dirigido pelo general Gustavo Rojas Pinilla.
1970 - A Junta das Forças Armadas nomeia o general Roberto M. Levingston presidente da Argentina, após destituir o general Onganía.
1976 - Militares uruguaios depõem o presidente Juan María Bordaberry.
1978 - As tropas israelenses deixam o Líbano.
1982 - Morre Jaled ben Abdel Azis, rei da Arábia Saudita. Ele é sucedido pelo seu irmão, o príncipe Fahd.
1988 - As forças iraquianas contém com dificuldade a ofensiva iraniana do Lago dos Peixes, na Guerra Irã-Iraque.
1990 - O líder sul-africano Nelson Mandela pede ao Parlamento Europeu ajuda econômica para custear os gastos do retorno de 20 mil exilados políticos a seu país.
1994 - Colômbia, México e Venezuela firmam o acordo de livre comércio do Grupo dos Três (G-3), a segunda maior zona de livre comércio da América.
1996 - O Parlamento da Bélgica elimina a pena de morte.
2000 - O turco Ali Agca, autor do atentado contra o papa João Paulo II, abandona a prisão de Arcona para ser extraditado para a Turquia, após ter seu crime perdoado pelo presidente italiano.
* Dia do Turista
* Dia de Santo Antônio
* Umbanda - Exú (Bahia)
* Candomblé - Ogum (Bahia)
1569 - Fracassa o ataque a Lisboa do corsário inglês Francis Drake.
1611 - O astrônomo holandês David Fabricius observa pela primeira vez manchas no sol.
1721 - Aliança entre a Espanha, França e Inglaterra para garantir o cumprimento dos tratados de Utrecht, Baden e de Londres.
1763 - Nasce José Bonifácio de Andrade e Silva, político brasileiro considerado o patriarca da Independência do Brasil.
1790 - Nasce José Antonio Paéz, herói da independência da Venezuela.
1812 - Os Estados Unidos declaram guerra à Grã-Bretanha.
1859 - O presidente do México, Benito Juárez, declarou propriedade nacional todos os bens da Igreja.
1886 - Morre Luis II, rei da Baviera.
1888 - Nasce Fernando Pessoa, escritor português.
1902 - O governo do czar reforça as medidas para impor a língua russa na Finlândia.
1905 - Graves inundações nas províncias argentinas de Santa Fé, Entre Rios, Chaco e Formosa.
1920 - Uma bomba explode no Teatro Nacional de Havana durante a encenação de Aida, na apresentação do tenor Enrico Caruso.
1939 - Chegam ao México 25 mil exilados espanhóis.
1942 - Harrison Ford - ator norte-americano de cinema - Nasce.
1949 - Publicação da novela "1984", de George Orwell.
1953 - O presidente colombiano, Laureano Gómez, é deposto de seu cargo por um golpe militar dirigido pelo general Gustavo Rojas Pinilla.
1970 - A Junta das Forças Armadas nomeia o general Roberto M. Levingston presidente da Argentina, após destituir o general Onganía.
1976 - Militares uruguaios depõem o presidente Juan María Bordaberry.
1978 - As tropas israelenses deixam o Líbano.
1982 - Morre Jaled ben Abdel Azis, rei da Arábia Saudita. Ele é sucedido pelo seu irmão, o príncipe Fahd.
1988 - As forças iraquianas contém com dificuldade a ofensiva iraniana do Lago dos Peixes, na Guerra Irã-Iraque.
1990 - O líder sul-africano Nelson Mandela pede ao Parlamento Europeu ajuda econômica para custear os gastos do retorno de 20 mil exilados políticos a seu país.
1994 - Colômbia, México e Venezuela firmam o acordo de livre comércio do Grupo dos Três (G-3), a segunda maior zona de livre comércio da América.
1996 - O Parlamento da Bélgica elimina a pena de morte.
2000 - O turco Ali Agca, autor do atentado contra o papa João Paulo II, abandona a prisão de Arcona para ser extraditado para a Turquia, após ter seu crime perdoado pelo presidente italiano.
quinta-feira, 1 de julho de 2004
Inconsciente Coletivo
(sobre Mitos de Hollywood -abaixo)
Que ele existe é fato. Que sua recusa pode ser a recusa aos instintos inerentes ao humano; que estamos nos tornando máquinas individualizadas; que pena!
A humanidade deve reconhecer seus instintos, seus princípios, para conhecer e entender um pouco mais do mundo e do ser ao seu lado. Ao contrário disso, recusamos a voz do instinto, pois esse Deus, essa voz interior é Imperfeita. Difere do que nos ensinaram no catecismo...
Só existe o aqui e o agora. Se não vasculharmos nosso interior, como entender o Ser acima do céu? o nosso céu por dentro da carne, sangue, bile e ossos é o mesmo ou até mais interessante do que o superior.
Sem mais, ao texto.
Edu
MITOS DE HOLLYWOOD
Como a teoria do inconsciente coletivo de C. G. Jung aprimorou a psicologia hollywoodiana.
Por Luis Carlos Maciel
Revista Bravo! Dezembro/2001
O crítico de cinema da The New Yorker, Anthony Lane, cita coincidências impressionantes entre o filme Nova York Sitiada, dirigido por Edward Zwick, em 1998, com Bruce Willis e Denzel Washington, e a tragédia de 11 de setembro passado, em Nova York. Semelhanças foram notadas também entre o atentado e outras desconcertantes antecipações cinematográficas. Parece que Hollywood estava adivinhando o que ia acontecer, trazendo à tona premonições secretas do inconsciente coletivo. Quando, nos primeiros anos 30, Carl Gustav Jung apresentou ao mundo a sua idéia de um inconsciente coletivo, era improvável que alguém pudesse Ter percebido a sua utilidade para o já florescente cinema de Hollywood. Mas o desenrolar dos acontecimentos, a chamada história, haveria de torná-la evidente. Era inevitável. O inconsciente de Jung, como diz o nome, é coletivo, ou seja, está naturalmente presente nas platéias de todo o mundo. Inclui absolutamente todos os espectadores que passam pelas bilheterias.
Contemos a história do começo. Jung sustenta que, por baixo do inconsciente pessoal, descoberto por Freud em cada indivíduo, há uma parte mais fundamental da psique humana que é comum a todos os homens, em todos os tempos e lugares, uma espécie de herança psicológica comum a toda humanidade. Em 1934, ele escreve que "o inconsciente contém não apenas componentes pessoais mas também impessoais, em forma de categorias, ou arquétipos". Esses arquétipos se expressam por meio de símbolos que se manifestam nos sonhos de todos nós e nos mitos de todas as tradições culturais. Esses mitos, explica Jung, revelam a própria natureza da alma, são metáforas de nossa realidade interna mais profunda e essencial. De todos eles, o mais comum, o mais conhecido, é o mito do herói. Ele surge nas mais distantes e diferentes culturas - e todas as suas versões, embora sejam diferentes nos detalhes, são estruturalmente muito semelhantes. Obedecem a uma forma, um padrão, universais. Na Grécia clássica, em
tribos africanas ou de peles-vermelhas americanos, nos países nórdicos da Europa ou no Peru dos incas, os heróis míticos percorrem uma trajetória parecida.
Essa descoberta impressionou o norte-americano Joseph Campbell e, por intermédio dele, Jung chegaria mais perto de Hollywood. Ainda muito jovem, em fins dos anos 20, Campbell havia entrado em contato com a obra de Jung e passou a acompanhar sua trajetória intelectual. Ele haveria de se tornar célebre por ter dedicado toda a sua vida ao estudo das mitologias. Jung certamente o inspirou a assumir uma postura oposta à do estudo acadêmico convencional. A visão acadêmica se detém nas diferenças entre as mitologias e estuda os mitos em função dessas diferenças; Campbell, ao contrário, escolheu evidenciar as semelhanças, os denominadores comuns, que revelam uma espantosa unidade entre todos eles. Em 1949, ele publicou um livro intitulado O Herói de Mil Faces, cujas conseqüências foram consideráveis. Nele, mostra que cada herói adquire a face de sua cultura específica, mas sua jornada é sempre a mesma. É o mesmo herói que, segundo Campbell, vive, não muitos, mas sempre o mesmo mito, um
"monomito" - termo que ele declara ter tirado do Finnegans Wake, de James Joyce, sobre o qual publicara seu primeiro livro, A Skeleton Key to Finnegans Wake. Evidentemente, embora inspirada em Joyce, a idéia fundamental de O Herói de Mil Faces, o monomito, tem tudo a ver com o inconsciente coletivo de Jung.
Em 1983, Campbell é convidado para assistir à estréia de Star Wars, de George Lucas. O roteiro do primeiro filme da saga - como de resto de todos os outros três já produzidos e, por certo, também dos que vierem ainda a ser feitos - é inteiramente construído segundo o monomito de Campbell. Lucas lera O Herói de Mil Faces e se tornara seu fã incondicional. As diferentes etapas da jornada do herói, segundo o livro, são fielmente obedecidas nesse e em todos os filmes da saga. Milhões de pessoas, em todo o mundo, a acompanharam com devoção; as bilheterias foram algumas das maiores da história do cinema. A grande revelação do primeiro Star Wars foi de que o monomito funciona. O inconsciente coletivo é, em suma, bom para os negócios.
A revelação teve muitas conseqüências. Outros cineastas como John Boorman, Steven Spielberg, George Miller e Francis Coppola também começaram a ser influenciados por Campbell. Na verdade, Jung e Campbell chegaram a Hollywood em boa companhia. Aristóteles, Schopenhauer, Nietzsche e Hegel também já haviam ajudado o cinema a fazer dinheiro. Aristóteles foi o primeiro a explicitar a estrutura dramática; Schopenhauer e Nietzsche iluminaram a verdadeira fonte da ação dramática - a vontade; e finalmente Hegel, inspirado no velho Heráclito, apontaria no conflito o motor da realidade. O cinema de Hollywood já havia se aproveitado dessas conquistas do pensamento ocidental, comprovando a sua eficiência no processo de comunicação e, portanto, de conquista do público. Elas são o fundamento das técnicas de screenwriting - uma das invenções mais famosas do famoso know-how americano.
O SCREENWRITING TRADICIONAL JÁ FATURAVA BEM. MAS AGORA HAVIA MAIS!
No início dos anos 90, um jovem analista de histórias dos estúdios Walt Disney, de nome Christopher Vogler, escreveu um memorando interno de sete páginas, intitulado Guia Prático para o Herói de Mil Faces, e o distribuiu para os roteiristas de seu local de trabalho, como uma contribuição para uma maior eficiência dos roteiros. O sucesso foi desconcertante; em pouco tempo, a repercussão atingia os roteiristas de cinema de toda a cidade de Los Angeles que, como se sabe, não são poucos. O livro de Campbell e a adaptação que Vogler fazia dele, tornando-o útil para a elaboração de roteiros cinematográficos, viraram moda em Los Angeles. Em pouco tempo, o memorando de Vogler se tornaria um livro, intitulado A Jornada do Escritor, que seria admirado como uma bíblia do roteiro por roteiristas americanos novos e antigos.
O que fez Vogler? Muito simples. Ele ajustou o monomito de Campbell à estrutura dramática tradicional conforme ela é utilizada pelo screenwriting norte-americano. George Lucas já o havia feito na prática, mas, agora, ele formulava uma teoria e oferecia um método ao alcance de todos. A storyline do monomito é simples. O herói sai de seu ambiente familiar e seguro para se aventurar num mundo estranho e hostil - feito, por exemplo, de labirintos, cidades estranhas, outras dimensões, o que for... -, onde enfrenta um conflito de vida ou morte com um antagonista poderoso; a certa altura, parece que ele não poderá escapar à destruição, mas o herói acaba por triunfar. As etapas dessa jornada, que pode ser literal como em Star Wars ou também metafórica, são subordinadas por Vogler à estrutura tradicional de começo, meio e fim, em três atos, sintetizando assim Jung e Aristóteles, Campbell e Hegel, numa nova técnica de screenwriting.
Vogler começou a divulgar seu novo método nos estúdios Disney, na época de A Pequena Sereia e A Bela e a Fera. Daí em diante, os elementos míticos codificados por Campbell são utilizados cada vez mais sistematicamente, acabando por se tornarem determinantes, não só nos desenhos de Disney, como num número cada vez maior de filmes feitos em Hollywood, principalmente filmes "de ação" - que, em princípio, parecem mais receptivos à estrutura mítica -, mas também de outros gêneros, pois Vogler sustenta que o monomito serve a todo tipo de filme, inclusive comédias românticas.
Foi assim, portanto, que C.G. Jung chegou a Hollywood. O inconsciente coletivo e os arquétipos serviram, a princípio, apenas aos psicanalistas de orientação junguiana; depois, passaram a ser utilizados por escritores, pintores e outros artistas criadores; foram então apropriados por roteiristas que queriam fazer um trabalho mais eficiente; agora, finalmente, servem também aos executivos de poderosas empresas cinematográficas que avaliam as perspectivas de um determinado roteiro no mercado. Também aqui o critério conclusivo é o da eficiência.
É interessante notar que esse novo impulso nos negócios é dado sob a égide de um arquétipo típico de nosso tempo - o mito da eficiência. Já que a comunicação do monomito é infalível e que as maiores bilheterias são colhidas por filmes que deliberadamente lidam com o inconsciente coletivo e os arquétipos, pode-se dizer que a indústria de entretenimento mais desenvolvida dos dias de hoje tem a sua disposição ferramentas intelectuais muito poderosas. Na realidade, tão poderosas - podemos acrescentar agora - que as estamos vendo resultar em mistérios inéditos como, por exemplo, o manifesto nas recentes discussões provocadas pelas premonições cinematográficas dos eventos reais de 11 de setembro. Alguns, inclusive Robert Altman, chegaram a dizer que os terroristas teriam aprendido a agir assistindo aos filmes...
Será? Não creio. O inconsciente coletivo é a verdadeira explicação do fenômeno. Certos críticos que falam com desdém do cinema comercial de Hollywood deviam era dobrar a língua.
(sobre Mitos de Hollywood -abaixo)
Que ele existe é fato. Que sua recusa pode ser a recusa aos instintos inerentes ao humano; que estamos nos tornando máquinas individualizadas; que pena!
A humanidade deve reconhecer seus instintos, seus princípios, para conhecer e entender um pouco mais do mundo e do ser ao seu lado. Ao contrário disso, recusamos a voz do instinto, pois esse Deus, essa voz interior é Imperfeita. Difere do que nos ensinaram no catecismo...
Só existe o aqui e o agora. Se não vasculharmos nosso interior, como entender o Ser acima do céu? o nosso céu por dentro da carne, sangue, bile e ossos é o mesmo ou até mais interessante do que o superior.
Sem mais, ao texto.
Edu
MITOS DE HOLLYWOOD
Como a teoria do inconsciente coletivo de C. G. Jung aprimorou a psicologia hollywoodiana.
Por Luis Carlos Maciel
Revista Bravo! Dezembro/2001
O crítico de cinema da The New Yorker, Anthony Lane, cita coincidências impressionantes entre o filme Nova York Sitiada, dirigido por Edward Zwick, em 1998, com Bruce Willis e Denzel Washington, e a tragédia de 11 de setembro passado, em Nova York. Semelhanças foram notadas também entre o atentado e outras desconcertantes antecipações cinematográficas. Parece que Hollywood estava adivinhando o que ia acontecer, trazendo à tona premonições secretas do inconsciente coletivo. Quando, nos primeiros anos 30, Carl Gustav Jung apresentou ao mundo a sua idéia de um inconsciente coletivo, era improvável que alguém pudesse Ter percebido a sua utilidade para o já florescente cinema de Hollywood. Mas o desenrolar dos acontecimentos, a chamada história, haveria de torná-la evidente. Era inevitável. O inconsciente de Jung, como diz o nome, é coletivo, ou seja, está naturalmente presente nas platéias de todo o mundo. Inclui absolutamente todos os espectadores que passam pelas bilheterias.
Contemos a história do começo. Jung sustenta que, por baixo do inconsciente pessoal, descoberto por Freud em cada indivíduo, há uma parte mais fundamental da psique humana que é comum a todos os homens, em todos os tempos e lugares, uma espécie de herança psicológica comum a toda humanidade. Em 1934, ele escreve que "o inconsciente contém não apenas componentes pessoais mas também impessoais, em forma de categorias, ou arquétipos". Esses arquétipos se expressam por meio de símbolos que se manifestam nos sonhos de todos nós e nos mitos de todas as tradições culturais. Esses mitos, explica Jung, revelam a própria natureza da alma, são metáforas de nossa realidade interna mais profunda e essencial. De todos eles, o mais comum, o mais conhecido, é o mito do herói. Ele surge nas mais distantes e diferentes culturas - e todas as suas versões, embora sejam diferentes nos detalhes, são estruturalmente muito semelhantes. Obedecem a uma forma, um padrão, universais. Na Grécia clássica, em
tribos africanas ou de peles-vermelhas americanos, nos países nórdicos da Europa ou no Peru dos incas, os heróis míticos percorrem uma trajetória parecida.
Essa descoberta impressionou o norte-americano Joseph Campbell e, por intermédio dele, Jung chegaria mais perto de Hollywood. Ainda muito jovem, em fins dos anos 20, Campbell havia entrado em contato com a obra de Jung e passou a acompanhar sua trajetória intelectual. Ele haveria de se tornar célebre por ter dedicado toda a sua vida ao estudo das mitologias. Jung certamente o inspirou a assumir uma postura oposta à do estudo acadêmico convencional. A visão acadêmica se detém nas diferenças entre as mitologias e estuda os mitos em função dessas diferenças; Campbell, ao contrário, escolheu evidenciar as semelhanças, os denominadores comuns, que revelam uma espantosa unidade entre todos eles. Em 1949, ele publicou um livro intitulado O Herói de Mil Faces, cujas conseqüências foram consideráveis. Nele, mostra que cada herói adquire a face de sua cultura específica, mas sua jornada é sempre a mesma. É o mesmo herói que, segundo Campbell, vive, não muitos, mas sempre o mesmo mito, um
"monomito" - termo que ele declara ter tirado do Finnegans Wake, de James Joyce, sobre o qual publicara seu primeiro livro, A Skeleton Key to Finnegans Wake. Evidentemente, embora inspirada em Joyce, a idéia fundamental de O Herói de Mil Faces, o monomito, tem tudo a ver com o inconsciente coletivo de Jung.
Em 1983, Campbell é convidado para assistir à estréia de Star Wars, de George Lucas. O roteiro do primeiro filme da saga - como de resto de todos os outros três já produzidos e, por certo, também dos que vierem ainda a ser feitos - é inteiramente construído segundo o monomito de Campbell. Lucas lera O Herói de Mil Faces e se tornara seu fã incondicional. As diferentes etapas da jornada do herói, segundo o livro, são fielmente obedecidas nesse e em todos os filmes da saga. Milhões de pessoas, em todo o mundo, a acompanharam com devoção; as bilheterias foram algumas das maiores da história do cinema. A grande revelação do primeiro Star Wars foi de que o monomito funciona. O inconsciente coletivo é, em suma, bom para os negócios.
A revelação teve muitas conseqüências. Outros cineastas como John Boorman, Steven Spielberg, George Miller e Francis Coppola também começaram a ser influenciados por Campbell. Na verdade, Jung e Campbell chegaram a Hollywood em boa companhia. Aristóteles, Schopenhauer, Nietzsche e Hegel também já haviam ajudado o cinema a fazer dinheiro. Aristóteles foi o primeiro a explicitar a estrutura dramática; Schopenhauer e Nietzsche iluminaram a verdadeira fonte da ação dramática - a vontade; e finalmente Hegel, inspirado no velho Heráclito, apontaria no conflito o motor da realidade. O cinema de Hollywood já havia se aproveitado dessas conquistas do pensamento ocidental, comprovando a sua eficiência no processo de comunicação e, portanto, de conquista do público. Elas são o fundamento das técnicas de screenwriting - uma das invenções mais famosas do famoso know-how americano.
O SCREENWRITING TRADICIONAL JÁ FATURAVA BEM. MAS AGORA HAVIA MAIS!
No início dos anos 90, um jovem analista de histórias dos estúdios Walt Disney, de nome Christopher Vogler, escreveu um memorando interno de sete páginas, intitulado Guia Prático para o Herói de Mil Faces, e o distribuiu para os roteiristas de seu local de trabalho, como uma contribuição para uma maior eficiência dos roteiros. O sucesso foi desconcertante; em pouco tempo, a repercussão atingia os roteiristas de cinema de toda a cidade de Los Angeles que, como se sabe, não são poucos. O livro de Campbell e a adaptação que Vogler fazia dele, tornando-o útil para a elaboração de roteiros cinematográficos, viraram moda em Los Angeles. Em pouco tempo, o memorando de Vogler se tornaria um livro, intitulado A Jornada do Escritor, que seria admirado como uma bíblia do roteiro por roteiristas americanos novos e antigos.
O que fez Vogler? Muito simples. Ele ajustou o monomito de Campbell à estrutura dramática tradicional conforme ela é utilizada pelo screenwriting norte-americano. George Lucas já o havia feito na prática, mas, agora, ele formulava uma teoria e oferecia um método ao alcance de todos. A storyline do monomito é simples. O herói sai de seu ambiente familiar e seguro para se aventurar num mundo estranho e hostil - feito, por exemplo, de labirintos, cidades estranhas, outras dimensões, o que for... -, onde enfrenta um conflito de vida ou morte com um antagonista poderoso; a certa altura, parece que ele não poderá escapar à destruição, mas o herói acaba por triunfar. As etapas dessa jornada, que pode ser literal como em Star Wars ou também metafórica, são subordinadas por Vogler à estrutura tradicional de começo, meio e fim, em três atos, sintetizando assim Jung e Aristóteles, Campbell e Hegel, numa nova técnica de screenwriting.
Vogler começou a divulgar seu novo método nos estúdios Disney, na época de A Pequena Sereia e A Bela e a Fera. Daí em diante, os elementos míticos codificados por Campbell são utilizados cada vez mais sistematicamente, acabando por se tornarem determinantes, não só nos desenhos de Disney, como num número cada vez maior de filmes feitos em Hollywood, principalmente filmes "de ação" - que, em princípio, parecem mais receptivos à estrutura mítica -, mas também de outros gêneros, pois Vogler sustenta que o monomito serve a todo tipo de filme, inclusive comédias românticas.
Foi assim, portanto, que C.G. Jung chegou a Hollywood. O inconsciente coletivo e os arquétipos serviram, a princípio, apenas aos psicanalistas de orientação junguiana; depois, passaram a ser utilizados por escritores, pintores e outros artistas criadores; foram então apropriados por roteiristas que queriam fazer um trabalho mais eficiente; agora, finalmente, servem também aos executivos de poderosas empresas cinematográficas que avaliam as perspectivas de um determinado roteiro no mercado. Também aqui o critério conclusivo é o da eficiência.
É interessante notar que esse novo impulso nos negócios é dado sob a égide de um arquétipo típico de nosso tempo - o mito da eficiência. Já que a comunicação do monomito é infalível e que as maiores bilheterias são colhidas por filmes que deliberadamente lidam com o inconsciente coletivo e os arquétipos, pode-se dizer que a indústria de entretenimento mais desenvolvida dos dias de hoje tem a sua disposição ferramentas intelectuais muito poderosas. Na realidade, tão poderosas - podemos acrescentar agora - que as estamos vendo resultar em mistérios inéditos como, por exemplo, o manifesto nas recentes discussões provocadas pelas premonições cinematográficas dos eventos reais de 11 de setembro. Alguns, inclusive Robert Altman, chegaram a dizer que os terroristas teriam aprendido a agir assistindo aos filmes...
Será? Não creio. O inconsciente coletivo é a verdadeira explicação do fenômeno. Certos críticos que falam com desdém do cinema comercial de Hollywood deviam era dobrar a língua.
segunda-feira, 28 de junho de 2004
Tecnico X Operador de Som
O técnico de som é como o diretor de fotografia. Ele regula o mixer, responde ao diretor se o som tá ok, é responsável pelo som do filme. O fotógrafo define o movimento, enquadramento, qual filme a ser usado e a fotometria.
O operador de som é como o cameraman ou 1º assistente de câmera. Esses ficam com a câmera e o microfone ao lado do diretor bem na frente da cena. São os que captam diretamente o som e a imagem.
O técnico e o fotógrafo ficam ali por trás, um na mesa e outro no vt, se achando e recebendo todos os créditos no final.
Claro que em filmes B.O. as funções são acumuladas.
O técnico seria quem dá suporte ao equipamento, enquanto operador é quem trabalha utilizando o equipamento como meio, uma espécie de usuário do equipamento, enquanto o técnico fica encarregado do suporte técnico...
O técnico de som é como o diretor de fotografia. Ele regula o mixer, responde ao diretor se o som tá ok, é responsável pelo som do filme. O fotógrafo define o movimento, enquadramento, qual filme a ser usado e a fotometria.
O operador de som é como o cameraman ou 1º assistente de câmera. Esses ficam com a câmera e o microfone ao lado do diretor bem na frente da cena. São os que captam diretamente o som e a imagem.
O técnico e o fotógrafo ficam ali por trás, um na mesa e outro no vt, se achando e recebendo todos os créditos no final.
Claro que em filmes B.O. as funções são acumuladas.
O técnico seria quem dá suporte ao equipamento, enquanto operador é quem trabalha utilizando o equipamento como meio, uma espécie de usuário do equipamento, enquanto o técnico fica encarregado do suporte técnico...
25 à 27 de junho
Sexta à noite teve ensaio do sensorial. experimentamos- depois de muito insistir- um novo formato para as canções: mais lento e mais baixo.
Treiinamos para o show da casa de cultura. Vou levar só surdo, caixa e prato. Eles trão que tocar baixo. Os mais complicados são plet e edio. Um não tem controle sobre o que faz e, de repente, ouvimos estrondos; o outro se empolga e esmurra seu instrumento enquanto os outros tocam suavemente.
Carlos e também tem problemas com volume mas se controlam - um pouco- mais.
No geral foi bom. O novo formato deu certo (dessa vez).
Sabado, ensaio com o MJ. Chego atrasado como sempre mas o ensaio rende. tocamos todas as novas e a cover de wanna be your man, dos...deles mesmo. Sem setlist, saiamos tocando a que qq 1 puxasse.
Saí dali correndo para niteroi para ensaiar com o supercordas.
Primeiro ensaio, timidez, os caras acostumados com batida eletronica etc
Felipe saiu logo pois não podia perder o show de graça do Hermeto na Lagoa. Ensaiamos mais ou menos uma hora e cheguei morto em casa.
Ainda fiz algumas importações para o computador do material do MODOS.
Tinha que acordar às cinco e meia pois trabalharia no vestibular domingo de manhã.
Cheguei meia hora atrasado mas deu tudo certo. Ao sais, às dez, liguei para o vitor do cmi para saber se cobririam a parada gay.
Depois dele confirmar com o zé, ficou combinado de nos encontrarmos em frente ao Copacabana Palace.
Cheguei lá na hora combinada e, o vitor ligou dizendo que não iria mais. Encontrei o zé lá pelas duas e meia. Já estava puto. Ele não trouxe a mini dv para eu gavar o 'espetáculo'. Fiquei mais puto ainda e, quando ele saiu para tentar tirar umas fotos de cima do caminhão de som, me afastei e fiquei por ali mais um tempo.
Nem cheguei a ver o desfile começar. não tinha nada ali pra mim ver (gravar sim, registrar sim, mas nã tinha a fita). Como estava com a camera e com algo mais que podia complicar a situação, fui pra casa tirar o atraso do sono.
Que merda é o CMI RJ! Que falta de organização e envolvimento dos seus!!
Sexta à noite teve ensaio do sensorial. experimentamos- depois de muito insistir- um novo formato para as canções: mais lento e mais baixo.
Treiinamos para o show da casa de cultura. Vou levar só surdo, caixa e prato. Eles trão que tocar baixo. Os mais complicados são plet e edio. Um não tem controle sobre o que faz e, de repente, ouvimos estrondos; o outro se empolga e esmurra seu instrumento enquanto os outros tocam suavemente.
Carlos e também tem problemas com volume mas se controlam - um pouco- mais.
No geral foi bom. O novo formato deu certo (dessa vez).
Sabado, ensaio com o MJ. Chego atrasado como sempre mas o ensaio rende. tocamos todas as novas e a cover de wanna be your man, dos...deles mesmo. Sem setlist, saiamos tocando a que qq 1 puxasse.
Saí dali correndo para niteroi para ensaiar com o supercordas.
Primeiro ensaio, timidez, os caras acostumados com batida eletronica etc
Felipe saiu logo pois não podia perder o show de graça do Hermeto na Lagoa. Ensaiamos mais ou menos uma hora e cheguei morto em casa.
Ainda fiz algumas importações para o computador do material do MODOS.
Tinha que acordar às cinco e meia pois trabalharia no vestibular domingo de manhã.
Cheguei meia hora atrasado mas deu tudo certo. Ao sais, às dez, liguei para o vitor do cmi para saber se cobririam a parada gay.
Depois dele confirmar com o zé, ficou combinado de nos encontrarmos em frente ao Copacabana Palace.
Cheguei lá na hora combinada e, o vitor ligou dizendo que não iria mais. Encontrei o zé lá pelas duas e meia. Já estava puto. Ele não trouxe a mini dv para eu gavar o 'espetáculo'. Fiquei mais puto ainda e, quando ele saiu para tentar tirar umas fotos de cima do caminhão de som, me afastei e fiquei por ali mais um tempo.
Nem cheguei a ver o desfile começar. não tinha nada ali pra mim ver (gravar sim, registrar sim, mas nã tinha a fita). Como estava com a camera e com algo mais que podia complicar a situação, fui pra casa tirar o atraso do sono.
Que merda é o CMI RJ! Que falta de organização e envolvimento dos seus!!
"Planet Of Sound"
(Pixies)
One fine day in my odd past
i picked me up a transmission
i turned the fission ignition
went looking for the broadcaster
and when i first touched some ground
they simply told me leave
was kind of hard to believe
'cause there was not one around
this ain't the planet of sound 4X
i had a talented wine
that land o' classical gas
and on the planet of glass
they sent me skipping through time
i got to somewhere renowned
for it's canals and color of red
and lots of guys who shook their heads
rhythmically to resound
this ain't the planet of sound 4X
this ain't no rock and roll town
this ain't no fuckin' around
this ain't no planet of sound
i met a guy in a rover
he said its one more over
its just there where your bound
this ain't the planet of sound 4X
"Planeta Do Som"
Um dia fino em meu passado impar
eu me peguei numa transmissão
eu girei a (fission?) ignição
fui procurar o radiodifusor
e ao primeiro contato com alguma terra
Eles simplesmente me pediram para ir
era algo difícil de acreditar
pois não tinha ninguém ao redor
este não é o planeta do som
eu tinha um vinho inspirador
esse gás clássico da terra
e no planeta de vidro
emitiram-me num salto através do tempo
em algum lugar renovado
para os canais e a cor do vermelho
e muitos caras que agitavam suas cabeças
ritmicamente ao reverberar
este não é o planeta do som
esta não é nenhuma cidade do Rock and Roll
isto não é nada ao redor
este não é nenhum planeta do som
encontrei-me com um cara vagabundeando
ele disse que isto está mais uma vez acabado
justamente lá onde está seu limite
este não é o planeta do som
(Pixies)
One fine day in my odd past
i picked me up a transmission
i turned the fission ignition
went looking for the broadcaster
and when i first touched some ground
they simply told me leave
was kind of hard to believe
'cause there was not one around
this ain't the planet of sound 4X
i had a talented wine
that land o' classical gas
and on the planet of glass
they sent me skipping through time
i got to somewhere renowned
for it's canals and color of red
and lots of guys who shook their heads
rhythmically to resound
this ain't the planet of sound 4X
this ain't no rock and roll town
this ain't no fuckin' around
this ain't no planet of sound
i met a guy in a rover
he said its one more over
its just there where your bound
this ain't the planet of sound 4X
"Planeta Do Som"
Um dia fino em meu passado impar
eu me peguei numa transmissão
eu girei a (fission?) ignição
fui procurar o radiodifusor
e ao primeiro contato com alguma terra
Eles simplesmente me pediram para ir
era algo difícil de acreditar
pois não tinha ninguém ao redor
este não é o planeta do som
eu tinha um vinho inspirador
esse gás clássico da terra
e no planeta de vidro
emitiram-me num salto através do tempo
em algum lugar renovado
para os canais e a cor do vermelho
e muitos caras que agitavam suas cabeças
ritmicamente ao reverberar
este não é o planeta do som
esta não é nenhuma cidade do Rock and Roll
isto não é nada ao redor
este não é nenhum planeta do som
encontrei-me com um cara vagabundeando
ele disse que isto está mais uma vez acabado
justamente lá onde está seu limite
este não é o planeta do som
quarta-feira, 23 de junho de 2004
Sem pressa e Com calma
Fui à casa dela
Rolou um papo
Dessa vez nos redimimos
Como dois adultos nos tratamos
Sem pressa
Com calma
Fiquei de voltar no dia seguinte mas meus compromissos me impediram
Ela disse que posso voltar quando puder
Embora isso esteja o tempo todo ao meu lado
Não quero voltar pelo que prometi
Fui à casa dela
Rolou um papo
Dessa vez nos redimimos
Como dois adultos nos tratamos
Sem pressa
Com calma
Fiquei de voltar no dia seguinte mas meus compromissos me impediram
Ela disse que posso voltar quando puder
Embora isso esteja o tempo todo ao meu lado
Não quero voltar pelo que prometi
Ontem, Eu
Ontem fui ator
Exercício de fotografia
As aulas de Direção de Atores ajudaram
Pra variar estouramos o tempo
E alguns planos tiveram que ser cortados
Só foi feito o ultimo plano dela
Seminua de frente pro espelho partido
A soma tinha muito de corporal
O trabalho de ontem foi corporal
Os corpos seminus
Homens e mulheres co-habitando
Movimento regulado
Ação decidida
De olho no relógio
Confusão mental percebida e anulada
Organizar cronológicamente os flashes memoriais
O observador mór ajuda quando necessário
Sentado em sua posição
Aparece para anunciar o fim
Seu pupilo que observava ao longe
Me pergunta se há um instrumentista (onde não deveria haver um)
Respondo que dentro do disco
Há um instrumentista
O homônimo da caveira ajuda no que pode
Nós fechamos.
A magrela o conhece. Muitos o conhecem.
Vagabundo está em casa
No seu devido lugar
Também precisamos aprender, os que buscam isso
Seu assistente não cruza comigo eletricamente
Não devo deixar sensações dominarem e ser amigo
Desajeitado, me pisa e me esbarra
É um bom sujeito
Qui é um anjo
Adoraria tê-la por perto mais vezes
Imensamente inteligente
Senti o sui geniris dela
O apóstolo sem sensibilidade quase não fala
Está assim pois é de manhã
É como eu. Vejo algo de mim ali.
Espera que eu lhe ensine algo mas hoje recusei a profissão
Sou um boneco que exerce sugestões
Só é preciso estar
Canto, me mexo, tusso, sou.
O idiota que ouve e tem dificuldades em
Equilibrar as percepções sem esquecer do mei
Ontem fui ator
Exercício de fotografia
As aulas de Direção de Atores ajudaram
Pra variar estouramos o tempo
E alguns planos tiveram que ser cortados
Só foi feito o ultimo plano dela
Seminua de frente pro espelho partido
A soma tinha muito de corporal
O trabalho de ontem foi corporal
Os corpos seminus
Homens e mulheres co-habitando
Movimento regulado
Ação decidida
De olho no relógio
Confusão mental percebida e anulada
Organizar cronológicamente os flashes memoriais
O observador mór ajuda quando necessário
Sentado em sua posição
Aparece para anunciar o fim
Seu pupilo que observava ao longe
Me pergunta se há um instrumentista (onde não deveria haver um)
Respondo que dentro do disco
Há um instrumentista
O homônimo da caveira ajuda no que pode
Nós fechamos.
A magrela o conhece. Muitos o conhecem.
Vagabundo está em casa
No seu devido lugar
Também precisamos aprender, os que buscam isso
Seu assistente não cruza comigo eletricamente
Não devo deixar sensações dominarem e ser amigo
Desajeitado, me pisa e me esbarra
É um bom sujeito
Qui é um anjo
Adoraria tê-la por perto mais vezes
Imensamente inteligente
Senti o sui geniris dela
O apóstolo sem sensibilidade quase não fala
Está assim pois é de manhã
É como eu. Vejo algo de mim ali.
Espera que eu lhe ensine algo mas hoje recusei a profissão
Sou um boneco que exerce sugestões
Só é preciso estar
Canto, me mexo, tusso, sou.
O idiota que ouve e tem dificuldades em
Equilibrar as percepções sem esquecer do mei
terça-feira, 22 de junho de 2004
DIALOGISMO:
A LINGUAGEM VERBAL COMO EXERCÍCIO DO SOCIAL
Cláudia Lukianchuki
Doutora em Comunicação pela ECA-USP e
Professora de Língua Portuguesa e Comunicação do CEFET-SP
Com base nos referenciais teóricos da Análise do Discurso de orientação francesa e de Bakhtin, este artigo discute o conceito de Dialogismo, Dialogicidade e suas implicações, enfocando a linguagem verbal como exercício do social. Pensar dialeticamente a realidade social é ver, através da língua dada, a palavra dando-se num movimento contínuo. A palavra é a mediadora entre o social e o individual. Ao aprender a falar, o ser humano também aprende a pensar, na medida em que cada palavra é a revelação das experiências e valores de sua cultura. Desse ponto de vista, tem-se que o verbal influencia nosso modo de percepção da realidade. Portanto, cabe a cada um assumir a palavra como manutenção dos valores dados ou como intervenção no mundo.
"Tudo se reduz ao diálogo, à contraposição dialógica enquanto centro. Tudo é meio, o diálogo é o fim. Uma só voz nada termina, nada resolve. Duas vozes são o mínimo de vida".(Mikhail Bakhtin)
O pensamento de Bakhtin revelado em suas obras, apesar de plural, tem uma unidade garantida pela centralidade da linguagem, cujo método de análise é a dialética. Dialogismo é o conceito que permeia toda a sua obra. É o princípio constitutivo da linguagem, o que quer dizer que toda a vida da linguagem, em qualquer campo, está impregnada de relações dialógicas. A concepção dialógica contém a idéia de relatividade da autoria individual e conseqüentemente o destaque do caráter coletivo, social da produção de idéias e textos. O próprio humano é um intertexto, não existe isolado, sua experiência de vida se tece, entrecruza-se e interpenetra com o outro. Pensar em relação dialógica é remeter a um outro princípio - a não autonomia do discurso. As palavras de um falante estão sempre e inevitavelmente atravessadas pelas palavras do outro: o discurso elaborado pelo falante se constitui também do discurso do outro que o atravessa, condicionando o discurso do eu. Em linguagem bakhtiniana, a noção do eu nunca é individual, mas social. Nos seus escritos, Bakhtin aborda os processos de formação do eu através de três categorias: o eu-para-mim, o eu-para-os-outros, o outro-para-mim. Da formulação dessa tríade, pode-se entrever sua inquietude frente a algumas questões: Como o eu estabelece sua relação com o mundo?; Existe uma oposição entre o sujeito e o objeto? "Para ele, não há um mundo dado ao qual o sujeito possa se opor. É o próprio mundo externo que se torna determinado e concreto para o sujeito que com ele se relaciona." (Freitas, 1996, p.125-6)
LINGUAGEM E PENSAMENTO
A consciência individual é, portanto, um fato social e ideológico. Dito de outra maneira, a realidade da consciência é a linguagem e são os fatores sociais que determinam o conteúdo da consciência - do conjunto dos discursos que atravessam o indivíduo ao longo de sua vida, é que se forma a consciência. O mundo que se revela ao ser humano se dá pelos discursos que ele assimila, formando seu repertório de vida. Pelo fato de a consciência ser determinada socialmente não se pode inferir que o ser humano seja meramente reprodutivo, o que se ressalta é, portanto, a criatividade do sujeito humano: é influenciado pelo meio, mas se volta sobre ele para transformá-lo. Duas vezes nasce o homem: fisicamente (o que não o faz inserir na história) e socialmente determinado pelas condições sociais e econômicas. Posto isso, não se pode sustentar a idéia - tão propalada pelo idealismo e pelo positivismo psicologista - de que a ideologia deriva da consciência. Sob a forma de signos é que a atividade mental é expressa exterior e internamente para o próprio indivíduo. Sem os signos a atividade interior não existe. A palavra não é só meio de comunicação, mas também conteúdo da própria atividade psíquica.
Nessa mesma linha, Vygotski, psicólogo russo, tentou superar, dentro do materialismo histórico dialético, a crise no campo da psicologia, verificada no conflito entre as concepções idealista e mecanicista, apresentando propostas teóricas inovadoras voltadas para temas que tratavam da inter-relação pensamento e linguagem rumo a uma teoria geral das suas raízes genéticas, natureza do processo de desenvolvimento da criança e o papel da instrução no desenvolvimento. A idéia revolucionária de que a consciência humana é determinada historicamente é o núcleo mobilizador de suas pesquisas, levando-o a colocar como centro de suas preocupações as questões da linguagem não como um sistema lingüístico de estrutura abstrata, mas em seu aspecto psicológico. Seu interesse residia em estudar a linguagem como constituidora do sujeito com o enfoque na relação pensamento e linguagem, chave para a compreensão da natureza da consciência humana. Partindo do pressuposto de que pensamento e linguagem têm raízes diferentes, constatou que o pensamento e a palavra, apesar de não serem ligados por um elo primário, não podem ser considerados como dois processos independentes. O autor contrapõe-se às concepções clássicas das antigas escolas de psicologia, dando um salto qualitativo com as suas investigações, ao perceber a conexão entre pensamento e linguagem como originária do desenvolvimento, evoluindo ao longo dele, num processo dinâmico. O caminho encontrado para uma nova abordagem da questão foi a mudança do método de análise - da análise em elementos das investigações anteriores (analiticamente separado em seus componentes) para a análise em unidades - e assim pôde concluir que a unidade do pensamento verbal está no significado das palavras.
Para compreender o pensamento verbal, Vygotski identifica que essa unidade é o significado das palavras, que é o seu aspecto intrínseco. Para ele, apesar de a natureza do significado não ser clara ainda, sua certeza é a de que, no significado da palavra, o pensamento e a fala se unem em pensamento verbal. No significado, também, estão as respostas às questões sobre a relação entre pensamento e fala. Embora o significado de uma palavra represente "um amálgama tão estreito do pensamento e da linguagem", suas pesquisas revelaram que o significado, critério da palavra e componente indispensável, é um fenômeno do pensamento e não da fala, uma vez que são generalizações ou conceitos, ou seja, atos do pensamento. No entanto, "O significado das palavras é um fenômeno de pensamento apenas na medida em que o pensamento ganha corpo por meio da fala, e só é um fenômeno da fala na medida em que esta é ligada ao pensamento, sendo iluminada por ele. É um fenômeno do pensamento verbal, ou da fala significativa - uma união da palavra e do pensamento".(Vygotski, 1989, p.04)
Se o significado da palavra é simultaneamente pensamento e fala, então é nele que está a unidade do pensamento verbal. Portanto, é a análise semântica o método a seguir na exploração da natureza verbal. Dessas investigações chegou-se a um outro resultado igualmente importante: o significado das palavras evolui. São formações dinâmicas e não estáticas: sua modificação percebe-se com o desenvolvimento da criança e também com as várias formas pelas quais o pensamento funciona.
OS DISCURSOS SOCIAIS
Retomando a questão do dialogismo, e, ainda com relação à palavra diálogo, além do seu sentido estrito - o ato de fala entre duas ou mais pessoas -, pode-se tomá-la também em seu sentido amplo, a saber, qualquer tipo de comunicação verbal, oral ou escrita, exterior ou interior, manifestada ou não. O livro, por exemplo, é um ato de fala impresso. "O discurso escrito é de certa maneira parte integrante de uma discussão ideológica em grande escala: ele responde a alguma coisa, refuta, confirma, antecipa as respostas e objeções potenciais, procura apoio etc." (Bakhtin, 1978, p.123). Tudo está em constante comunicação. À idéia de diálogo agrega-se um outro elemento que não se refere apenas à fala em voz alta de duas pessoas, mas a um discurso interior, do qual se emanam as várias e inesgotáveis enunciações, que são determinadas pela situação de sua enunciação e pelo seu auditório. "A situação e o auditório obrigam o discurso interior a realizar-se em uma expressão exterior definida, que se insere diretamente no contexto não verbalizado da vida corrente, e nele se amplia pela ação, pelo gesto ou pela resposta verbal dos outros participantes na situação de enunciação." (Bakhtin, 1978, p.125). A toda essa questão está relacionada a formação de repertórios, que, no dizer de Bakhtin, são formas de vida em comum relativamente regularizadas, reforçadas pelo uso e pela circunstância.
Dessa maneira, as formas estereotipadas no discurso da vida cotidiana respondem por um discurso social que as consolida, ou seja, possuem um auditório organizado que mantém a sua permanência, refletindo, assim, ideologicamente a composição social do grupo, evidência da afirmação de Bakhtin ao dizer que "a palavra é o fenômeno ideológico por excelência" ou "todo signo é ideológico". Por essa razão, é que, mesmo em uma aparente simples anedota que se conta sobre o negro, o judeu, o nordestino, a mulher etc., os preconceitos que se afloram nada mais são do que exercício constante dos elementos culturais desse grupo social. O enunciatário, no entanto, pode oferecer obstáculos à sua realização/manutenção provocando rupturas que vão infiltrando sensíveis mudanças iniciais, mas que podem ganhar corpo. Daí o entendimento de que todos são sujeitos da enunciação - enunciador e enunciatário - porque o caráter interativo nada mais é do que a possibilidade de transformação, seja pelo enunciador,
seja pelo enunciatário, passando a refletir e refratar a realidade dada. É a idéia da palavra em movimento, o poder da palavra. Através dela, os sujeitos são postos em ação para reproduzir ou mudar o social.
Essas reflexões remetem aos estudos semânticos de Pêcheux (quando diz que, ao passar de uma formação discursiva à outra, as palavras mudam de sentido) num diálogo com a formulação (a palavra é um signo neutro) de Bakhtin. Um exemplo disso é a palavra greve. Ao ser usada pelo dono da empresa ou pela autoridade governamental, adquire conotação diferente, especialmente disfórica, isto é negativa, daquela usada pelo funcionário ou pela população, que, neste caso, em geral, assume valor eufórico, ou seja, positivo. (Fiorin,1988,p.21-2). Os meios de comunicação, especialmente a televisão, são a evidência desses significados: quem faz greve geralmente é visto como baderneiro, dificilmente como alguém que está reivindicando seus direitos, garantidos, inclusive, constitucionalmente. A palavra em circulação é a palavra que está prenhe de significados de tal forma que, ao falar, os sentidos são mobilizados de maneira a mostrar que o sujeito é responsável por aquilo que diz, fazendo assim transparecer o seu papel social, isto é, as formas de suas relações sociais. Em outras palavras, evidenciam-se as posições de sujeito - de que fala Pêcheux - ou lugares determinados na estrutura de uma formação social marcados por propriedades diferenciais determináveis - as formações imaginárias.
OS PAPÉIS SOCIAIS
Sobre os papéis sociais, Agnes Heller explicita que, apesar de as funções de tipo "papel" serem condicionadas pelo conjunto da sociedade, o ser humano é mais do que o seu papel ou conjunto dos seus papéis, porque eles jamais esgotam o comportamento humano em sua totalidade: "Mesmo nos contextos mais manipulados, produz-se constantemente a 'recusa do papel'. Em todos esses contextos, há excêntricos, rebeldes e revolucionários. Até mesmo os contextos mais manipulados estão repletos de homens que vivem em 'incógnito de oposição'." (Heller, 1985, p.106)
O comportamento do indivíduo com relação a seu papel ou papéis sociais pode variar muito, podendo-se observar atitudes fundamentais que o definem: a "recusa do papel" verificada nos rebeldes ou revolucionários em que o indivíduo preserva a sua personalidade; o "incógnito de oposição" em que o indivíduo se contrapõe ao mundo em que vive, ocorrendo um distanciamento entre a sua personalidade e o papel que representa, o que o faz sofrer: não é nem conformista, tampouco revolucionário; o "incógnito dissimulado" em que, como o anterior, o indivíduo não se identifica com o seu papel, mas é capaz de penetrar nele e em sua função aceitando as regras de jogo dominantes: a dissimulação traduz uma personalidade perigosa, porque não se deixa conhecer por ninguém; e, finalmente, a "identificação" em que se observa a plena identificação com o papel, forma direta de revelar-se a alienação, ocorrendo a perda da continuidade do caráter e dissolução da personalidade. Por todas essas razões, o papel
social é também uma forma de compreender o indivíduo, que deve ser observado além de sua aparência.
Por todas essas considerações, pode-se perceber por que dialogismo é vital para a compreensão dos estudos de Bakhtin e das questões referentes à linguagem como constitutiva da experiência humana e seu papel ativo no pensamento e no conhecimento. Do ponto de vista comunicacional a importância desse conceito reside, inclusive, no fato de ratificar o conceito de comunicação como interação verbal e não verbal e não como apenas como transmissão de informação. A contribuição à complexidade desse conceito também se verifica por implicar outros: interação verbal, intertextualidade e polifonia. Esses termos parecem designar um mesmo fenômeno com pequenas variações entre si. São estas especificidades que vão estabelecer as diferenças entre eles, aproximando-os ou distanciando-os em graus diferenciados. O mais importante é perceber que todos eles, independentemente de suas particularidades, rompem com a arrogância e a onipotência do discurso monológico. O ser social nasce com o exercício de sua linguagem.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BAKHTIN, Mikhail (Volochinov). Marxismo e filosofia da linguagem.Tradução Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira, colaboração de Lúcia Teixeira Wisnik e Carlos Henrique D. Chagas Cruz. 5a ed. São Paulo: Hucitec, 1978.BARROS, Diana Luz Pessoa de e FIORIN, José Luiz (orgs.). Dialogismo, polifonia, intertextualidade. São Paulo: EDUSP, 1994. (Ensaios de Cultura, 7)BRAIT, Beth. Bakhtin, dialogismo e construção de sentido. Campinas-SP: EDUCAMP, 1997.FIORIN, José Luiz. Linguagem e ideologia. São Paulo: Ática, 1988.FREITAS, Maria Teresa de Assunção. Vygoyski e Bakhtin. 3a ed. São Paulo: Ática, 1996.HELLER, Agnes. O cotidiano e a história. Tradução Carlos Nélson Coutinho e Leandro Konder. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.INDURSKY, Freda e FERREIRA, Maria Cristina L. (orgs.) Os múltiplos territórios da Análise do Discurso. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1999.ORLANDI, Eni P. Análise de discurso.Campinas, SP: Pontes, 2000.PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica
à afirmação do óbvio. Tradução Eni P. Orlandi et al. Campinas, SP: EDUCAMP, 1988. (Coleção Repertórios)VYGOTSKI, Lev. S. Pensamento e linguagem. Tradução de Jefferson Luiz Camargo, revisão técnica de José Cipolla Neto. 2a ed. São Paulo: Martins Fontes, 1989. (Psicologia e Pedagogia)
A LINGUAGEM VERBAL COMO EXERCÍCIO DO SOCIAL
Cláudia Lukianchuki
Doutora em Comunicação pela ECA-USP e
Professora de Língua Portuguesa e Comunicação do CEFET-SP
Com base nos referenciais teóricos da Análise do Discurso de orientação francesa e de Bakhtin, este artigo discute o conceito de Dialogismo, Dialogicidade e suas implicações, enfocando a linguagem verbal como exercício do social. Pensar dialeticamente a realidade social é ver, através da língua dada, a palavra dando-se num movimento contínuo. A palavra é a mediadora entre o social e o individual. Ao aprender a falar, o ser humano também aprende a pensar, na medida em que cada palavra é a revelação das experiências e valores de sua cultura. Desse ponto de vista, tem-se que o verbal influencia nosso modo de percepção da realidade. Portanto, cabe a cada um assumir a palavra como manutenção dos valores dados ou como intervenção no mundo.
"Tudo se reduz ao diálogo, à contraposição dialógica enquanto centro. Tudo é meio, o diálogo é o fim. Uma só voz nada termina, nada resolve. Duas vozes são o mínimo de vida".(Mikhail Bakhtin)
O pensamento de Bakhtin revelado em suas obras, apesar de plural, tem uma unidade garantida pela centralidade da linguagem, cujo método de análise é a dialética. Dialogismo é o conceito que permeia toda a sua obra. É o princípio constitutivo da linguagem, o que quer dizer que toda a vida da linguagem, em qualquer campo, está impregnada de relações dialógicas. A concepção dialógica contém a idéia de relatividade da autoria individual e conseqüentemente o destaque do caráter coletivo, social da produção de idéias e textos. O próprio humano é um intertexto, não existe isolado, sua experiência de vida se tece, entrecruza-se e interpenetra com o outro. Pensar em relação dialógica é remeter a um outro princípio - a não autonomia do discurso. As palavras de um falante estão sempre e inevitavelmente atravessadas pelas palavras do outro: o discurso elaborado pelo falante se constitui também do discurso do outro que o atravessa, condicionando o discurso do eu. Em linguagem bakhtiniana, a noção do eu nunca é individual, mas social. Nos seus escritos, Bakhtin aborda os processos de formação do eu através de três categorias: o eu-para-mim, o eu-para-os-outros, o outro-para-mim. Da formulação dessa tríade, pode-se entrever sua inquietude frente a algumas questões: Como o eu estabelece sua relação com o mundo?; Existe uma oposição entre o sujeito e o objeto? "Para ele, não há um mundo dado ao qual o sujeito possa se opor. É o próprio mundo externo que se torna determinado e concreto para o sujeito que com ele se relaciona." (Freitas, 1996, p.125-6)
LINGUAGEM E PENSAMENTO
A consciência individual é, portanto, um fato social e ideológico. Dito de outra maneira, a realidade da consciência é a linguagem e são os fatores sociais que determinam o conteúdo da consciência - do conjunto dos discursos que atravessam o indivíduo ao longo de sua vida, é que se forma a consciência. O mundo que se revela ao ser humano se dá pelos discursos que ele assimila, formando seu repertório de vida. Pelo fato de a consciência ser determinada socialmente não se pode inferir que o ser humano seja meramente reprodutivo, o que se ressalta é, portanto, a criatividade do sujeito humano: é influenciado pelo meio, mas se volta sobre ele para transformá-lo. Duas vezes nasce o homem: fisicamente (o que não o faz inserir na história) e socialmente determinado pelas condições sociais e econômicas. Posto isso, não se pode sustentar a idéia - tão propalada pelo idealismo e pelo positivismo psicologista - de que a ideologia deriva da consciência. Sob a forma de signos é que a atividade mental é expressa exterior e internamente para o próprio indivíduo. Sem os signos a atividade interior não existe. A palavra não é só meio de comunicação, mas também conteúdo da própria atividade psíquica.
Nessa mesma linha, Vygotski, psicólogo russo, tentou superar, dentro do materialismo histórico dialético, a crise no campo da psicologia, verificada no conflito entre as concepções idealista e mecanicista, apresentando propostas teóricas inovadoras voltadas para temas que tratavam da inter-relação pensamento e linguagem rumo a uma teoria geral das suas raízes genéticas, natureza do processo de desenvolvimento da criança e o papel da instrução no desenvolvimento. A idéia revolucionária de que a consciência humana é determinada historicamente é o núcleo mobilizador de suas pesquisas, levando-o a colocar como centro de suas preocupações as questões da linguagem não como um sistema lingüístico de estrutura abstrata, mas em seu aspecto psicológico. Seu interesse residia em estudar a linguagem como constituidora do sujeito com o enfoque na relação pensamento e linguagem, chave para a compreensão da natureza da consciência humana. Partindo do pressuposto de que pensamento e linguagem têm raízes diferentes, constatou que o pensamento e a palavra, apesar de não serem ligados por um elo primário, não podem ser considerados como dois processos independentes. O autor contrapõe-se às concepções clássicas das antigas escolas de psicologia, dando um salto qualitativo com as suas investigações, ao perceber a conexão entre pensamento e linguagem como originária do desenvolvimento, evoluindo ao longo dele, num processo dinâmico. O caminho encontrado para uma nova abordagem da questão foi a mudança do método de análise - da análise em elementos das investigações anteriores (analiticamente separado em seus componentes) para a análise em unidades - e assim pôde concluir que a unidade do pensamento verbal está no significado das palavras.
Para compreender o pensamento verbal, Vygotski identifica que essa unidade é o significado das palavras, que é o seu aspecto intrínseco. Para ele, apesar de a natureza do significado não ser clara ainda, sua certeza é a de que, no significado da palavra, o pensamento e a fala se unem em pensamento verbal. No significado, também, estão as respostas às questões sobre a relação entre pensamento e fala. Embora o significado de uma palavra represente "um amálgama tão estreito do pensamento e da linguagem", suas pesquisas revelaram que o significado, critério da palavra e componente indispensável, é um fenômeno do pensamento e não da fala, uma vez que são generalizações ou conceitos, ou seja, atos do pensamento. No entanto, "O significado das palavras é um fenômeno de pensamento apenas na medida em que o pensamento ganha corpo por meio da fala, e só é um fenômeno da fala na medida em que esta é ligada ao pensamento, sendo iluminada por ele. É um fenômeno do pensamento verbal, ou da fala significativa - uma união da palavra e do pensamento".(Vygotski, 1989, p.04)
Se o significado da palavra é simultaneamente pensamento e fala, então é nele que está a unidade do pensamento verbal. Portanto, é a análise semântica o método a seguir na exploração da natureza verbal. Dessas investigações chegou-se a um outro resultado igualmente importante: o significado das palavras evolui. São formações dinâmicas e não estáticas: sua modificação percebe-se com o desenvolvimento da criança e também com as várias formas pelas quais o pensamento funciona.
OS DISCURSOS SOCIAIS
Retomando a questão do dialogismo, e, ainda com relação à palavra diálogo, além do seu sentido estrito - o ato de fala entre duas ou mais pessoas -, pode-se tomá-la também em seu sentido amplo, a saber, qualquer tipo de comunicação verbal, oral ou escrita, exterior ou interior, manifestada ou não. O livro, por exemplo, é um ato de fala impresso. "O discurso escrito é de certa maneira parte integrante de uma discussão ideológica em grande escala: ele responde a alguma coisa, refuta, confirma, antecipa as respostas e objeções potenciais, procura apoio etc." (Bakhtin, 1978, p.123). Tudo está em constante comunicação. À idéia de diálogo agrega-se um outro elemento que não se refere apenas à fala em voz alta de duas pessoas, mas a um discurso interior, do qual se emanam as várias e inesgotáveis enunciações, que são determinadas pela situação de sua enunciação e pelo seu auditório. "A situação e o auditório obrigam o discurso interior a realizar-se em uma expressão exterior definida, que se insere diretamente no contexto não verbalizado da vida corrente, e nele se amplia pela ação, pelo gesto ou pela resposta verbal dos outros participantes na situação de enunciação." (Bakhtin, 1978, p.125). A toda essa questão está relacionada a formação de repertórios, que, no dizer de Bakhtin, são formas de vida em comum relativamente regularizadas, reforçadas pelo uso e pela circunstância.
Dessa maneira, as formas estereotipadas no discurso da vida cotidiana respondem por um discurso social que as consolida, ou seja, possuem um auditório organizado que mantém a sua permanência, refletindo, assim, ideologicamente a composição social do grupo, evidência da afirmação de Bakhtin ao dizer que "a palavra é o fenômeno ideológico por excelência" ou "todo signo é ideológico". Por essa razão, é que, mesmo em uma aparente simples anedota que se conta sobre o negro, o judeu, o nordestino, a mulher etc., os preconceitos que se afloram nada mais são do que exercício constante dos elementos culturais desse grupo social. O enunciatário, no entanto, pode oferecer obstáculos à sua realização/manutenção provocando rupturas que vão infiltrando sensíveis mudanças iniciais, mas que podem ganhar corpo. Daí o entendimento de que todos são sujeitos da enunciação - enunciador e enunciatário - porque o caráter interativo nada mais é do que a possibilidade de transformação, seja pelo enunciador,
seja pelo enunciatário, passando a refletir e refratar a realidade dada. É a idéia da palavra em movimento, o poder da palavra. Através dela, os sujeitos são postos em ação para reproduzir ou mudar o social.
Essas reflexões remetem aos estudos semânticos de Pêcheux (quando diz que, ao passar de uma formação discursiva à outra, as palavras mudam de sentido) num diálogo com a formulação (a palavra é um signo neutro) de Bakhtin. Um exemplo disso é a palavra greve. Ao ser usada pelo dono da empresa ou pela autoridade governamental, adquire conotação diferente, especialmente disfórica, isto é negativa, daquela usada pelo funcionário ou pela população, que, neste caso, em geral, assume valor eufórico, ou seja, positivo. (Fiorin,1988,p.21-2). Os meios de comunicação, especialmente a televisão, são a evidência desses significados: quem faz greve geralmente é visto como baderneiro, dificilmente como alguém que está reivindicando seus direitos, garantidos, inclusive, constitucionalmente. A palavra em circulação é a palavra que está prenhe de significados de tal forma que, ao falar, os sentidos são mobilizados de maneira a mostrar que o sujeito é responsável por aquilo que diz, fazendo assim transparecer o seu papel social, isto é, as formas de suas relações sociais. Em outras palavras, evidenciam-se as posições de sujeito - de que fala Pêcheux - ou lugares determinados na estrutura de uma formação social marcados por propriedades diferenciais determináveis - as formações imaginárias.
OS PAPÉIS SOCIAIS
Sobre os papéis sociais, Agnes Heller explicita que, apesar de as funções de tipo "papel" serem condicionadas pelo conjunto da sociedade, o ser humano é mais do que o seu papel ou conjunto dos seus papéis, porque eles jamais esgotam o comportamento humano em sua totalidade: "Mesmo nos contextos mais manipulados, produz-se constantemente a 'recusa do papel'. Em todos esses contextos, há excêntricos, rebeldes e revolucionários. Até mesmo os contextos mais manipulados estão repletos de homens que vivem em 'incógnito de oposição'." (Heller, 1985, p.106)
O comportamento do indivíduo com relação a seu papel ou papéis sociais pode variar muito, podendo-se observar atitudes fundamentais que o definem: a "recusa do papel" verificada nos rebeldes ou revolucionários em que o indivíduo preserva a sua personalidade; o "incógnito de oposição" em que o indivíduo se contrapõe ao mundo em que vive, ocorrendo um distanciamento entre a sua personalidade e o papel que representa, o que o faz sofrer: não é nem conformista, tampouco revolucionário; o "incógnito dissimulado" em que, como o anterior, o indivíduo não se identifica com o seu papel, mas é capaz de penetrar nele e em sua função aceitando as regras de jogo dominantes: a dissimulação traduz uma personalidade perigosa, porque não se deixa conhecer por ninguém; e, finalmente, a "identificação" em que se observa a plena identificação com o papel, forma direta de revelar-se a alienação, ocorrendo a perda da continuidade do caráter e dissolução da personalidade. Por todas essas razões, o papel
social é também uma forma de compreender o indivíduo, que deve ser observado além de sua aparência.
Por todas essas considerações, pode-se perceber por que dialogismo é vital para a compreensão dos estudos de Bakhtin e das questões referentes à linguagem como constitutiva da experiência humana e seu papel ativo no pensamento e no conhecimento. Do ponto de vista comunicacional a importância desse conceito reside, inclusive, no fato de ratificar o conceito de comunicação como interação verbal e não verbal e não como apenas como transmissão de informação. A contribuição à complexidade desse conceito também se verifica por implicar outros: interação verbal, intertextualidade e polifonia. Esses termos parecem designar um mesmo fenômeno com pequenas variações entre si. São estas especificidades que vão estabelecer as diferenças entre eles, aproximando-os ou distanciando-os em graus diferenciados. O mais importante é perceber que todos eles, independentemente de suas particularidades, rompem com a arrogância e a onipotência do discurso monológico. O ser social nasce com o exercício de sua linguagem.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BAKHTIN, Mikhail (Volochinov). Marxismo e filosofia da linguagem.Tradução Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira, colaboração de Lúcia Teixeira Wisnik e Carlos Henrique D. Chagas Cruz. 5a ed. São Paulo: Hucitec, 1978.BARROS, Diana Luz Pessoa de e FIORIN, José Luiz (orgs.). Dialogismo, polifonia, intertextualidade. São Paulo: EDUSP, 1994. (Ensaios de Cultura, 7)BRAIT, Beth. Bakhtin, dialogismo e construção de sentido. Campinas-SP: EDUCAMP, 1997.FIORIN, José Luiz. Linguagem e ideologia. São Paulo: Ática, 1988.FREITAS, Maria Teresa de Assunção. Vygoyski e Bakhtin. 3a ed. São Paulo: Ática, 1996.HELLER, Agnes. O cotidiano e a história. Tradução Carlos Nélson Coutinho e Leandro Konder. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.INDURSKY, Freda e FERREIRA, Maria Cristina L. (orgs.) Os múltiplos territórios da Análise do Discurso. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1999.ORLANDI, Eni P. Análise de discurso.Campinas, SP: Pontes, 2000.PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica
à afirmação do óbvio. Tradução Eni P. Orlandi et al. Campinas, SP: EDUCAMP, 1988. (Coleção Repertórios)VYGOTSKI, Lev. S. Pensamento e linguagem. Tradução de Jefferson Luiz Camargo, revisão técnica de José Cipolla Neto. 2a ed. São Paulo: Martins Fontes, 1989. (Psicologia e Pedagogia)
sábado, 19 de junho de 2004
18 junho 2004
Então, à noite rolou a festa do Carlos. Alguma coisa foi igual a minha. Ao invés do salão, o ap. do Gavazza; Ao invés de caldo verde, sopa de ervilha; ao invés de bandas, filmes (Sergio Malandro, Gato Felix dos anos 20 etc) e muito som.
Logo no início a vizinha de baixo comunicou que chamaria a policia se não dominuisse o barulho. Têm algumas fotos que vou ver se o Carlos publica no blog do sensorial.
Conversei com a Fátima sobre fazermos um curta sobre uma figura da musica carioca. É segredo mas promete.
Estou virado e trampando.
Saí com a nega.
O Felipe me deu o mp3 do Sonic Nurse bem como Supercordas, Zorn c/ Patton, Glen Blanca etc
No fim da noite (já de manhã, já nos Arcos da Lapa) fomos para a Lapa comer algo.
Houve um atropelamento ali. Um motoqueiro pegou uma moça. Parece que ela quebrou uma perna. Eu o vi dentro da ambulância dos Bombeiros com um pano e sangue na cara.
Fala de policial para rapaz que segurava a mão da moça e, com isso, atrapalhava o serviço dos paramédicos:
__ Não deixa a bebida te pegar. Deixa eles trabalharem...
Tempo depois:
__ Deixa eu fazer meu trabalho. Se não vou sentar a mão na tua cara... e ainda te levo preso.
O rapaz estava torto de bêbado. Policial bonzinho esse!
Muita coisa se esquece. Gostaria de estar com papel e caneta na mão quando algo vem à tona. Sempre que tenho o material, e por mais que escreva, não tem a mesma importancia do contrário.
Linha tênue entre minha subjetividade (aguçadíssima) e a interação com o de fora.
Então, à noite rolou a festa do Carlos. Alguma coisa foi igual a minha. Ao invés do salão, o ap. do Gavazza; Ao invés de caldo verde, sopa de ervilha; ao invés de bandas, filmes (Sergio Malandro, Gato Felix dos anos 20 etc) e muito som.
Logo no início a vizinha de baixo comunicou que chamaria a policia se não dominuisse o barulho. Têm algumas fotos que vou ver se o Carlos publica no blog do sensorial.
Conversei com a Fátima sobre fazermos um curta sobre uma figura da musica carioca. É segredo mas promete.
Estou virado e trampando.
Saí com a nega.
O Felipe me deu o mp3 do Sonic Nurse bem como Supercordas, Zorn c/ Patton, Glen Blanca etc
No fim da noite (já de manhã, já nos Arcos da Lapa) fomos para a Lapa comer algo.
Houve um atropelamento ali. Um motoqueiro pegou uma moça. Parece que ela quebrou uma perna. Eu o vi dentro da ambulância dos Bombeiros com um pano e sangue na cara.
Fala de policial para rapaz que segurava a mão da moça e, com isso, atrapalhava o serviço dos paramédicos:
__ Não deixa a bebida te pegar. Deixa eles trabalharem...
Tempo depois:
__ Deixa eu fazer meu trabalho. Se não vou sentar a mão na tua cara... e ainda te levo preso.
O rapaz estava torto de bêbado. Policial bonzinho esse!
Muita coisa se esquece. Gostaria de estar com papel e caneta na mão quando algo vem à tona. Sempre que tenho o material, e por mais que escreva, não tem a mesma importancia do contrário.
Linha tênue entre minha subjetividade (aguçadíssima) e a interação com o de fora.
Antonin Artaud, O teatro e a peste
"Como a peste, o teatro é uma formidável convocação de forças que reconduzem
o espírito, pelo exemplo, à origem de seus conflitos. Há nele,
como na peste, uma espécie de estranho sol, uma luz de intensidade anormal
em que parece que o difícil e mesmo o impossível
tornam-se de repente nosso elemento normal".
"Como a peste, o teatro é uma formidável convocação de forças que reconduzem
o espírito, pelo exemplo, à origem de seus conflitos. Há nele,
como na peste, uma espécie de estranho sol, uma luz de intensidade anormal
em que parece que o difícil e mesmo o impossível
tornam-se de repente nosso elemento normal".
sexta-feira, 18 de junho de 2004
Semana 13-18 junho
Domingo dei uma festa lá em casa. As pessoas começaram a chegar por volta das 3 horas. Só fui conseguir parar lá pelas 6h, agitando tudo que se precisava como, extensões, abridor de garrafa (que sumiu), trazer comida para o salão etc.
O som ficou por conta do pessoal. Só levei dois CDs, o L7 hungry for stink e o houdini do melvins.
As bandas começaram com o lavajato – André, um amigo, na bateria. Ele mandou bem, e nem é baterista, mas gosta do instrumento. Eu não queria tocar. Fiquei tão agitado que só queria curtir. Depois de muita insistência, fui tocar. Rolou a sensorial estéreo.
Levamos – tentamos, pois na hora o baixo ficou com mal contato – 100% e molis lips, além de duas ou três nossas; a banda convidada, dos caras lá da área, algo new-metal;
Mother joans – nossa primeira apresentação com o baixista novo, o Rafael paulista, e a segunda vez que tocamos com ele. Foi legal, ele já conhecia as musicas pois sempre estava nos shows.
Não consegui falar muito com todo mundo pois deu bastante gente (que bom).
Lá pelas tantas, quando só tinha uma caixa de latinhas, alguns vinhos e uma garrafa de caninha, a galera fez uma intera e busquei mais uma caixa de cerveja.
Dez horas a galera começou a dispersar e lá pela zero hora de segunda-feira, só estávamos eu, gi (namorada do Pablo) e Bruno (dormindo de chapado).
Ficamos eu e gi conversando por mais uma hora (está tudo registrado) e dormimos todos ali no salão mesmo. Meu irmão estava com a noiva lá em casa e não tinha onde eu colocar meus amigos pra dormir.
Tive que acordar às seis pra ir trabalhar e, é claro, estava destruído.
A terça foi mais tranqüila. O corpo ainda doido de tanto tocar.
À noite tive que fazer uma prova de fotografia: um filme de 1 minuto. Eu faria a fotografia e, o ator não foi, tive que acabar atuando. Montamos a porra toda, afinamos luz, a atriz se maquiou (eu me recusei. Só deixei passar o papel na minha cara pra tirar o brilho ), colocou-se o filme no chassi e, na hora de rodar...
...faltou a bateria da camera. Estava na lista de equip mas não foi entregue, ou ficou na kombi que transportou a bagaça.
Depois, entrega da prova de direção de atores, passei!
Quarta-feira: prova do trotta, o meu carrasco na faculdade. Me fudi. Sentei nas primeiras carteiras e a galera que foi lá pra trás se danando de colar. É foda isso, o cara vê e deixa a cola rolar. Passa quem quer e quem ele não vai com a cara, ele fode. Vou pra prova final e tenho que passar nessa matéria filha da puta pra me formar.
À noite, mais uma arrumadinha no Lepra e corro para o Mega no Humaitá para mixar o Hera. Acabamos, eu, Rause, Beck a André (o editor do estúdio) por volta da meia noite. Gustavo nos deixa na casa do rause, durmo lá. No caminho fomos parados numa blitz. O policial revistou tudo e fomos liberados pois somos trabalhadores e não vínhamos do pega na praia como o policial perguntou.
O SOM DO HERA ESTÁ ENTREGUE!!!!!!!!!
Jonny ramone está com câncer. Mas ele tem dinheiro e vai se safar dessa.
Quinta-feira: estou me sentindo muito bem,, Estou feliz, com a sensação de dever cumprido. O dia no trampo é o que se espera e a noite tenho prova de produção.
Antes disso converso com o André que está na produção do evento em que vamos tocar (sensorial)no fim do mês, na estréia dos curtas que fizemos a trilha. Enquanto falo com ele chega a noticia por telefone de que uma aluna do curso (uma clubber) se matou. Perplexos, citamos a coragem necessária para o ato...
A prova que faço em seguida é uma zona. Cola pra todo lado. No final, a professora cisma de nos dar uma planilha pra preencher valendo nota. Estou cheio de sono e não tenho concentração para fazer. A turma é uma zona, maior falatório. Dois grupos se juntam mais eu só me junto com Bia: dois tímidos. Tentamos fazer algo, mas são umas dez folhas. Isso exige tempo e atenção. Digo para a professora que é impossível fazer aquilo em meia hora. Estava crente que acabaria a prova e logo iria embora. Fiquei puto. Mas ela deixa entregarmos na semana que vem. Vou passar para a bia um modelo de preenchimento e ela vai fazer tudo sozinha.
Vou pra casa doido pra dormir mas só vou fazer isso por volta de uma da matina.
Hoje é sexta, mostraremos o Lepra (ajudei na edição de som) na aula de edição e depois tem festa de aniversário do Carlos, amigo e companheiro de banda, lá na casa do André Gavazza na Lapa.
Amanhã trampo de manhã e tem ensaio do Supercordas à tarde. Domingo tenho que estudar para o trotta.
Cest la vid, mano brown!
Domingo dei uma festa lá em casa. As pessoas começaram a chegar por volta das 3 horas. Só fui conseguir parar lá pelas 6h, agitando tudo que se precisava como, extensões, abridor de garrafa (que sumiu), trazer comida para o salão etc.
O som ficou por conta do pessoal. Só levei dois CDs, o L7 hungry for stink e o houdini do melvins.
As bandas começaram com o lavajato – André, um amigo, na bateria. Ele mandou bem, e nem é baterista, mas gosta do instrumento. Eu não queria tocar. Fiquei tão agitado que só queria curtir. Depois de muita insistência, fui tocar. Rolou a sensorial estéreo.
Levamos – tentamos, pois na hora o baixo ficou com mal contato – 100% e molis lips, além de duas ou três nossas; a banda convidada, dos caras lá da área, algo new-metal;
Mother joans – nossa primeira apresentação com o baixista novo, o Rafael paulista, e a segunda vez que tocamos com ele. Foi legal, ele já conhecia as musicas pois sempre estava nos shows.
Não consegui falar muito com todo mundo pois deu bastante gente (que bom).
Lá pelas tantas, quando só tinha uma caixa de latinhas, alguns vinhos e uma garrafa de caninha, a galera fez uma intera e busquei mais uma caixa de cerveja.
Dez horas a galera começou a dispersar e lá pela zero hora de segunda-feira, só estávamos eu, gi (namorada do Pablo) e Bruno (dormindo de chapado).
Ficamos eu e gi conversando por mais uma hora (está tudo registrado) e dormimos todos ali no salão mesmo. Meu irmão estava com a noiva lá em casa e não tinha onde eu colocar meus amigos pra dormir.
Tive que acordar às seis pra ir trabalhar e, é claro, estava destruído.
A terça foi mais tranqüila. O corpo ainda doido de tanto tocar.
À noite tive que fazer uma prova de fotografia: um filme de 1 minuto. Eu faria a fotografia e, o ator não foi, tive que acabar atuando. Montamos a porra toda, afinamos luz, a atriz se maquiou (eu me recusei. Só deixei passar o papel na minha cara pra tirar o brilho ), colocou-se o filme no chassi e, na hora de rodar...
...faltou a bateria da camera. Estava na lista de equip mas não foi entregue, ou ficou na kombi que transportou a bagaça.
Depois, entrega da prova de direção de atores, passei!
Quarta-feira: prova do trotta, o meu carrasco na faculdade. Me fudi. Sentei nas primeiras carteiras e a galera que foi lá pra trás se danando de colar. É foda isso, o cara vê e deixa a cola rolar. Passa quem quer e quem ele não vai com a cara, ele fode. Vou pra prova final e tenho que passar nessa matéria filha da puta pra me formar.
À noite, mais uma arrumadinha no Lepra e corro para o Mega no Humaitá para mixar o Hera. Acabamos, eu, Rause, Beck a André (o editor do estúdio) por volta da meia noite. Gustavo nos deixa na casa do rause, durmo lá. No caminho fomos parados numa blitz. O policial revistou tudo e fomos liberados pois somos trabalhadores e não vínhamos do pega na praia como o policial perguntou.
O SOM DO HERA ESTÁ ENTREGUE!!!!!!!!!
Jonny ramone está com câncer. Mas ele tem dinheiro e vai se safar dessa.
Quinta-feira: estou me sentindo muito bem,, Estou feliz, com a sensação de dever cumprido. O dia no trampo é o que se espera e a noite tenho prova de produção.
Antes disso converso com o André que está na produção do evento em que vamos tocar (sensorial)no fim do mês, na estréia dos curtas que fizemos a trilha. Enquanto falo com ele chega a noticia por telefone de que uma aluna do curso (uma clubber) se matou. Perplexos, citamos a coragem necessária para o ato...
A prova que faço em seguida é uma zona. Cola pra todo lado. No final, a professora cisma de nos dar uma planilha pra preencher valendo nota. Estou cheio de sono e não tenho concentração para fazer. A turma é uma zona, maior falatório. Dois grupos se juntam mais eu só me junto com Bia: dois tímidos. Tentamos fazer algo, mas são umas dez folhas. Isso exige tempo e atenção. Digo para a professora que é impossível fazer aquilo em meia hora. Estava crente que acabaria a prova e logo iria embora. Fiquei puto. Mas ela deixa entregarmos na semana que vem. Vou passar para a bia um modelo de preenchimento e ela vai fazer tudo sozinha.
Vou pra casa doido pra dormir mas só vou fazer isso por volta de uma da matina.
Hoje é sexta, mostraremos o Lepra (ajudei na edição de som) na aula de edição e depois tem festa de aniversário do Carlos, amigo e companheiro de banda, lá na casa do André Gavazza na Lapa.
Amanhã trampo de manhã e tem ensaio do Supercordas à tarde. Domingo tenho que estudar para o trotta.
Cest la vid, mano brown!
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